Entrevista com Pedro Martins

Falámos com o treinador Pedro Martins antes da estreia do Olympiacos no Grupo F da UEFA Europa League, frente ao Bétis, na quinta-feira.

Pedro Martins é o quinto treinador português do Olympiakos em seis anos depois de Leonardo Jardim, Vítor Pereira, Marco Silva e Paulo Bento
Pedro Martins é o quinto treinador português do Olympiakos em seis anos depois de Leonardo Jardim, Vítor Pereira, Marco Silva e Paulo Bento ©AFP/Getty Images

A viver a primeira experiência no estrangeiro aos 48 anos, Pedro Martins lidera o projecto do Olympiacos para recuperar a hegemonia do futebol na Grécia, depois de na época passada o clube não ter conseguido, pela primeira vez em sete anos, conquistar o título.

Após o começo fulgurante com seis vitórias e um empate em sete jogos (19-3 em golos) divididos entre a Liga helénica e a Europa, falámos com o antigo treinador de Marítimo, Rio Ave e Vitória de Guimarães antes de defrontar o Bétis, em casa, no arranque do Grupo F da UEFA Europa League, na quinta-feira (20h00 em Lisboa).

O Olympiacos festeja o apuramento para a fase de grupos
O Olympiacos festeja o apuramento para a fase de grupos©AFP/Getty Images

Como têm sido estes primeiros tempos na Grécia e no Olympiacos?

Estou muito bem. Tenho uma equipa muito boa que me tem apoiado imenso desde o primeiro minuto – e esse é um ponto relevante e que é importante referir. Tem sido difícil porque o Olympiacos é um clube habituado a ganhar na Grécia e quando não se é campeão a época deixa muito a desejar. Houve uma reestruturação muito grande, mas  foi muito bem feita por gente competente e altamente capacitada.

Quisemos quebrar com as rotinas do passado recente e começar um novo ciclo. Construímos um grupo muito forte e temos a enorme ambição de conquistar títulos. A nossa principal prioridade é o campeonato. Queremos recuperar o lugar que perdemos e tentar fazer algo de diferente na Europa League.

Daniel Podence tem estado em destaque no Olympiacos
Daniel Podence tem estado em destaque no Olympiacos©Getty Images

Surpreendeu-o este excelente começo de época do Olympiacos?

Acredito muito no plantel, mas realmente não esperava que a equipa estivesse tão bem em tão pouco tempo porque chegaram muitos jogadores de vários campeonatos. O Daniel Podence veio de Portugal, e toda a gente conhece bem quais são as suas reais qualidades e apetências. É um jogador acima da média no campeonato grego. O [Miguel] Guerrero veio de Espanha, o Roderick [Miranda] de Inglaterra... o [Yassine] Meriah chegou de África, o [Mohamed] Camara de França.

Quisemos também introduzir mais jogadores gregos no plantel, pois tínhamos poucos. Trouxemos o [Vasilis] Torosidis, o [Giannis] Fetfatzidis, o [Andreas] Bouchalakis; o [Lazaros] Christodoulopoulos é internacional grego e possui muita experiência. Fizemos regressar da Holanda o [Kostas] Tsimikas, jogador formado na nossa academia e que está a fazer um percurso absolutamente brilhante.

Houve cuidado em dotar a equipa com gente conhecedora da realidade do futebol grego e do que é a cultura e a filosofia do Olympiacos, para além da qualidade, evidentemente. Foram todos escolhidos criteriosamente. Queríamos uma equipa de guerreiros, trabalhadora e com ambição.

Pedro Martins elogiou Mohamed Camara (à esquerda), médio de 21 anos
Pedro Martins elogiou Mohamed Camara (à esquerda), médio de 21 anos©Getty Images

Há algum jogador que o tenha surpreendido mais?

Talvez a maior surpresa e revelação tenha sido o Camara, pela forma como tem crescido nos últimos tempos. Tem sido absolutamente fantástico.

José Sá e Yaya Touré foram os últimos jogadores a chegar. O que podem dar à equipa?

Além da sua qualidade, a chegada do Sá teve a ver com o facto de querer dois jogadores a lutar por cada posição em campo e era importante o [Andreas] Gianniotis ter maior competitividade na baliza. O Yaya é um jogador diferente, conhece o Olympiacos [onde jogou em 2005/06] e pode dar muito à equipa em termos anímicos e de motivação.

William Carvalho é um dos reforços do Bétis
William Carvalho é um dos reforços do Bétis©AFP/Getty Images

Que análise faz aos adversários do Olympiacos no Grupo F?

Mesmo não estando a passar a sua melhor fase, o Milan é um grande clube mundial. O Bétis fez uma excelente época e reforçou-se ainda mais neste regresso à Europa, inclusivamente com o [internacional português] William Carvalho. Fez um enorme investimento e tem um plantel de muita qualidade. O Dudelange é o desconhecido e no plano teórico é o menos forte. Pela sua história e experiência, o Milan tem algum favoritismo em relação aos outros, mas penso que vai ser equilibrado.

Quais os pontos fortes do Bétis e que Olympiacos iremos ver na quinta-feira?

O Bétis vale pelo seu todo. Não começou bem a época e teve também muitas alterações, mas houve uma melhoria acentuada da qualidade dos jogadores. Joga com três defesas e vem melhorando muito esse aspecto. Gosta de ter muita posse de bola e vai criar-nos muitas dificuldades porque nós também estamos habituados a isso na Grécia, mas a nossa filosofia não vai mudar e não abdicamos dela, embora este jogo tenha contornos muito específicos.

A estratégia será talvez diferente, mas não vamos alterar significativamente os nossos processos. Sabemos quanto é difícil, mas também temos as nossas armas e actuamos no nosso estádio. Não é fácil jogar no [Georgios] Karaiskakis, onde o público muitas vezes ajuda a ganhar jogos.

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