Bucareste volta a sorrir
sexta-feira, 17 de março de 2006
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Com duas equipas no sorteio desta sexta-feira dos quartos-de-final da Taça UEFA, o futebol romeno está a protagonizar a sua melhor campanha na Europa desde a época 1988/89.
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A Roménia, com duas equipas no sorteio desta sexta-feira dos quartos-de-final da Taça UEFA, está a protagonizar a sua melhor campanha na Europa desde a época 1988/89.
Época de sucesso
O AFC Rapid Bucuresti e o FC Steaua Bucuresti são duas das equipas presentes no sorteio que vai decorrer no Centro Evoluon, em Eindhoven. No entanto, em 1988/89, os clubes romenos celebraram uma época ainda melhor, quando três equipas da Divizia A [Liga romena] reclamaram os seus lugares nos quartos-de-final das três principais competições da UEFA.
Finalistas romenos
O FC Victoria Bucuresti atingiu os quartos-de-final da Taça UEFA, o FC Dinamo Bucuresti chegou à mesma fase da Taça das Taças, enquanto o Steaua, que já tinha vencido a prova na época 1985/86, chegou à final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, perdendo por 4-0 com o AC Milan, em Barcelona.
Gigantes
Por tradição, o Steaua e o Dínamo são dois gigantes do futebol romeno. Para além das duas presenças na final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, o Steaua chegou às meias-finais da mesma competição em 1987/88, sendo afastado pelo Benfica, e aos quartos-de-final da Taça das Taças em 1971/72 e 1992/93.
Os feitos do Dínamo
O Dínamo conquistou uma presença na meia-final da Taça dos Clubes Campeões Europeus em 1983/84 e esteve também entre as últimas quatro equipas da Taça das Taças na época 1989/90. As outras formações romenas a atingirem estes patamares em provas europeias foram o FC Universitatea Craiova, semifinalista da Taça UEFA em 1982/83, o já extinto Victoria e, a partir de agora, o Rapid.
A ascensão do Rapid
Fundado em 1923, como clube dos operários ferroviários, o Rapid foi sempre visto como o emblema dos oprimidos, até à revolução romena de 1989. Antes da queda do comunismo, conquistou apenas um título, em 1967, mas venceu oito Taças da Roménia e atingiu os quartos-de-final da Taça das Taças em 1972/73.
Nova liderança
Após a revolução, o clube foi completamente renovado. Liderado pelo abastado empresário George Copos, o Rapid venceu o campeonato em 1998/99 e 2002/03, para além de duas Taças da Roménia e três Super Taças. No entanto, o sucesso doméstico não tinha tido correspondência a nível europeu até agora.
O dedo do treinador
O treinador Razvan Lucescu, de 37 anos, filho do técnico do FC Shakhtar Donetsk, Mircea Lucescu, tem sido o grande responsável pelos bons resultados. Empenhado e muito sensato para a sua idade, o jovem técnico foi capaz de criar um forte espírito de equipa que permite a alguns jogadores do Rapid brilhar também em termos individuais. Daniel Niculae, Marius Maldarasanu e Danut Coman têm estado em bom plano, sendo que Mugurel Buga já leva oito golos marcados na Taça UEFA desde a primeira pré-eliminatória, disputada em Julho de 2005.
Calendário exigente
Apesar de ainda estar a lutar em três frentes – a Taça UEFA, a Taça da Roménia e a Divizia A – o Rapid não dá sinais de fatiga. Ainda não sofreu nenhum golo em sete jogos em casa para a Taça UEFA e já venceu equipas como o Feyenoord, o Shakhtar, de seu pai, e o Hamburger SV, todas elas com maiores recursos financeiros à disposição.
Preocupações financeiras
Na verdade, o clube tem tido vários problemas financeiros ao longo da época, com os jogadores a queixarem-se de ordenados e prémios de jogo em atraso. Lucescu chegou mesmo a ser afastado por Copos e readmitido 12 horas depois, devido aos protestos dos adeptos, jogadores e do director-executivo do clube, Dinu Gheorghe.
Teste de resistência
Tendo em conta estas circunstâncias, Lucescu acredita que a sua equipa já provou o que vale, afirmando-se "impressionado com o empenho demonstrado pelos jogadores em todas as partidas". Com um calendário impiedoso pela frente, que obriga o Rapid a jogar de três em três dias até ao fim da época, o clube precisará de uma enorme resistência para ter sucesso.