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Irlanda apostada em quebrar a tradição

A ideia pode causar escândalo a alguns, mas o seleccionador da Irlanda, Giovanni Trapattoni, está a pensar em abandonar o seu tradicional 4-4-2 no jogo com a Croácia.

Giovanni Trapattoni, seleccionador da República da Irlanda, conduz um treino em Gdynia
Giovanni Trapattoni, seleccionador da República da Irlanda, conduz um treino em Gdynia ©AFP

Ficou famosa a piada com que o defesa Mark Lawrenson descreveu a previsibilidade da estratégia da República da Irlanda: “Claro que, sempre que o Plano A falha, podemos optar pelo Plano A.”

Os anos não mudaram a concepção de que as equipas irlandesas não abdicam da formação em 4-4-2. Só houve um ajustamento a esta opção no tempo de Giovanni Trapattoni, em Bari, há três anos, quando a Itália estava reduzida a dez homens e ‘Trap’ optou imediatamente pelo esquema de 4-3-1-2.

A hipótese de o italiano apostar numa alternativa frente à Croácia, no domingo, na estreia no UEFA EURO 2012, parece ganhar força. Depois do empate com a Hungria, na noite de segunda-feira, em que viu a equipa adversária a conseguir colocar homens entre as suas linhas de defesas e médios, o técnico falou abertamente sobre a possibilidade de alterar os seus planos.

“Ontem, ao intervalo, chamei o Robbie [Keane] ao lado e pedir-lhe para jogar um pouco mais recuado”, revelou Trapattoni. “Ele faz este papel com muita inteligência. Tem qualidade para isso. E se tiver de ser, tem de ser. É uma opção a que nós, italianos, estamos habituados, para conseguir um resultado. Às vezes, o defesa mais importante tem de ser o avançado”.

Uma mudança que parece não assustar o seleccionado irlandês, com o avançado Jonathan Walters a lembrar que “nos clubes fazemos três, quatro alterações tácticas por jogo. É normal”.

Onde um jogador da Irlanda não pode mudar, se quiser continuar na selecção, é na ética profissional. “Há um jogador na minha equipa – não vou revelar – que certa vez, quando estava outro treinador, avançou no terreno. A Irlanda perdeu a bola”, contou o técnico transalpino. “Ele não recuou e o adversário que devia estar a marcar fez um golo. Tinha lavado as suas mãos, como Pôncio Pilatos. Eu, como treinador, não posso permitir esses comportamentos.”

Mas esta é uma semana rica em novidades para a Irlanda. Após uma recepção, esta tarde, os jogadores fizeram um treino na presença de 12 mil adeptos, que viram 20 dos 23 jogadores a trabalhar. John O'Shea, Shay Given e Glenn Whelan ficaram a descansar, mas Trappattoni garante que estarão prontos para domingo.