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Recuperações memoráveis na Taça UEFA

Publicado: Sexta-feira, 4 de Abril de 2014, 17.30CET
Nenhuma equipa recuperou de três golos de desvantagem numa eliminatória da Europa League, mas podem acontecer coisas incríveis nesta competição.
Recuperações memoráveis na Taça UEFA
Clint Dempsey (à esquerda) é felicitado pelos colegas depois de apontar o inesquecível golo com que deu o apuramento ao Fulham, frente à Juventus ©Getty Images
 
 
Publicado: Sexta-feira, 4 de Abril de 2014, 17.30CET

Recuperações memoráveis na Taça UEFA

Nenhuma equipa recuperou de três golos de desvantagem numa eliminatória da Europa League, mas podem acontecer coisas incríveis nesta competição.

O cenário não é animador para o Valencia CF antes da segunda mão dos quartos-de-final, frente ao FC Basel 1893, já que nenhuma equipa recuperou de uma desvantagem de três golos trazida da primeira mão da UEFA Europa League. No entanto, como o UEFA.com descobriu, uma derrota no primeiro jogo não significa necessariamente um desastre nesta competição.

1975/76, segunda eliminatória
Ipswich Town FC 3-0 Club Brugge KV
Club Brugge KV 4-0 Ipswich Town FC
"Será um milagre se conseguirmos marcar quatro golos sem o Ipswich marcar nenhum", afirmou Georges Leekens, então defesa do Club Brugge e, mais tarde, seleccionador belga, depois de ver a sua equipa siar de Inglaterra com uma derrota por 3-0, na primeira mão. Mas o tal milagre aconteceu mesmo.

A formação belga entrou em campo a todo o gás e ao fim de meia-hora de jogo na partida da segunda mão já vencia por 2-0, graças a golos de Raoul Lambert e Daniël De Cubber. Depois, Ulrik Le Fèvre aproveitou uma recarga para restabelecer a igualdade na eliminatória ainda antes do intervalo e, embora a equipa orientada por Ernst Happel tenha mantido sempre o ascendente no jogo, teve de esperar até dois minutos do apito final do segundo tempo pelo quarto golo, que carimbou o triunfo na eliminatória. O seu autor foi outro futuro seleccionador da Bélgica, René Vandereycken, que de cabeça deu o melhor seguimento a um cruzamento de Le Fèvre, quebrando os corações dos jogadores do Ipswich e selando aquele a que Lambert chamou o jogo mais memorável da sua carreira. "O nosso melhor jogo foi na final, contra o Liverpool, em Anfield, mas o encontro ante o Ipswich foi, sem dúvida, o mais espectacular".

1984/85, segunda eliminatória
Queens Park Rangers FC 6-2 FK Partizan
FK Partizan 4-0 Queens Park Rangers FC ((Partizan apurado graças aos golos fora)
A jogar em Highbury, no estádio do Arsenal FC, em vez de no seu habitual Loftus Road, o QPR não acusou o ambiente menos familiar. Embora se tenha visto a perder por 2-1 a certa altura, e mesmo encontrando-se reduzida a dez elementos, a turma londrina recuperou e acabou por vencer por 6-2, com Gary Bannister a exibir-se a grande altura e a bisar na partida. Porém, não foi suficiente. O treinador do QPR, Alan Mullery, já tinha vivido uma experiência menos feliz diante de adversários jugoslavos, 16 anos, quando se tornou no primeiro internacional inglês a ver um cartão vermelho com a camisola da sua selecção, frente à Jugoslávia. E, desta feita, vviu a sua equipa abrir mão, em Belgrado, da vantagem de quatro golos que levava na bagagem, acabando eliminada devido aos golos fora. Mullery não durou muito mais tempo ao leme do QPR.

Zvonko Živković, médio do Partizan, autor de uma assistência e do decisivo quarto golo no segundo jogo, tinha regressado do serviço militar obrigatório apenas três dias antes do encontro, mas sentiu que esse foi um grande momento para si e para os seus colegas. "Depois de um longo período afastado do futebol vi-me num estádio perante 50 mil espectadores", recordou. "Sentimos a emoção que envolvia o encontro e acreditávamos que, juntos, podíamos dar a volta à eliminatória e seguir em frente. Não é justo destacar alguém individualmente num jogo como aquele. Enquanto equipa alcançámos algo de notável. Esse jogo foi, sem dúvida, um momento marcante das nossas carreiras".

1985/86, terceira eliminatória
VfL Borussia Mönchengladbach 5-1 Real Madrid CF
Real Madrid CF 4-0 VfL Borussia Mönchengladbach (Real Madrid apurado graças aos golos fora)
Totalmente gelado, 15 dias antes, pelas temperaturas negativas da Alemanha, a missão do Real Madrid na segunda mão frente a um Borussia Mönchengladbach orientado por Jupp Heynckes era ainda mais complicada perante a ausência dos castigados Hugo Sánchez, Rafael Gordillo e Chendo, bem como do lesionado Manuel Sanchís. Contudo, a turma madrilena teve um arranque de jogo perfeito e viu Jorge Valdano colocá-la a vencer por 2-0 ao fim de apenas 18 minutos de jogo. O ritmo dos "Merengues", porém, abrandou e, com apenas quinze minutos para jogar, a recuperação parecia destinada a não se consumar, mas Santillana tinha outras ideias.

O avançado marcou dois golos nos derradeiros 14 minutos, o segundo dos quais no minuto 89, e colocou o Real na eliminatória seguinte, numa caminhada que só terminaria com a derrota na final, diante do 1. FC Köln. "Foi um feito digno de ficar na história do futebol espanhol", salientou Juanito, atacante do Real. "Disputei dois Campeonatos do Mundo e conquistei vários títulos pelo Real Madrid, mas a recuperação alcançada nessa noite foi brutal. Foi uma das melhores noites da minha vida".

1987/88, terceira eliminatória
Budapest Honvéd FC 5-2 Panathinaikos FC
Panathinaikos FC 5-1 Budapest Honvéd FC
O Panathinaikos estava em alta, após ter afastado a Juventus na ronda anterior, mas três semanas depois da histórica vitória que tinha obtido em Turim a turma grega viu-se claramente batida em Budapeste. O Honvéd chegou aos 5-0 em 63 minutos, com Kálmán Kovács a marcar por quatro vezes e Imre Fodor a assinar o outro golo. Dimitris Saravakos viria a marcar dois golos que, na altura, pareciam ser de mera consolação, mas que viriam a ser decisivos quinze dias duas. Apesar da derrota por 5-2 na Hungria, 75 mil espectadores encheram por completo o Estádio Olímpico de Atenas para o jogo da segunda mão, esperançados num milagre.

Motivados pelo ruidoso apoio dos seus adeptos, o Panathinaikos precisou de apenas 55 minutos para anular a desvantagem trazida do primeiro jogo. Vangelis Vlachos bisou antes do intervalo e Kostas Antoniou fez o 3-0. József Fitos reavivou as esperanças do Honvéd, mas Kostas Mavridis e Kostas Batsinilas confirmaram a reviravolta na eliminatória, para gáudio do público. "Fomos cilindrados em Budapeste por um jogador baixinho de nome Kovács, que marcou quatro golos", recordou o então treinador do Panathinaikos, Vasilis Daniil. "Por isso, em Atenas, em vez de voltar a colocar em campo o meu melhor defesa, Giannis Kallitzakis, que era muito alto, decidi sacrificá-lo e apostar em Lakovos Chatziathanasiou, porque ele tinha uma estatura física mais baixa, e acabou por resultar".

1987/88, final
RCD Espanyol 3-0 Bayer 04 Leverkusen
Bayer 04 Leverkusen 3-0 RCD Espanyol (Leverkusen vence 3-2 no desempate por penalties)
A presença de dois clubes que se estreavam em finais europeias sugeria que se iria assistir a um embate equilibrado, mas o Espanyol parecia caminhar tranquilamente para vencer a final, então disputada a duas mãos, depois de vencer por 3-0 em Espanha, no primeiro jogo, graças a dois golos de Roberto Losada e um de Miguel Soler. E, com 45 minutos jogados da segunda mão, a vantagem de três golos da turma espanhola mantinha-se. A formação de Javier Clemente parecia ter já uma mão no troféu.

Mas o Leverkusen tinha lido um guião diferente. Milton Tita, Falko Götz e Cha Bum-kun marcaram no espaço de uns intensos primeiros 25 minutos do segundo tempo, levando a decisão do vencedor para um inesperado prolongamento. Acabou mesmo por ser necessário recorrer ao desempate por pontapés da marca de grande penalidade, no qual o Espanyol chegou a ter uma vantagem de 2-0. Só que, de seguida, o guarda-redes do Leverkusen, Rüdiger Vollborn, defendeu três penalties consecutivos e a sua equipa obteve um triunfo memorável. "Estou em êxtase por podermos celebrar esta vitória", afirmou o treinador do Bayer, Erich Ribbeck. "É um dos maiores momentos dos 84 anos de história deste clube. Penso que esta final estava destinada a ser decidida nos penalties. Agora estamos autenticamente no paraíso".

2009/10, oitavos-de-final
Juventus 3-1 Fulham FC
Fulham FC 4-1 Juventus
Esperava-se que o Fulham deita-se a toalha ao chão depois de perder por 3-1 em Turim. E, quando David Trezeguet colocou os "Bianconeri" na frente do marcador na segunda mão, em Craven Cottage, ao fim de apenas dois minutos de jogo, a turma orientada por Roy Hodgson parecia, em definitivo, condenada à eliminação. Contudo, Bobby Zamora respondeu pouco depois e fez o 1-1. A expulsão de Fabio Cannavaro ainda dentro da primeira meia-hora de jogo deu novo ímpeto ao Fulham, que ainda assim necessitava de mais dois golos sem resposta para, pelo menos, levar a decisão da eliminatória para prolongamento.

Though Zoltán Gera marcou o primeiro desses dois golos pouco antes do intervalo e o segundo logo após o reatamento. Mas a partir daí a Juve mostrou-se determinada a não voltar a ceder, até que um lance de génio de Clint Dempsey, a oito minutos do apito final, quebrou a resistência da turma italiana. "Quando recebi a bola fiquei a pensar se devia rematar ou tentar colocá-la ao segundo poste, mas depois passou-me pela cabeça tentar fazer o chapéu", recordou Dempsey. "E foi o que tentei. Acho que nove em cada dez vezes não teria tocado a bola tão bem como o fiz e não teria resultado".

Última actualização: 04-04-14 20.58CET

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http://pt.uefa.com/uefaeuropaleague/news/newsid=1921188.html#recuperacoes+memoraveis+taca+uefa

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