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Análise da Europa League: como João Mário conduziu o Bologna rumo ao sucesso

A unidade de análise de jogos da UEFA e o observador técnico Rui Faria analisam a adaptação de João Mário a uma nova posição e a sua influência na forma de jogar da equipa.

Desde a sua mudança para o Bologna o defesa João Mário passou da direita para a esquerda
Desde a sua mudança para o Bologna o defesa João Mário passou da direita para a esquerda AFP via Getty Images

"O João Mário merece ser elogiado", disse Vincenzo Italiano, treinador do Bolonha a propósito da exibição do português frente ao Brann na segunda mão do play-off da fase a eliminar da UEFA Europa League. Segundo o técnico, brilhou como lateral-esquerdo, função na qual "jogou poucas vezes".

Rui Faria, observador técnico da UEFA, destaca a capacidade de adaptação do compatriota, que não se limitou a substituir um colega, e foi "decisiva" em vários aspectos.

Colaborando neste artigo, a unidade de análise de jogos da UEFA explora os benefícios individuais, relacionais e estruturais de ter um jogador destro a jogar na esquerda.

Tal como aconteceu: Bologna 1-0 Brann

Centro da atenção

Análise da Europa League: benefícios do posicionamento invertido em zonas centrais

"Quando um destro actua na esquerda, há não apenas a diferença posicional [como ocupa o espaço] como também a funcional – o que realmente faz dentro da dinâmica da equipa", explicou Rui Faria, dando um exemplo. "A orientação natural do corpo para o centro do facilita a ligação com os médios mas dificulta os passes de primeira no flanco, fazendo com que exista mais combinações pelo meio".

"Isso também se vê nas incursões rumo à linha-de-fundo, que são menos frequentes, quando comparadas com a tentativa para jogar por dentro, para combinar com colegas, cruzar ou rematar". Ambos os lances do primeiro vídeo ilustram como João Mário soube aproveitar isso para "conduzir a bola pelo meio ou fazer passes longos para as costas da defesa", disse Rui Faria.

Laterais-esquerdos destros

  • Orientação corporal natural para o centro
  • Tendência a flectir para o meio em vez de avançar pela ala
  • Preferência para combinações e remates em zona interior
  • Em situação defensiva, tentar com que o adversário directo venha para o meio

Combinar com colegas

Análise da Europa League: posicionamento interior possibilita um-para-um mais largos

O segundo vídeo mostra como a sua tendência em flectir para o meio beneficiou os colegas. No primeiro clip João Mário deixa a zona lateral aberta e ao "atrair a pressão deixa espaço livre para o extremo atacar", disse Rui Faria. No segundo clip, aproveita o recuo do médio mais defensivo para ocupar o espaço deixado livre, receber a bola e de pronto lançar o ala para uma situação de um-contra-um.

Posicionamento central e segurança

Análise da Europa League: posições centrais de segurança

A ligação entre João Mário e o extremo não foi a única digna de registo. "Ele fez o mesmo com o médio-centro e isso foi determinante no jogo e no lance do golo", explicou Rui Faria, acrescentando que "por aparecer no centro do terreno várias vezes, lançou a dúvida no adversário sobre quem marcar".

O vídeo final mostra bem o relacionamento com os colegas e a flexibilidade posicional de João Mário. No primeiro canto, vemo-lo "posicionado de forma inteligente à entrada da área para proteger contra contra-ataques, garantir a estabilidade estrutural da equipa e recuperar segundas bolas", disse Rui Faria.

Devido a esta forma de actuar, o médio-centro foi capaz de efectuar mais cruzamentos do que o habitual e isso levou ao canto que terminou com o golo de João Mário. "Com a rotação de posições, ficou claro que os jogadores compreenderam as qualidades de João Mário e exploram-nas para construir jogadas bem-sucedidas", acrescentou Rui Faria.

Foco no treino

Resumindo a prestação de João Mário numa posição que não é a sua de origem, Rui Faria afirmou: "Demonstrou grande flexibilidade posicional, adaptando-se constantemente às exigências do momento. Interpretou muito bem o espaço, o tempo e a estrutura da equipa, quer em posse, quer em transição".

De seguida, explicou como os treinadores podem ajudar jovens jogadores a desenvolver esta capacidade

"Nos treinos devem expor deliberadamente os jogadores a situações que podem ocorrer num jogo e não se limitarem a exercícios genéricos da posição. Orientação corporal, combinações pelo meio e defesa de situações de um-contra-um com o pé mais fraco devem ser trabalhadas, bem como as ligações privilegiadas do lateral com o extremo e o médio. Essencial neste trabalho é a exibição de vídeos de situações semelhantes protagonizadas por outros jogadores", concluiu

Rui Faria foi treinador-adjunto de José Mourinho, ajudando à conquista da Taça UEFA e da UEFA Champions League com o Porto, vários títulos nacionais ao serviço de Porto, Chelsea e Real Madrid, a Champions League de 2009/10 com o Inter Milan e, mais tarde, a Europa League 2016/17 com o Manchester United.

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