Análise do desempenho na Conference League: a fórmula vencedora do Crystal Palace
sábado, 30 de maio de 2026
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Os Observadores Técnicos da UEFA, Jan Peder Jalland e Rui Faria, analisam os detalhes da vitória do Crystal Palace na final da UEFA Conference League contra o Rayo Vallecano.
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"Todos os pormenores – ele é muito meticuloso na sua análise antes de cada jogo. Ele analisa o adversário inúmeras vezes e sabia que eles iam ser difíceis, mas tínhamos um plano de jogo e mantivemo-nos fiéis a ele."
A reputação de Oliver Glasner nunca esteve tão em alta desde que o Crystal Palace venceu a final da UEFA Conference League e forma como conquistaram a vitória valeu-lhe os elogios acima referidos por parte do médio Adam Wharton.
Neste artigo, o Grupo de Observadores Técnicos da UEFA, em colaboração com a unidade de análise de jogos da UEFA, analisa em profundidade os factores que permitiram ao clube inglês conquistar o seu primeiro troféu europeu.
Posse de bola, posicionamento e jogo no meio-campo
Como o Melhor em Campo, Wharton, certamente concordaria, tudo se resumiu aos detalhes, a começar pela estratégia do Palace na posse de bola, pelo seu posicionamento e pelo desempenho dos seus dois médios-centro.
Em Leipzig, a configuração táctica resultante da abordagem defensiva do Rayo Vallecano proporcionou espaço ao Palace no seu flanco esquerdo, que a equipa procurou explorar quer com o defesa-central esquerdo Chadi Riad a avançar com a bola para essa zona, quer com o parceiro de Wharton no meio-campo, Daichi Kamada, a abrir para receber a bola.
A exploração da ala esquerda pelas Águias fazia parte do plano de jogo de Glasner, que incluía movimentos coordenados dentro da disposição habitual do Palace. "Já vi jogos suficientes do Palace e, normalmente, os números 6 não abrem para as alas", confirmou o Observador Técnico da UEFA, Jan Peder Jalland. "Normalmente, não têm tanta fluidez. Estavam a abrir esse espaço para depois o utilizarem."
O vídeo de abertura apresenta dois exemplos de como a equipa lidou com a pressão exercida pelos quatro avançados do Rayo; as imagens demonstram a consistência da estrutura, a compreensão do espaço e a familiaridade com as posições de uma equipa bem treinada. "O Palace adaptou-se aos espaços concedidos pelo Rayo, mantendo-se, em grande parte, fiel à sua estrutura", afirmou o Observador Técnico da UEFA, Rui Faria.
No que diz respeito ao golo, assim que o Palace conseguiu ultrapassar a pressão dos quatro avançados adversários, teve a oportunidade de criar jogadas a partir da defesa. Ao receber um passe de Kamada, Wharton tomou a iniciativa com uma arrancada para a frente que demonstrou uma enorme determinação e vontade, e aproveitou o facto de os defesas do Rayo estarem ocupados com os avançados do Palace. "Wharton teve liberdade para avançar com a bola e rematar", afirmou Jalland.
"O Adam e o Daichi jogaram muito, muito bem, porque sabíamos que eles nos iriam pressionar com um jogador a menos para manter uma vantagem de um jogador na defesa, e depois a questão era: 'Com que rapidez conseguimos mudar de lado?'"
Se a interacção entre os dois números 6 foi fundamental para o sucesso do Palace, a próxima sequência de vídeo centra-se na forma como actuaram, destacando a variedade dos seus passes e progressões. Era frequente ver um passe lateral seguido de um passe para a frente que rompia uma linha defensiva e chegava aos avançados ou aos laterais.
As trocas de passes entre a dupla do meio-campo foram especialmente frequentes e, contra o Rayo, trocou a bola 12 vezes. "Se conseguirmos estabelecer esta ligação entre bons jogadores, obtemos progressão e penetração de alto nível", afirmou Jalland. "Com a sua visão de jogo e capacidade de transição, constituíam o pacote completo."
Além disso, o gráfico ilustra os passes para a frente registados por ambos os jogadores, com 22 para Wharton (que também realizou o maior número de passes que terminaram no último terço do campo, 18) e 13 para Kamada.
O Rayo tinha ficado limitado a apenas dois remates na primeira parte, e nunca iria ter facilidades para ultrapassar a formidável linha defensiva de cinco jogadores da equipa da Premier League depois de o golo de Jean-Philippe Mateta, aos 51 minutos, lhes ter dado uma vantagem para defender. A estatística final de que sete dos dez remates do Rayo foram forçados a ser efectuados de fora da área confirmou a avaliação do avançado Jorge De Frutos: "O Palace é uma equipa de topo. Não tem qualquer problema em jogar com um bloco defensivo baixo."
A terceira parte do vídeo demonstra a eficácia com que funcionou a linha defensiva do Palace, deslocando-se pelo campo enquanto os três avançados e os dois médios-centro bloqueavam o meio-campo e criavam uma base para a transição.
No primeiro vídeo, vale a pena destacar a rotação entre Daniel Muñoz e Tyrick Mitchell, em que um lateral avança para pressionar quando a bola está no seu lado, enquanto o lateral oposto recua para manter a linha de quatro na defesa.
Sem espaço de passagem
De um modo mais geral, os jogadores de Iñigo Pérez tiveram dificuldades em lidar com a força e o jogo físico do Palace. "Não conseguimos encontrar aquela penetração, aquela energia, aquela fluidez que costumamos ter", admitiu o treinador do Rayo.
O Observador Técnico Jalland explicou: "A força física do Palace fez toda a diferença, tanto com a bola como sem ela. Conseguiram impor-se e tirar partido da sua força física. A defesa do Palace foi fundamental para a vitória na final."
Esses sentimentos foram partilhados por Glasner: "Defendemos muito bem", disse, depois de uns 15 minutos "incríveis" logo após o intervalo. E continuou: "É isto que considero ser o meu trabalho: conseguir que todos estejam em sintonia com a forma como jogamos, com a forma como defendemos, com a forma como atacamos e com a mentalidade que temos."
No fim de contas, foi demasiado para a equipa espanhola.
Foco no treino: jogar pelo centro
A ligação no meio-campo entre Wharton e Kamada pôs em evidência várias questões, incluindo o ênfase no avanço da bola, a forma como se complementavam como dois números 6 e os diferentes ângulos que criavam. Para os treinadores, isso também levantou a questão de como se preparar da melhor forma para a batalha táctica que se desenrola no meio-campo – e, mais precisamente, como treinar os números 6 para alcançarem os números 10. Para Jan Peder Jalland, a resposta é um exercício de treino de "jogo pelo centro" numa estrutura 3+2, que pode ser partilhado com treinadores de todos os níveis.
"A primeira ideia foi a de construir a posse de bola com um sentido de direcção", explicou Jalland. "Para muitos treinadores jovens, é importante mostrarmos que isso se faz com um sentido de direcção, com intenção. Essa é a chave aqui: a percepção do jogo, a visão de futuro, os ângulos, a distância e também o facto de a pressão variar, o espaço se abrir e 'Onde está o jogador livre?'"
O exercício começa como uma situação de 5 contra 4, mas pode ser ampliado para 7 contra 6.
"No contexto da final da Conference League, as cinco camisolas vermelhas dentro da área representam a linha defensiva de três do Crystal Palace, mais os dois médios-defensivos (nº 6), pelo que o objectivo do exercício é movimentar a bola dentro da área destacada, explorar diferentes ângulos e encontrar os dois médios centrais", continuou Jalland. "Em seguida, os médios defensivos (nº 6) têm de passar a bola verticalmente para os espaços representados por duas pequenas balizas. Um passe de primeira para a baliza vale dois pontos; se forem necessários dois, três ou mais toques, vale um ponto."
"A variante 7 contra 6, de maior dimensão, exige a introdução de dois números 10 e de uma linha de dribles, uma vez que o objectivo passa a ser jogar entre as linhas – passes rápidos, condução da bola e penetração."
"Por isso, cabe aos jogadores número 10 entrarem na área adversária, driblando pela linha vermelha, para ganhar um ponto."
Jan Peder Jalland, seleccionador Sub-21 da Noruega, começou a carreira de treinador aos 24 anos, tendo passado uma década no Stabæk antes de ingressar na Federação Norueguesa de Futebol em 2019. Após treinar várias selecções jovens, assumiu o comando dos Sub-21 em 2023.
Rui Faria trabalhou como adjunto de José Mourinho, tendo conquistado a Taça UEFA e a UEFA Champions League no Porto, vários títulos nacionais com o Chelsea e o Real Madrid, a Champions League de 2009/10 pelo Inter e, posteriormente, a Europa League de 2016/17 ao serviço do Manchester United.