Licenciamento de clubes mostra o seu valor
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
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Portugal acolheu o "workshop" anual de Licenciamento de Clubes e "Fair Play" Financeiro da UEFA, centrado nos desenvolvimentos em trazer estabilidade ao futebol europeu de clubes.
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O desenvolvimento contínuo do licenciamento de clubes no futebol europeu, incluindo as medidas de "fair play" financeiro, integrou parte da agenda do "workshop" anual de Licenciamento de Clubes e "Fair Play" Financeiro da UEFA, realizado em Portugal.
Delegações das 54 federações-membro da UEFA viajaram até Cascais para efectuarem uma análise alargada sobre os mais recentes desenvolvimentos no licenciamento de clubes. O evento serviu igualmente para lançar um olhar sobre o futuro, à medida que a tentativa para trazer estabilidade financeira ao futebol europeu de clubes ganha ímpeto, como resultado das políticas de "fair play" financeiro introduzidas pelo organismo gestor europeu.
O presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Fernando Gomes, recebeu os 120 participantes e expressou a visão de que, tanto a expansão do licenciamento de clubes nacional, como os recentes dados financeiros de clubes publicados, foram sinais de que as finanças do futebol estão a caminhar na direcção certa, graças a um esforço conjunto.
"Nos últimos três anos, a UEFA construiu sucesso com os seus regulamentos de 'fair play' financeiro", disse no "workshop". "Os clubes fizeram esforços que vão conferir mais sustentabilidade e racionalidade às suas finanças. É tempo de trabalhar em conjunto e alcançar o objectivo de um ambiente sustentável para os clubes e o futebol europeu."
"Nos estádios, sentimos a crise económica e financeira que se vive na Europa, e a solução para o problema é uma rigorosa autoregulação financeira", acrescentou. "O licenciamento de clubes e o 'fair play' financeiro não são tão fáceis como marcar um golo, mas são essenciais para a sustentabilidade do futebol."
Entre os outros oradores do primeiro dia incluíram-se o presidente do Comité de Controlo Financeiro da UEFA (CFCB), José Cunha Rodrigues, que recebeu com agrado o "fair play" financeiro pelos "princípios definidos de financiamento", e falou da necessidade de preservar e desenvolver ainda mais a administração de justiça desportiva na área do licenciamento de clubes e controlo financeiro. O CFCB é o Órgão da UEFA para a Administração de Justiça. Também é competente para impor medidas disciplinares no caso de incumprimento dos requisitos de licenciamento de clubes, e para decidir em casos relacionados com a elegibilidade de clubes para as competições da UEFA.
Interacção e diálogo foram cruciais no êxito do "workshop". Casos práticos reais, abrangendo assuntos específicos de licenciamento, foram apresentados durante o segundo dia da conferência por delegados de Holanda, Suíça e País de Gales, seguidos por sessões de perguntas e respostas envolvendo as delegações de licenciamento das federações. As actividades de licenciamento e ambiente futebolístico do anfitrião Portugal também foram apresentadas em detalhe.
Os mais recentes desenvolvimentos e avanços relacionados com os oficiais de apoio aos adeptos (SLOs) foram debatidos, com a realização de progresso considerável no futebol de clubes. Sob o Artigo 35 dos Regulamentos de Licenciamento de Clubes e "Fair Play" Financeiro da UEFA, foi pedido aos clubes europeus para nomearem um elemento que assegure o diálogo adequado com os respectivos adeptos – destacando a importância que a UEFA atribui ao diálogo entre clubes e adeptos.
A temática dos adeptos com deficiência também foi debatida. A UEFA trabalha em conjunto com o CAFE (Centro para o Acesso ao Futebol na Europa) de modo a garantir que tantos adeptos com deficiência quanto possível possam assistir a jogos, sendo um tópico cuja inclusão em futuros regulamentos de licenciamento está a ser considerado.
Os trabalhos no terceiro e último dia focaram-se principalmente em áreas técnicas relacionadas com petições de equilíbrio – em particular, a avaliação de valor justo – e uma apresentação interactiva do mais recente relatório de referência, intitulado "Licensed to thrill", que destacou as tendências nos clubes que figuram nas competições da UEFA.
Por último, mas não menos importante, Umberto Lago, membro da câmara investigatória do Comité de Controlo Financeiro dos Clubes, resumiu as actividades do organismo ao longo dos últimos dois anos, sublinhando que esta câmara reúne-se actualmente, pelo menos, com regularidade mensal. A sessão, largamente apreciada por todos os participantes, ofereceu uma visão esclarecedora sobre os princípios-base e abordagem da câmara investigatória. Lago destacou que "trabalham imbuídos de espírito cooperativo para guiar os clubes até à saúde financeira, ao mesmo tempo que se tentam resolver os problemas antes de enviar os dossiers dos clubes para a câmara adjudicatória da CFCB, quando são detectados alegados incumprimentos nos regulamentos".
A conferência terminou com o director da unidade de licenciamento de clubes e "fair play" financeiro da UEFA, Andrea Traverso, a enfatizar a natureza única da estratégia de licenciamento de clubes e "fair play" financeiro, bem como a vasta riqueza de experiência acumulada na UEFA e nas redes de licenciamento de clubes nacional das suas 54 federações ao longo da primeira década.
Este reservatório de experiência foi uma evidência ao longo do workshop, e foi dado reconhecimento especial aos mais de 30 participantes que têm sido presença assídua no projecto desde o seu lançamento, há uma década. A pausa para reflexão foi merecida, com o projecto a manter o seu ritmo de desenvolvimento, incluindo a primeira avaliação, nos próximos 12 meses, dos requisitos da regra de equilíbrio do "fair play" financeiro. Promete ser mais um ano agitado.