Final reacende rivalidades locais

A final da UEFA Europa League, entre o Atlético de Madrid e o Athletic, é a nona na história da competição disputada entre duas equipas oriundas do mesmo país.

FC Porto e Braga defrontaram-se na final de 2011 da UEFA Europa League, em Dublin
FC Porto e Braga defrontaram-se na final de 2011 da UEFA Europa League, em Dublin ©Getty Images

Apesar de ser a estreia de Bucareste como palco de uma grande final europeia, não constitui novidade o facto de o jogo decisivo disputar-se por duas equipas do mesmo país.

A final desta época da UEFA Europa League, entre os espanhóis do Club Atlético de Madrid (de Tiago, Sílvio e Pizzi) e do Athletic Club, segue-se à da temporada passada, 100 por cento portuguesa, entre FC Porto e Sp. Braga. No total, é a nona a ser disputada entre dois rivais domésticos na história desta competição e da sua predecessora, a Taça UEFA. Aqueles que tentam ver neste factor um bom presságio – e os adeptos do Atlético, em particular – talvez devam notar que apenas em duas ocasiões a equipa pior classificada no campeonato venceu o encontro.

1971/72 Tottenham Hotspur FC-Wolverhampton Wanderers FC, resultado total: 3-2
A primeira final da Taça UEFA foi 100 por cento inglesa. Os Wolves contavam com o melhor marcador da competição, Derek Dougan, mas coube a Bill Nicholson, do Tottenham, erguer o troféu, na sequência da vitória por 2-1 em Wolverhampton, graças a um bis de Martin Chivers, e empate 1-1 em White Hart Lane.

1979/80 Eintracht Frankfurt-VfL Borussia Mönchengladbach, resultado total: 3-3 (golos fora)
Os quatro semifinalistas eram alemães, mas o Eintracht, o mais mal classificado do quarteto da Bundesliga, emergiu como vencedor-surpresa. Carrasco do FC Bayern München nas meias-finais, deu a volta a uma desvantagem de 3-2 frente ao campeão com um triunfo por 1-0, graças a um golo tardio de Fred Schaub, sagrando-se campeão devido aos golos fora.

1989/90 Juventus-ACF Fiorentina, resultado total: 3-1
A Fiorentina atingiu a final apesar de só ter apontado seis golos em dez jogos e pouco pôde fazer quando a Juventus ganhou a primeira mão, por 3-1, em Turim. A Juve somou um empate 0-0 na segunda mão disputada em terreno neutro (Avellino) e voltou a ferir os "viola" com a contratação de Roberto Baggio pouco tempo depois.

1990/91 FC Internazionale Milano-AS Roma, resultado total: 2-1
Lothar Matthäus ergueu o troféu para o Inter e foi também ele que o lançou para a vitória, ao marcar o primeiro golo no triunfo por 2-0 na primeira mão, em Milão, onde os "nerazzurri" venceram os seis jogos. A Roma prevaleceu por 1-0 no Stadio Olimpico, mas o resultado revelou-se insuficiente.

1994/95 Parma FC-Juventus, resultado total: 2-1
A Juventus terminou a temporada com a conquista do título da Serie A, só que foi o Parma, terceiro classificado, a ganhar aquela que era a sua terceira final europeia em igual número de anos. Dino Baggio, antigo jogador dos "bianconeri", bestiu a pele de herói do Parma ao marcar o único tento da primeira mão e ao fazer o empate (1-1) com que terminou o encontro no Stadio Delle Alpi.

1997/98 FC Internazionale Milano-S.S. Lazio, 3-0
O Parc des Princes, em Paris, recebeu a primeira final da Taça UEFA disputada num só jogo e a quarta entre equipas italianas. Tratou-se de uma noite para recordar por parte do Inter, já que Iván Zamorano, Javier Zanetti e Ronaldo marcaram numa vitória convincente da equipa de Gigi Simoni.

2006/07 Sevilla FC-RCD Espanyol, 2-2 (3-1 nos penalties)
Com Hampden Park como palco, o Sevilha tornou-se apenas na segunda equipa, depois do Real Madrid CF, a vencer a prova em duas ocasiões consecutivas. Esteve em vantagem duas vezes, com golos de Adriano e Frédéric Kanouté, aos quais o Espanhol respondeu através de Albert Riera e Jônatas, mas o conjunto da Andaluzia acabou por prevalecer nos penalties.

2010/11 Porto-Braga, 1-0
Apenas 47 quilómetros separam Porto e Braga, mas foi em Dublin que disputaram a final da época passada, na qual acabou por contar a maior experiência dos "dragões", pondo fim à esperança do Braga depois de ter afastado de forma surpreendente o Benfica nas meias-finais. O golo da vitória, apontado por Radamel Falcao, foi o seu 17º na campanha europeia – registo recorde na competição para um jogador que volta a marcar presença na final, agora ao serviço do Atlético.