Análise às finais das provas de clubes de 2026
segunda-feira, 8 de junho de 2026
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A equipa de desenvolvimento de treinadores da UEFA reflecte sobre a final da UEFA Champions League, UEFA Women's Champions League, UEFA Europa League e UEFA Conference League.
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A final de cada uma das competições de clubes seniores da UEFA sublinharam o quão desafiante, embora gratificante, é acompanhar o ritmo do futebol de elite – e, para os melhores profissionais, antecipá-lo.
Em termos de formação de treinadores, o objectivo da Convenção de Treinadores da UEFA é garantir que a UEFA e o futebol europeu estão sempre na vanguarda quando se trata de alcançar a excelência no desenvolvimento dos jogadores. Isto significa garantir formadores de qualidade e competentes a todos os níveis, ao mesmo tempo que actualizam continuamente os sistemas de formação de treinadores e os padrões de formação.
Parte deste compromisso é promover a aprendizagem baseada na realidade, que envolve uma acumulação diária de experiências vividas, conhecimento, compreensão e competências que complementam os métodos de aprendizagem mais formais e o desenvolvimento profissional contínuo (DPC).
De acordo com Kris Van Der Haegen, Responsável pelo Desenvolvimento de Treinadores da UEFA, o objectivo da aprendizagem baseada na realidade é "garantir que o treinador é o melhor professor de si mesmo". A esse propósito, disse: "Uma maneira é assistir a jogos concentrando-se nas exigências do jogo no presente. Quando o treinador assume a responsabilidade pela sua própria aprendizagem o seu ensino e o seu treino tornam-se mais eficazes".
A UEFA oferece oportunidades de aprendizagem informal através de análises neste site. Muitos treinadores também devem ter recolhido impressões ao assistir às finais das principais competições de clubes, onde um tema comum foi encontrar soluções em espaços reduzidos. Van Der Haegen observou: "Quando as equipas estão a encurtar os espaços, é crucial encontrar soluções e progredir de espaços reduzidos para espaços amplos".
***VIDEO 1: Small spaces to big spaces
O termo "verticalidade" define uma forma de ultrapassar o bloqueio técnico, e o primeiro clip do vídeo mostra o Paris Saint-Germain a jogar "verticalmente" na final da UEFA Champions League. Khvicha Kvaratskhelia acorre a um passe e arranca em velocidade a partir do meio-campo, entrando numa situação de 3-contra-3 que abrange metade do campo. Da mesma forma, o Aston Villa jogou a partir de espaços reduzidos para atacar os espaços nas costas da defesa na final da UEFA Europa League. Após recuperar a bola, basta um passe do Villa para sair da pressão e lançar o incansável Ollie Watkins para a segunda metade do campo.
O golo do Crystal Palace na final da UEFA Conference League começa com uma mudança de flanco, da direita para a esquerda, com a "diagonal" que serve para escapar à pressão a ter origem no passe de Daichi Kamada, permitindo a Adam Wharton avançar. Ainda mais ousada foi a forma como o Barcelona sai da pressão na final da UEFA Women's Champions League. Após uma interceção, o jogo torna-se mais curto – 3-contra-2 ou 2-contra-2 – e graças a Patri Guijarro o Barcelona tem a qualidade necessária para emergir e explorar os espaços mais amplos.
"A velocidade com que os aspectos técnicos são executados é muito maior, ao passo que o tempo e o espaço para operar são muito menores, pelo que saber o que fazer com a bola em espaços reduzidos é fundamental. Existem três formas de sair da pressão: passe vertical, passe diagonal ou condução de bola".
Van Der Haegan explicou detalhadamente o trabalho de treino envolvido na assistência de Patri para o golo de Ewa Pajor: "Vê-se o timing perfeito, a qualidade perfeita do passe, o primeiro toque, a aceleração e a finalização. Estes pormenores fazem a diferença".
O foco de Jozef Záhorský, responsável pela Formação Sénior de Treinadores da UEFA, é ajudar os treinadores a desvendar, reconhecer e implementar estas camadas extra nos seus treinos. Sobre isto, disse: "O jogo é o melhor professor para os treinadores, e é nossa responsabilidade oferecer e desenvolver competência em cursos de formação, desenvolvimento profissional contínuo (DPC) e também através da aprendizagem informal".
Os treinadores aplicarão a sua aprendizagem baseada na realidade ao transmitirem conhecimento aos jogadores utilizando o ensino baseado na realidade. "Em termos de desenvolvimento da compreensão do jogo, acreditamos que o jogo é o melhor professor", confirmou Záhorský.
Princípios de treino: espaços reduzidos
• Após recuperar a bola, ter em atenção para quem será o primeiro passe (ao sair da pressão):, para os extremos, os avançados ou com outro jogador pelo meio; para o pé ou para o espaço vazio?
• Estar ciente do espaço – espaços diagonais ou espaços verticais
No que toca a elaborar sessões como os exercícios aqui apresentados, as exigências do jogo devem ter prioridade. Phil Church, responsável pela Formação Sénior de Treinadores na Federação Inglesa de Futebol, citou o "realismo, relevância, repetição e o resultado final" como critérios, explicando: "É importante manter a 'realidade', recriando momentos dos jogos e tentando ver, na perspectiva do jogador, o que é necessário".
Princípios de treino: espaços alargados
• Os avançados em espaços amplos devem ocupar boas posições, estando disponíveis para receber o passe (tão recuados quanto necessário, tão adiantados quanto possível)
• Pensar em "avançar rapidamente" – ritmo acelerado
• Servir de apoio a incursões ofensivas
• Terminar a jogada
A experiência do jogador é vital: a convenção prioriza o bem-estar e o desenvolvimento holístico dos jogadores e forma os treinadores de acordo com isso. Os detentores do diploma Elite Youth A têm a tarefa de supervisionar cuidadosamente a transição do futebol juvenil de elite para o futebol profissional.
Isto é especialmente relevante tendo em conta os jovens que actuaram no meio-campo nas finais de clubes: Johan Manzambi (20 anos, Freiburg), Lily Yohannes (18 anos, OL Lyonnes), Adam Wharton (22 anos, Crystal Palace) e Myles Lewis-Skelly (19 anos, Arsenal). Neles estavam depositadas elevadas exigências, às quais corresponderam de forma impressionante. A título de exemplo, Lewis-Skelly demonstrou uma enorme adaptabilidade naquele que foi apenas o seu segundo jogo na Champions League como médio-centro.
Nora Häuptle, Perita de Desenvolvimento de Jogadoras da UEFA, destacou os "aspectos físicos, qualidade técnica, capacidade de actuar de área a área, explosividade, capacidade cognitiva e tomada de decisão" deste quarteto, que surge no próximo vídeo, referindo: "Estamos a ver muito jovens a destacarem-se no meio-campo. Para os treinadores, é importante saber que um jogador de 18 anos e outro de 30 requerem uma forma de treinar diferente".
***VIDEO 2: Young players in club finals
Em termos práticos, o curso Elite Youth A propõe sessões de treino orientadas para o jogo que antecipam futuros adversários, pressão e intensidade, além de ligar treinos e jogos através de uma aprendizagem baseada na realidade.
No entanto, o desenvolvimento bem-sucedido dos jovens jogadores exige algo mais amplo e estratégico: tal como o aspirante a médio precisa de uma visão abrangente, de 360 graus, no calor da acção, também um treinador precisa de uma abordagem abrangente e de uma equipa de apoio bem estruturada.
"Deve existir um especialista em desenvolvimento individual de jogadores – um ‘treinador de transição’ – alguém que cuide destes jovens e seja responsável por prepará-los para jogarem mais minutos", aconselhou Van Der Haegen.
O caminho para o futebol profissional está repleto de potenciais perigos. As exigências físicas do futebol profissional superam as do futebol juvenil, sendo fundamental a capacidade de competir em velocidade, força e duelos individuais. A sobrecarga de jogos é um risco óbvio, uma vez que os jovens jogadores ainda não estão totalmente desenvolvidos fisicamente. "Quanto tempo têm realmente para treinar e se tornarem melhores jogadores?", questionou Van Der Haegen.
A ideia de um treinador de transição monitorizar a gestão de carga física é consistente com uma situação em que os treinadores individuais – e os planos de desenvolvimento individual (PDI) – se tornam comuns. "Enquanto o treinador principal tenta ganhar jogos, acredito que os clubes vão começar a atribuir a responsabilidade de trabalhar com todos os jogadores nos PDI, porque assim o valor do plantel aumenta", disse Church.
Sem dúvida que o factor mais importante para o desenvolvimento de um jogador é o tempo de jogo ao mais alto nível. O cenário actual, em que as equipas jogam a cada três ou quatro dias, aumenta a importância de planos e trajectórias de desenvolvimento de jogadores cuidadosamente elaborados, que abordem diferentes cenários, seja a transição precoce para a equipa principal, ainda dentro do clube, ou através de um empréstimo.
Os jogadores precisam de conhecer os padrões e a cultura em que estão a entrar, incluindo comportamentos aceitáveis, ritmo de trabalho e concentração. Para um treinador, é essencial construir relações com os jogadores para saber se têm a confiança necessária, bem como a humildade para prosperar no ambiente.
Manzambi, do Freiburg, é um exemplo de um jogador que se destacou numa cultura de clube específica. "Um jogador como Manzambi, oriundo dos escalões de formação do Freiburg, recebe muita responsabilidade", disse Van Der Haegan. "Será que o perfil do jogador se enquadra na cultura do clube?" É mais fácil para um jogador jovem rodeado de estrelas e jogadores mais experientes ter um "papel secundário", acrescentou Van Der Haegen. "Noutros clubes, pode ser mais fácil tornar-se logo um líder".
Participantes
Nora Häuptle
Perita de Desenvolvimento de Jogadoras da UEFA e seleccionadora da Zâmbia
Kris Van Der Haegen
Responsável pela Formação de Treinadores da UEFA
Jozef Záhorský
Responsável pela Formação Sénior de Treinadores da UEFA
Phil Church
Responsável pela Formação Sénior de Treinadores na Federação Inglesa de Futebol