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Deschamps não se deixa abater

"A vida de treinador é repleta de frustrações". O uefa.com destaca o percurso do menino de ouro do futebol francês, Didier Deschamps.

"A vida de treinador é repleta de frustrações", disse Didier Deschamps ao uefa.com no passado mês de Agosto, quando instado a comparar a sua carreira de técnico com a de jogador. As últimas quatro semanas terão, certamente, reforçado essa opinião.

Fim de uma Era
Na segunda-feira, o jogador que mais títulos conquistou na história do futebol francês demitiu-se do cargo de treinador do AS Monaco FC, na sequência de uma série de maus resultados na Ligue 1 e na UEFA Champions League. Foi um desfecho triste para a primeira experiência de Deschamps enquanto treinador, numa carreira que se iniciou em Junho de 2001 e que conheceu o ponto alto com a presença do Mónaco na final da Liga dos Campeões de 2003/04. Deschamps era, igualmente, o treinador da primeira divisão francesa há mais tempo em funções, no seguimento do abandono do lendário técnico do AJ Auxerre, Guy Roux.

Aprender com os maus momentos
"No futebol profissional, a vida está cheia de altos e baixos. Por vezes é necessário aprender uma lição nos tempos mais difíceis para, mais tarde, regressar em grande", disse Deschamps. "Tendo em conta a situação, a minha decisão foi a mais acertada. Estes quatro anos vão permanecer comigo para sempre". A demissão de Deschamps não surpreendeu o futebol francês, já que era evidente a crescente tensão no seu relacionamento com os jogadores e os directores do clube do principado, sobretudo após a precoce eliminação do Mónaco na Liga dos Campeões.

Contratações tardias
A equipa francesa teve de disputar a terceira pré-eliminatória, em virtude do terceiro lugar alcançado na Ligue 1, sendo que o sorteio revelou-se algo madrasto, colocando no seu caminho os espanhóis do Real Betis Balompié. A política de contratações do clube também não ajudou, uma vez que quando os reforços Olivier Kapo, Camel Meriem e Gérard Lopez finalmente se integraram na equipa, o Mónaco já estava afastado da principal competições de clubes na Europa. "Quando se quer entrar na Liga dos Campeões, é necessário reforçar a equipa antes da ronda de qualificação, nunca depois", afirmou o defesa-esquerdo internacional francês, Patrice Evra.

Afirmação polémica
A resposta do presidente Michel Pastor não deixou dúvidas sobre quem residia a responsabilidade do fracasso europeu: Deschamps. "Todas as aquisições foram decididas com o acordo da equipa técnica", disse. O treinador basco, de 36 anos, contra-atacou, criticando a falta de meios financeiros ao seu dispor, ao mesmo tempo que proferia duras palavras em relação ao seu empregador: "O Mónaco não é um grande clube".

Instinto competitivo
Um triunfo a meio da semana sobre o Willem II, em jogo a contar para a Taça UEFA, não acalmou a tempestade, revelando-se a derrota (2-0) caseira de domingo, frente ao Stade Rennais FC, numa partida em que o Mónaco terminou com nove homens, como a última gota. Quatro desaires em sete jogos do campeonato já haviam deixado os monegascos a dez pontos de distância do líder, o Olympique Lyonnais. Vencedor do Campeonato do Mundo, do Campeonato da Europa e da Liga dos Campeões (por duas vezes, ao serviço do Olympique de Marseille e da Juventus FC), Deschamps sucumbiu ao seu próprio instinto competitivo, não suportando a ideia de terminar a temporada a meio da tabela. O resultado foi o adeus ao Mónaco.

Período de transição
Pastor recorreu ao "eterno" adjunto Jean Petit, no clube desde 1969. "O Didier não podia e não queria continuar no cargo", disse. No entanto, o passado favorece Deschamps, que ainda não terá esquecido o que se passou em 1995, quando Petit proferiu as mesmas palavras após a saída de Arsène Wenger. O técnico francês teve uma breve passagem pelo futebol japonês, antes de ingressar no Arsenal FC, onde logrou o sucesso que se conhece. Petit não tem muito tempo para se evidenciar, uma vez que Pastor pretende encontrar rapidamente o sucessor definitivo de Deschamps. "Ele vai ocupar o cargo durante dois ou três jogos e nada mais", revelou Pastor. "Temos recebido muitas propostas. A nossa decisão será tomada dentro de duas semanas".

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