Crónica da final da UEFA Futsal Champions League: Sporting CP 2-0 Palma
domingo, 10 de maio de 2026
Sumário do artigo
O Sporting CP conquistou o seu terceiro título, impedindo o Palma de erguer o troféu pelo quarto ano consecutivo.
Conteúdo media do artigo
Corpo do artigo
O Sporting venceu a UEFA Futsal Champions League pela terceira vez depois de terminar o reinado recorde de três títulos seguidos do Palma de Illes Balears numa Arena de Futsal de Pesaro, Itália, lotada.
Diogo Santos deu cor à pressão inicial do Sporting, abrindo cedo o activo e, embora tenha sido expulso perto do final da primeira parte, a equipa portuguesa marcou o segundo golo a cerca de quatro minutos do final, num lance de insistência de Ivan Chishkala que acabou com a bola no fundo da baliza deserta do Palma. A equipa espanhola, primeira a vencer três finais consecutivas, não conseguiu o quarto título em quatro anos e o Sporting, na sua oitava final (um recorde igualado), repete assim os êxitos de 2019 e 2021.
O jogo em poucas palavras: Sporting põe fim ao reinado do Palma
O Sporting entrou melhor, mas quase foi surpreendido num contra-ataque, com Bernardo Paçó obrigado a fazer uma dupla defesa espectacular a remates de Charuto e Lucas Machado. O guarda-redes do Sporting teve, depois, um papel fundamental no ataque, sendo dele a assistência para o primeiro golo, aos quatro minutos. Paçó avançou pela direita e tocou para Diogo Santos, cujo remate rasteiro, de pé esquerdo, passou por baixo de Dennis Cavalcanti e entrou para o fundo da baliza.
O Palma nunca tinha estado em desvantagem em nenhuma das suas três anteriores finais, mas em todas elas o marcador esteve em 1-1. O Sporting, no entanto, tudo tentou nos minutos seguintes para chegar ao 2-0, mas Cavalcanti, um ano depois de ter perdido uma final para o Palma como guardião do Kairat Almaty, realizou uma série de excelentes defesas para manter a turma espanhola a perder por apenas um golo.
Aos poucos, o Palma foi-se encontrando no jogo, criou também alguns lances de perigo e, a pouco menos de dois minutos do intervalo, o autor do golo, Diogo Santos, viu o segundo cartão amarelo. O Sporting ficou em inferioridade numérica e Fabinho acertou na barra para o Palma.
O Sporting voltou a entrar ter cinco jogadores em campo pouco depois do arranque do segundo tempo e foi segurando a vantagem de 1-0 apesar da crescente pressão dos campeões em título.
Mas a equipa de Nuno Dias continuava a ser aquela que criava as principais oportunidades de golo e um toque de calcanhar de génio de Zicky levou a bola a bater no poste da baliza do Palma, antes de um remate de primeira de Tomás Paçó ser defendido por Dennis Cavalcanti e de Ivan Chishkala não conseguir aproveitar um passe de Zicky quando tinha tudo para marcar.
Nos últimos cinco minutos, o Palma apostou em Alisson como um guarda-redes avançado, mas quase de imediato este desarmado por Chishkala perto da linha lateral e a bola rolou caprichosamente para dentro da baliza da equipa espanhola, apesar da tentativa desesperada de Fabinho para a interceptar. O reinado de Palma estava praticamente no fim e Chishkala, com um chapéu pleno de classe, viu a barra da baliza contraria negar o terceiro golo ao Sporting, mas a vitória não fugiu.
Jogador do Torneio: Zicky (Sporting CP)
Zicky, do Sporting, foi eleito Melhor Jogador do Torneio da UEFA Futsal Champions League pelo Grupo de Observadores Técnicos da UEFA.
Equipas
Sporting: Bernardo Paçó (GK), Tomás Paçó, Diogo Santos, Wesley França, Alex Merlim; Goncalo (GK), Zicky, João Matos, Pauleta, Felipe Valério, Ivan Chishkala, Bruno Pinto. Bruno Maior, Vinicius Rocha
Palma: Dennis Cavalcanti (GK), Piqueras, Ernesto, Fabinho, Machado; Luan Muller (GK), Carlos Barrón (GK), David Peña, Lin, Charuto, Lucão, Deivão, Mateus Maia, Alisson
Paul Saffer, repórter no encontro
O Sporting controlou o jogo do início ao fim e a vitória foi merecida. Seria necessário algo especial para travar o Palma, que vinha de conquistar este título por três anos consecutivos, mas Bernardo Paçó, Tomás Paçó, o sempre presente Alex Merlim - na sua terra natal, Itália - e, claro, Zicky estiveram em grande, assim como os seus companheiros de equipa.
Reacções
Nuno Dias, treinador do Sporting: "Acima de tudo, foi um jogo muito difícil contra o Palma, que nos obrigou a jogar no limite. E obrigou-nos, mais uma vez, a aproximarmo-nos da perfeição, tal como já tinha acontecido nas meias-finais contra o Cartagena. Não se trata de um adversário qualquer, mas sim de uma equipa que era tricampeã desta competição.
A chave do nosso sucesso foi, em grande parte, superarmo-nos nos momentos mais difíceis. Defendemos extraordinariamente bem, não só quando não tínhamos bola, mas também quando tínhamos. Hoje em dia, as equipas não defendem apenas quando não têm bola. Penso que merecemos plenamente esta vitória contra adversários fortes e difíceis."
Zicky, jogador do Sporting e eleito o Melhor Jogador do Torneio: "Penso que fizemos um jogo extremamente competente a todos os níveis. Entrámos em campo com as coisas muito bem definidas, sabendo perfeitamente o que queríamos desta partida. Felizmente, conseguimos pôr em prática tudo o que treinámos, e isso é sempre o mais importante num jogo de um nível tão exigente como uma final da Champions.
Passei por alguns problemas físicos ao longo da época, mas superei tudo com muito trabalho e não podia estar mais feliz. Sabíamos onde atacar os adversários e explorar as suas fraquezas. Corrigimos o que precisávamos de corrigir em relação aos dois jogos anteriores frente ao Palma. Manter a intensidade durante os 40 minutos foi, na minha opinião, crucial para o nosso sucesso."
Antonio Vadillo, treinador do Palma: "Não é apenas histórico termos conquistado três Champions League seguidas, algo que mais ninguém tinha feito. Também foi histórico ter disputado quatro finais consecutivas, o que também nunca tinha acontecido. E isso diz muito sobre o bom trabalho do clube e da equipa.
Quanto à partida, o facto de nos termos visto muito cedo a perder deixou a equipa um pouco apreensiva e penso que o Sporting foi superior a nós nos primeiros 20 minutos. Dito isto, também acho que a segunda parte foi completamente equilibrada. Eles tiveram hipóteses de marcar mais golos e nós também tivemos várias hipóteses de empatar. Disse antes do jogo que as partidas são decididas nos detalhes, que é preciso ser eficaz nos momentos decisivos. Hoje não fomos."
Lucas Machado, jogador do Palma: “Sabíamos que ia ser um jogo difícil, o Sporting é uma equipa incrível. Os detalhes jogaram a favor deles hoje e o resultado final foi justo, foram melhores – talvez não muito melhores, mas em finais os pequenos detalhes são importantes e se não estiveres 100% concentrado durante o jogo, vais sofrer golos, e foi o que aconteceu hoje."
Principais estatísticas
- O Sporting é a primeira equipa não espanhola a conquistar três títulos, igualando o número de conqusitas do Palma. Apenas o Inter FS (cinco) e o Barça (quatro) têm mais.
- João Matos participou em todas as oito finais do Sporting desde 2011. Este foi o seu 25º jogo em fases finais e o 98ª no total da competição; ambos os registos são recorde.
- Gonçalo, Alex Merlim e Vinicius Rocha também conquistaram o terceiro título pelo Sporting, depois de 2019 e 2021.
- O treinador do Sporting, Nuno Dias (na sua sétima final, um recorde), igualou a marca de três títulos conquistados por António Vadillo, ao leme do Palma, e Jesús Velasco. Apenas Dias e Vadillo conquistaram o título por três vezes pelo mesmo clube.
- Sporting e Palma defrontaram-se pela segunda vez numa final, igualando o número de finais entre Action 21 Charleroi e Playas de Castellón (2002, 2003), Benfica e Inter (2004, 2010), FC Dynamo e Inter (2006, 2007), Barça e FC Dynamo (2012, 2014), Inter e Sporting CP (2016, 2017) e Barça e Sporting CP (2021, 2022).
- Bruno Pinto, do Sporting, termina a época empatado com Soufiane Charraoui, do Tigers Roemond, no topo da lista de melhores marcadores desta edição da prova, ambos com 11 golos.
Jogo de atribuição do terceiro lugar: Cartagena conquista bronze nos penáltis
Pelo segundo ano consecutivo, o Cartagena Costa Cálida terminou no terceiro lugar depois de vencer nos penáltis o jogo de atribuição da medalha de bronze. Tal como na meia-final frente ao Sporting, o Cartagena chegou a estar a vencer o Étoile Lavalloise por 2-0 e depois viu o adversário virar o resultado para 3-2, antes de Gon Castejón empatar e forçar uma decisão por grandes penalidades, na qual a equipa espanhola venceu por 5-4.
Muhammad Osamanmusa e Pablo Ramirez marcaram, dando ao Cartagena uma vantagem de dois golos com pouco mais de 11 minutos jogados, mas Abdessamad Mohammed reduziu e Souheil Mouhoudine converteu um penálti pouco antes do intervalo para empatar
O Étoile parecia, depois, caminhar para se tornar na primeira equipa francesa a conquistar uma medalha na prova quando Bilal Bakkali fez o 3-2, com o seu décimo golo na competição. Mas o melhor jogador da partida, Gon Castejón, empatou, tal como havia feito na meia-final, e desta vez o Cartagena venceu o desempate por grandes penalidades, com Chispi (que alinhou no lugar do lesionado Chemi) a defender o penálti de Nelson Lutin antes de Juninho converter o penálti decisivo.