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O futebol em Gdansk

Gdansk esteve sempre na periferia do futebol polaco, uma espécie de satélite nortenho muito afastado das esferas do poder que constituem Varsóvia, Chorzow e Lviv, mas, em 1983, eclipsou tudo e todos.

O antigo jogador do Lechia, Janusz Kupcewicz (a rematar), aqui em acção pela Polónia no Mundial 1982
O antigo jogador do Lechia, Janusz Kupcewicz (a rematar), aqui em acção pela Polónia no Mundial 1982 ©Bob Thomas/Getty Images

Gdansk esteve sempre na periferia do futebol polaco, uma espécie de satélite nortenho muito afastado das esferas do poder que constituem Varsóvia, Chorzow e Lviv – mas, por um glorioso momento em 1983, o KS Lechia Gdańsk eclipsou tudo e todos.

Poucas pistas havia sobre aquilo de que os verde e brancos – uma equipa que alterna promoções e despromoções desde a sua fundação em 1945 - viriam a ser capazes em 1982/83. O conjunto de Gdansk esperava causar impacto na segunda metade da classificação após mais uma promoção, mas conseguiu bem mais do que isso, ao bater o KS Ruch Chorzów e o WKS Śląsk Wrocław rumo à final da Taça da Polónia. Um triunfo frente ao GKS Piast Gliwice selou a conquista do troféu.

Cinco semanas mais tarde, um golo de Jerzy Kruszczyński ao cair do pano possibilitou a vitória sobre o campeão em título, KKS Lech Poznań, na edição inaugural da SuperTaça polaca. Os bons tempos continuariam. Na época seguinte, participou na Taça dos Clubes Vencedores de Taças, na qual realizou uma memorável eliminatória ante a Juventus e carimbou o regresso à Ekstraklasa após uma ausência de 21 anos. Dado o seu histórico, não foi de espantar que, quatro anos depois, estivessem de regresso ao segundo escalão.

Em 2001, uma combinação de problemas organizacionais e financeiros viu o clube fundado por imigrantes de Lviv, actualmente na Ucrânia, ser relegado para o sexto escalão. No espaço de oito temporadas, estava de volta ao escalão principal, para gáudio de alguns dos seus adeptos mais fervorosos, como o antigo Presidente da Polónia, Lech Wałęsa, e o primeiro-ministro Donald Tusk. O arqui-rival KS Arka Gdynia ficou menos satisfeito: perdeu cinco dos seis "derbies" antes de, em 2010/11, ser despromovido.

Situado a 20 quilómetros, em Gdynia, o Arka remonta aos anos 1920; para o Lechia e outras equipas de menor expressão em Gdansk, tais como o SKS Polonia Gdańsk, a vida começou em 1945. No entanto, sempre houve uma grande tradução futebolística. A primeira equipa da cidade, o BuEV Danzig, foi fundada em Abril de 1903, tendo vencido o campeonato regional em 1912, feito igualado pelo SC Preussen Danzig em 1934.

Nomes famosos
O antigo ponta-de-lança do AJ Auxerre, Andrzej Szarmach, é o mais conhecido filho futebolístico da cidade, autor de 32 golos em 61 internacionalizações durante a década de ouro do futebol polaco, nos anos 70. Apontou cinco golos no Mundial de 1974, o qual a Polónia terminou na terceira posição e, dois anos depois, ajudou os polacos a conseguirem a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Montreal. O defesa Janusz Kupcewicz fez parte da equipa que terminou o Mundial de 1982 no terceiro posto, enquanto o ex-defesa do FC Schalke 04, Tomasz Wałdoch, conseguiu 74 internacionalizações entre 1991 e 2002. Sławomir Wojciechowski e Grzegorz Szamotulski também foram internacionais pela Polónia.

Outros desportos
Terra natal dos medalhados de ouro olímpico Zygmunt Chychła (boxe, 1952) e Adam Korol (remo, 2008), Gdansk está representada nos escalões primodivisionários polacos em râguebi, hóquei no gelo e voleibol feminino. O Wybrzeże Gdańsk é três vezes campeão nacional de speedway, enquanto o andebol do clube venceu dez campeonatos antes de, em 2003, ser extinto (viria a ser refundado sete anos depois). O antigo jogador do clube, Bogdan Wenta, é o seleccionador da equipa nacional masculina. Esgrima e ginástica são outros desportos no qual Gdansk está bem representada. A cidade acolherá, em Outubro de 2011, o Campeonato da Europa de ténis de mesa.

Sabia que?
A Juventus foi o único adversário que o Lechia conheceu nas competições europeias (Taça das Taças em 1983/84). Os polacos perderam por 7-0 em Turim – com o futuro Presidente da UEFA, Michel Platini, a bisar – , mas deram bem mais luta na segunda mão, na qual perderam somente por 3-2, com o golo do triunfo "bianconero" a ser da autoria do dianteiro polaco, Zbigniew Boniek.