Šmicer recorda milagre de Istambul

O antigo médio do Liverpool tem ainda bem vivas na memória as recordações da vitória sobre o Milan na final da UEFA Champions League em 2005, que permitiu levar de volta a Anfield o troféu.

Vencer a final da UEFA Champions League representa o mais alto feito que um jogador pode alcançar ao serviço de um clube. Vladimír Šmicer, antigo jogador do Liverpool FC, teve a felicidade de experimentar essa sensação e as recordações dessa conquista ao serviço do emblema de Anfield, em 2005, estão ainda bem vivas na memória do médio checo.

Final dramática
Šmicer, agora no FC Girondins de Bordeaux, participou recentemente no "chat" do uefa.com e recordou aquela incrível noite em Istambul, onde o Liverpool recuperou de uma desvantagem de três golos para acabar por derrotar o AC Milan nos penalties. O jogador deixou-nos ainda a sua opinião sobre a final desta temporada, na qual as duas equipas voltarão a defrontar-se.

Última presença
Essa final acabaria por ser o último jogo de Šmicer com a camisola do Liverpool, mas o atleta checo assinalou da melhor forma a despedida ao marcar o segundo golo dos "reds" e converter ainda um dos pontapés no dramático desempate por grandes penalidades, no final do encontro. Ainda assim, se não tivesse sido a lesão de Harry Kewell, que obrigou o internacional australiano a abandonar o relvado logo aos 23 minutos, talvez Šmicer não tivesse conquistado esse lugar na história da turma de Anfield.

Chamada inesperada
"Na altura fiquei surpreendido por entrar - quando o Harry Kewell se lesionou pensei que fosse outro jogador a substituí-lo", revelou Šmicer. "Mas Rafael Benítez acabou por me chamar a mim. Sentia-me bem fisicamente antes da final e estava ansioso por actuar. Era o meu último jogo pelo Liverpool, por isso estava determinado em sair em grande. Tinha a cabeça limpa e era essa a minha maior motivação - servir bem o clube no último jogo ao seu serviço. Queria desfrutar de um encontro daqueles".

Golo espectacular
Šmicer apontou um espectacular golo graças a um sensacional remate à passagem dos 56 minutos, reduzindo a desvantagem para 3-2, e muitos adeptos do Liverpool elegem esse golo como o melhor apontado pelo jogador checo ao serviço dos britânicos. "É complicado dizer qual foi o meu melhor golo, mas esse foi, sem dúvida, o mais importante", afirmou Šmicer. "Ainda o recordo todos os dias! Permitiu-me tocar naquele famoso troféu e dar uma alegria sem igual aos adeptos do Liverpool. A forma como vencemos esse jogo continua a deixar-me perplexo. Foi um milagre - algo que talvez nunca mais se volte a repetir".

O maior dos testes
"Mas marcar o penalty foi o maior teste de toda a minha carreira. É fácil dizer 'não' quando o treinador nos pergunta, mas queria provar o meu valor. Tinha 32 anos na altura e queria mostrar que não tinha medo de assumir essa responsabilidade. Disse ao Rafa que gostaria de bater uma das grandes penalidades e acabei por enganar o Dida. Foi mesmo muito importante para mim. Se tivesse falhado, o meu último jogo ao serviço do Liverpool poderia muito bem ter tido um desfecho diferente. A pressão era enorme. Senti-me tão orgulhoso por marcar. Foi, de longe, o melhor dia da minha vida".

Rafa fantástico
O treinador Rafael Benítez foi a alma da recuperação do Liverpool nessa final e o seu brilhantismo a nível táctico é uma das principais razões que levam Šmicer a acreditar que os "reds" podem voltar a festejar na final de Atenas, a 23 de Maio. "O registo de Rafa na Europa é fantástico", sublinhou o checo, actualmente com 33 anos. "É o seu destino conquistar troféus. Ele prepara muito bem a equipa para a UEFA Champions League e todos nós sabíamos exactamente o que fazer em campo - não havia surpresas. Espero que desta vez o Liverpool saia na frente do marcador. É necessário parar o Kaká e o Gennaro Gattuso, mas Benítez vai acertar novamente".