Women's EURO 2025: Andrea Soncin sobre as ambições italianas e o que o futebol feminino lhe ensinou
segunda-feira, 30 de junho de 2025
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Desconhecedor do futebol feminino quando assumiu o comando da Itália, Andrea Soncin diz que agora "não trocava a selecção por nada", enquanto prepara a equipa para o Women's EURO 2025.
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Andrea Soncin admite que estava a entrar em território desconhecido quando em Setembro de 2023 aceitou o cargo de seleccionador da Itália. Após quase três décadas envolvido no futebol, os olhos do antigo avançado abriram-se para o "belo mundo" do futebol feminino.
À medida que a Itália se prepara para a estreia no UEFA Women's EURO 2025, frente à Bélgica, na quinta-feira, o técnico de 46 anos fala sobre as lições aprendidas, os adversários no Grupo B e a capacidade de ligação da sua equipa.
Sobre o que aprendeu em dois anos como seleccionador da seleção feminina italiana
Quando esta oportunidade surgiu, agarrei-a com as duas mãos. Descobri um mundo maravilhoso, feito de relações genuínas e ligações puras, cheio de determinação e uma disponibilidade incrível por parte de algumas raparigas fantásticas. É um mundo com o qual não estava familiarizada; agora, neste momento, não o trocaria por nada. Estou profundamente grata às meninas que estiveram connosco nesta caminhada. Agora, quero que atinjamos o nosso potencial.
Sobre a frase "isto não é futebol feminino; isto é futebol"
Essa frase vem de alguém que, até há poucos anos, não conhecia o futebol feminino e, como muitos em Itália, ainda é influenciado por estereótipos e preconceitos. Ainda há muitos estereótipos a combater.
Não é justo comparar o futebol masculino e o futebol feminino; devemos falar apenas de futebol. Como treinador, é preciso considerar as características específicas que é preciso desenvolver e treinar. Podemos fazer com que as famílias compreendam que as raparigas e as jovens mulheres devem ser apoiadas na sua paixão, independentemente do género.
Sobre o que torna esta equipa especial
O termo "trabalho de equipa" é frequentemente utilizado em excesso. Por trabalho de equipa refiro-me à capacidade de nos conectarmos fora de campo e depois trazer essas relações para o relvado. Isso permite encontrar soluções rapidamente durante um jogo, seja quando temos a bola ou quando a estamos a tentar recuperar em conjunto o mais rapidamente possível. Para fazer isso, os factores determinantes são a qualidade e a determinação das raparigas.
Sobre os duelos com Bélgica, Portugal e Espanha na fase de grupos
São três equipas muito diferentes. Obviamente, estamos a concentrar-nos mais no primeiro adversário, a Bélgica. Tem algumas jogadoras muito boas que jogaram, ou jogam, no campeonato italiano; enquanto as restantes também jogam ao mais alto nível na Europa, como a [Tessa] Wullaert. Tem um estilo de jogo muito moderno e respeito-as muito, mas ainda assim acredito que temos a qualidade e a força necessárias para vencer.
Portugal é uma equipa muito intensa e muito boa na recuperação. Algumas das suas jogadoras são bastante rápidas e esse é o seu principal ponto-forte, o de avançarem rapidamente para o ataque. Também tem várias jogadoras a competir em ligas de topo, incluindo os Estados Unidos.
Também conhecemos muito bem a Espanha. É a campeã mundial e enfrentámo-la algumas vezes nos últimos dois anos. Também mostrámos que a podemos vencer e estamos muito familiarizados com os seus pontos fortes e fracos, bem como as jogadoras que geralmente são utilizdas.
Sobre ser apelidado de "sonhador" pela guarda-redes Laura Giuliani
Gosto do termo, e embora eu seja muito prático e difícil de entusiasmar, também gosto de sonhar. Quando incentivo as raparigas a desafiarem e vencerem equipas que achavam invencíveis, é porque acredito que elas conseguem. Não sei até onde vamos chegar nesta competição, mas tenho a certeza de que a equipa será corajosa e confiante, disputando cada jogo da melhor forma que soubermos. Depois veremos até onde isso nos leva.