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Guardiola, o arquétipo do "treinador dentro de campo"

Quando jogava no Barcelona, Josep Guardiola era o representante táctico do seu treinador em campo: a Champions Matchday destaca os futebolistas que viraram técnicos.

Josep Guardiola em 2000
Josep Guardiola em 2000 ©Getty Images

Tommy Boyle tinha razão, em parte: "Será pela táctica que os jogos do futuro serão ganhos... e com sorte sairá vencedora a equipa que tenha um génio como capitão para carregar a equipa." Um génio como capitão?

Boyle era um deles, no início do século XX, mudando a estratégia dentro de campo pelo Burnley FC que conquistou a Taça de Inglaterra de 1914. Desde essa altura, os capitão evoluíram para uma espécie de motivadores dos colegas, uma vez que os planos de jogo dos treinadores são cada vez mais pormenorizados. Porém, o rótulo de "treinador dentro de campo" tornou-se lugar-comum na Europa.

A causa provável é o ressurgimento do médio estratega, perito no passe. O antigo seleccionador de Espanha, Vicente del Bosque – também ele um antigo médio que se encaixa na descrição acima – definiu esta posição influente como "uma extensão do treinador em campo".

Danny Blanchflower
Danny Blanchflower©Getty Images

Mais do que apenas uma braçadeira
Danny Blanchflower, capitão do Tottenham Hotspur FC nos anos 60, disse: "Em campo sou o representante do treinador. Estou aqui para tomar qualquer decisão que considere a melhor para o clube. Se for algo que não previmos então decido por mim."

Mas o que tem tudo isto que ver com treinadores? O primeiro técnico de Blanchflower no Tottenham, Arthur Rowe, recebeu com agrado este assumir de responsabilidade. O segundo, Jimmy Anderson, aceitou até as coisas correrem mal, o que levou à perda da braçadeira pelo jogador. Bill Nicholson voltou a nomear Blanchflower capitão, mas não de forma incondicional: "Ele tinha-se em muito boa conta. E eu tinha-o em muito boa conta. Ele tinha imaginação. Percebia o que estava a acontecer e garantia  as soluções."

Lothar Matthäus
Lothar Matthäus©Getty Images

Lothar Matthäus teve uma atitude muito própria sob o comando de Giovanni Trapattoni, no Inter, nos anos de 1980 e 1990. "Ele era capaz de mudar um jogo sozinho", afirmou o colega de Matthäus, Aldo Serena. "Queria sempre atacar, pelo que houve alguma fricção entre ele e 'Il Trap'." Trapattoni tinha, também ele, a mesma influência enquanto defesa do AC Milan, sob o comando de Nereo Rocco, nos anos 1960.

Pensar o jogo
Embora seja difícil encontrar exemplos de tal autonomia no futebol moderno, alguns treinadores estão preparados para delegar responsabilidades.

Dar poder a um capitão pode libertar uma equipa e levá-la a jogar o seu melhor futebol. Carles Rexach, adjunto de Joan Cruyff no FC Barcelona, afirmou: "Pensávamos numa estratégia e explicávamo-la aos jogadores. Quando estes saíam, chamávamos o Pep [Guardiola] e dizíamos-lhe: 'Aos 20 minutos vou dar-te um sinal e mudas para esta estratégia.' Ele era o único a saber, porque há jogadores que se baralham com demasiada informação."

Carlo Ancelotti escolheu Xabi Alonso como o seu mensageiro táctico no Real Madrid, passando ao médio instruções a partir do banco. Algo fácil para o treinador, que quando era jogador, sob o comando de Arrigo Sacchi, tinha missão semelhante no Milan.

Arrigo Sacchi
Arrigo Sacchi©Getty Images

"Ancelotti parecia lento", explica Sacchi sobre o cérebro do seu dominador Milan dos anos 1990. "Mostrei-lhe como se movimentar e acabei por perceber que ele pensava mais rapidamente que qualquer outro jogador. Era o treinador perfeito em campo."

Franz Benckenbauer
Franz Benckenbauer©Getty Images

Arte complexa
Os melhores técnicos foram, sem surpresa, os jogadores que assumiram esse papel de treinadores em campo. Franz Beckenbauer marcou uma era em termos tácticos para a Alemanha, e uma fase de muitos títulos para o FC Bayern München, quando era líbero nas duas equipas. Os melhores jogadores nessa posição precisavam desse tipo de autoridade, liberdade e percepção para poderem fazer o seu trabalho.

No livro "Brilliant Orange", David Winner descreve a selecção da Holanda como uma cooperativa de trabalhadores, onde todos eram iguais, mas na qual Cruyff era mais igual que os outros. "Falávamos de espaços a toda a hora", disse o defesa do Ajax, Barry Hulshoff, a Winner. "Cruyff dizia sempre para onde devíamos correr e onde deveriam estar, e quais as nossas movimentações. Tudo girava em torno de encontrar espaços e ocupá-los. É uma espécie de arquitectura em campo. Todos os jogadores tinham de compreender a geometria do terreno de jogo e o sistema como um todo."

Dos 29 treinadores da UEFA Champions League desta temporada que jogaram a nível profissional, 17 eram médios.

A Champions Matchday é a revista oficial da UEFA Champions League e está disponível em papel ou em versão digital, para download gratuito. Pode seguir a revista no Twitter, em @ChampionsMag.

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