Análise do desempenho na Europa League: as combinações fluidas do Porto contra as rotações no meio-campo do Nottingham Forest
sexta-feira, 10 de abril de 2026
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A unidade de análise de jogos da UEFA e o Observador Técnico Willi Ruttensteiner examinam a forma como o Porto criou perigo com sequências de ataque inteligentes entre as linhas, face ao 5-4-1 compacto dos visitantes.
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"Temos de repetir o mesmo desempenho, mas com maior eficácia na finalização." O resumo conciso de Francesco Farioli foi tão preciso e incisivo quanto o impulso ofensivo da sua equipa.
O veredicto do treinador do Porto surgiu após o empate 1-1 da sua equipa contra o Nottingham Forest na primeira mão dos quartos-de-final da UEFA Europa League, na quinta-feira, apesar de ter obrigado o guarda-redes visitante, Stefan Ortega, a realizar algumas excelentes defesas.
Numa exibição marcada pela garra ofensiva característica das suas cinco vitórias seguidas na Europa League, esta época, no Estádio do Dragão, os comandados de Farioli registaram 16 remates, oito dos quais à baliza, contra seis e dois, respectivamente, do Forest.
Em colaboração com o Observador Técnico da UEFA, Willi Ruttensteiner, neste artigo, a unidade de análise de jogos da UEFA explora a capacidade de penetração da equipa da casa para desmontar a estrutura defensiva do Forest e destaca a ameaça mais directa dos visitantes, representada pelos laterais rápidos e pela inteligência de jogo do seu quarteto de médios entre as linhas.
"O Forest apresentou uma sólida estrutura defensiva em 5-4-1, com uma formação compacta, quer jogasse num bloco médio quer num bloco baixo", afirmou Ruttensteiner. "O esquema compacto, com distâncias reduzidas entre jogadores e linhas, foi a decisão certa do treinador do Forest, Vítor Pereira. Funcionou bem durante alguns períodos do jogo fora. Mas o jogo posicional altamente inteligente do Porto revelou-se, por vezes, demasiado difícil de defender."
O jogo colectivo do Porto
O primeiro vídeo mostra exactamente como o Porto alcançou o sucesso.
No primeiro clipe, vemos um esquema claro em 4-3-3, com movimentos inteligentes dos cinco jogadores da frente a criarem uma situação de dois contra dois pela direita, antes de uma jogada combinada inteligente entre Gabriel Veiga e Borja Sainz. O segundo clipe mostra movimentos oportunos e avanços para criar e explorar espaços.
"Vimos muitas sequências deste excelente jogo posicional", explicou Ruttensteiner. "Os jogadores movimentaram-se de forma inteligente, mantendo-se sempre ligados entre si. Não se trata apenas de posicionamento, claro. Trata-se do timing dos movimentos e das acções, da direcção, de identificar os espaços livres e de jogar no ritmo certo para o momento."
"Os jogadores do Porto demonstraram grande inteligência na leitura do jogo, na análise e na execução das jogadas. O resultado foram jogadas combinadas de grande qualidade, com passes precisos, técnica individual brilhante, extremos velozes e muitas incursões nas costas da defesa."
A recompensa do Porto por um período de domínio inicial chegou aos 11 minutos. Como se pode ver no terceiro clipe acima, William Gomes conclui a jogada ao segundo poste. "Mas a construção da jogada foi típica", afirmou Ruttensteiner. "É uma posse de bola paciente e controlada, sempre com passes de enorme qualidade."
A movimentação de Gabriel Veiga pela ala cria espaço para o ataque, atraindo o defesa-central direito do Forest para fora. Esse espaço acaba por ser explorado pela rápida arrancada de Gabriel Veiga para a frente a aproveitar um curto passe de calcanhar de Pablo Rosario.
"Quando vemos esta elevada qualidade, é importante notar que tudo isto resulta de treino e preparação muito bons", afirmou Ruttensteiner. "Os jogadores reagem no momento porque sabem o que está a acontecer. Compreendem as intenções dos seus colegas de equipa. É sempre uma situação complexa e em constante mudança, mas eles têm a capacidade de encontrar o passe certo e ultrapassar as linhas defensivas."
Apesar desta exibição de alto nível, o remate de primeira de William Gomes acabou por ser o único golo do Porto. Ortega fez sete defesas, tendo o Porto registado um xG (golos esperados) de 2,16.
"O Ortega manteve a sua equipa na luta com grandes defesas", afirmou Ruttensteiner. "Para qualquer equipa que pretenda defender em 5-4-1, ter um guarda-redes como líder atrás da linha defensiva é uma grande mais-valia."
A liberdade do meio-campo do Forest
Liderada pelo antigo treinador do Porto, Vítor Pereira, a quem o presidente do clube, André Villas-Boas, ofereceu uma camisola comemorativa antes do jogo, a equipa da Premier League ofereceu mais do que apenas uma forte resistência.
Embora o seu único golo tenha resultado de um infeliz autogolo do defesa Martim Fernandes, do Porto, a formação inglesa demonstrou liberdade ofensiva dentro dos limites da sua estrutura.
O segundo vídeo mostra a fluidez dos quatro médios: Morgan Gibbs-White, James McAtee, Ryan Yates e Nicolás Domínguez.
"A estratégia ofensiva do Forest assentou em dois elementos", explicou Ruttensteiner. "Em primeiro lugar, procuraram aproveitar as transições a partir da sua formação compacta e atacar com verticalidade, seja para o avançado de referência na frente, para o número 10 avançado ou para os laterais avançados e abertos nas alas."
"Mas a segunda característica fundamental foi a relação entre os quatro médios. Demonstraram uma grande inteligência de jogo na rotação, mantendo-se geralmente em duas linhas, mas movimentando-se de acordo com o jogo – sempre de forma muito inteligente, deslocando-se frequentemente para os lados e para trás dos adversários, a fim de criar diferentes possibilidades de ataque."
Os três clipes mostram a versatilidade e a criatividade desta unidade de quatro jogadores, livres para atacar com liberdade.
Vítor Pereira reconheceu os esforços da sua equipa após o jogo. "Os jogadores deram tudo para se manterem organizados e criarem oportunidades", afirmou. «No final, o 1-1 é um bom resultado."
Foco do treino: dos fundamentos ao domínio do jogo
Ruttensteiner elogiou tanto Vítor Pereira como Farioli por terem proporcionado aos jogadores mais criativos da sua equipa uma oportunidade de actuar entre as linhas defensivas do adversário.
O antigo treinador da selecção masculina de Israel e director desportivo da Federação Austríaca de Futebol salientou a importância de os treinadores formarem jogadores capazes de "jogar no momento" com uma inteligência de jogo semelhante.
Destacou "três fases de desenvolvimento":
1) A individual
O quê: Os fundamentos para o jogador com a bola, incluindo acções individuais como análise, o primeiro toque e a postura aberta do corpo.
Porquê: "Estas são as prioridades para os jovens jogadores."
2) As situações de jogo
O quê: Exposing players to role-specific game situations. These could be a midfielder combining with other midfielders or forwards, or a full-back linking up with a winger and midfielder.
Porquê: "Increased realism to put their technique into action and educate players in the needs of the specific positions."
3) O jogo completo
O quê: Jogar num 11 contra 11 completo
Porquê: "O jogo completo reúne todas as complexidades e as diferentes fases do jogo. Se os jogadores não tiverem uma base sólida de competências e conhecimento situacional, não estarão preparados para lidar com o jogo."
"É tudo uma questão de repetição", afirmou Ruttensteiner. "Quanto mais os jogadores forem expostos a situações de jogo, mais as suas reacções se tornarão automáticas. Os jogadores que possuem esses instintos ofensivos não pensam tanto...".
"Portanto, não se trata de pensar 'vou ser corajoso'. Trata-se de estar bem preparado através da repetição de exercícios relevantes e realistas, com análises essenciais e feedback detalhado dos treinadores. Considero que isto dá aos jogadores a motivação e a autoconfiança necessárias para agirem por instinto, de forma automática, no momento certo."