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Experiência valiosa para as árbitras da fase final

O Campeonato da Europa Feminino de Sub-17 tem sido uma experiência importante para as equipas de arbitragem da fase final do torneio, em Inglaterra.

Sara Persson, Mathilde Abildgaard e Katalin Torok
Sara Persson, Mathilde Abildgaard e Katalin Torok ©Sportsfile

Sara Persson é uma árbitra internacional de futebol e mãe de dois filhos - dois papéis muito diferentes, com ela reconhece, com um sorriso, que por vezes se conjugam de forma divertida.

"Uma vez estava zangada com o meu filho Lucas, na altura com cinco anos. Mandei-o para o quarto, mas a seguir ele apareceu com o meu apito e mostrou-me um cartão vermelho", conta. Felizmente, Persson ainda não teve necessidade de expulsar ninguém no Campeonato a Europa Feminino de Sub-17, um torneio onde o respeito entre as jogadoras tem sido elogiado e no qual as equipas de arbitragem nomeadas pela UEFA têm vivido uma experiência muito valiosa.

"Estar numa fase final faz toda a diferença", diz Persson, cujos jogos de maior grau de dificuldade até agora tinham sido os das fases de qualificação da UEFA Women's Champions League e das competições jovens femininas da UEFA. "As fases de apuramento são importantes, mas aqui tudo é mais intenso", acrescenta a sueca, de 37 anos. "As minhas colegas apitam muito bem e as jogadoras também são excelentes. O meu último jogo foi o Escócia-França e o nível técnico foi muito bom. As raparigas são rápidas e duras. Fiquei bastante satisfeita, também porque o jogo me correu bem ao nível dos respeito das jogadoras."

Persson, uma tratadora de animais de Gotemburgo, fala connosco na partida do centro de estágios das equipas de arbitragem, em Derby, a curta distância de St George Park, onde as oito selecções participantes no torneio estiveram sedeadas. Um total de 16 elementos das equipas de arbitragem - seis árbitras, oito assistentes e duas quarto árbitras - foram nomeadas pela UEFA para este torneio e Persson é uma das duas escolhidas para os últimos jogos do torneio, seja a final ou a partida de atribuição dos terceiro e quarto lugares.

Também em acção no domingo estará a árbitra-assistente Mathilde Abildgaard, de 26 anos, da Dinamarca. A natural de Copenhaga adiou a finalização da sua tese de mestrado para estar em Inglaterra e está encantada por ter vindo. Após ter marcado presença num curso do Centro de Arbitragem de Excelência da UEFA, no início deste ano, este tem sido mais um passo crucial na sua evolução.

"Felizmente temos observadores experientes connosco", diz Abildgaard, cujo pai, Bo, é um antigo árbitro-assistente com insígnias da FIFA. "Eles têm tentando ensinar-nos coisas e dar-nos bons conselhos antes dos nossos jogos. Também temos sido felizes por integrarmos boas equipas, que reflectem em conjunto sobre a forma de melhorar para os jogos seguintes. Isso tem-me ajudado imenso."

Para Katalin Török, outra das árbitras-assistentes que ficam até domingo, trabalhar em conjunto com pessoas de outros países, com "diferentes personalidades e estilos", tem sido crucial nesta experiência de aprendizagem. "A partir do momento em que conhecemos as nomeações, temos tempo de nos prepararmos com o resto da equipa. Falamos antes dos jogos e tudo se torna mais fácil", explica a economista, de 28 anos, residente em Budapeste. "Recebemos os mesmos guias de orientação dos observadores e isso ajuda-nos bastante para funcionarmos com uma verdadeira equipa em campo."

O que estas três mulheres têm em comum é o facto de, nos respectivos países, apitarem jogos masculinos e femininos. "No meu país, faço sobretudo jogos masculinos e os mais importantes da Liga feminina", explica Persson. Isso leva-nos a uma discussão relevante, que tem que ver com as diferenças entre arbitrar jogos de homens e de mulheres. "Quando se discute com uma mulher, ela vai lembrar-se durante muito tempo; se for com um homem, ele esquece-se logo", sugere Abildgaard. "Nos jogos femininos, as jogadoras lembram-se durante toda a partida de um pequeno erro que possamos ter cometido."

E será que os jogadores tratam uma árbitra de forma diferente? "Para mim, penso que sou bem tratada pelos jogadores por ser uma mulher", refere, acrescentando: "Mas por outro lado, pode acontecer-me o contrário nos jogos femininos!". Um dos momentos altos dos últimos dias foi a visita ao hotel de Howard Webb, o famoso árbitro inglês. "Foi uma bela surpresa e um grande momento", diz Abildgaard. Felizmente para estas três mulheres, há mais um grande momento em perspectiva no domingo."