O UEFA.com funciona melhor noutros browsers
Para a melhor experiência possível recomendamos a utilização do Chrome, Firefox ou Microsoft Edge.

O exemplo de Van Basten

Se a Rússia precisar de inspiração para o seu reencontro com a Espanha, pode ir buscá-la à Holanda e ao espantoso golo de Van Basten na final de 1988.

O exemplo de Van Basten
O exemplo de Van Basten ©uefa.com 1998-?. All rights reserved.

Por ter sido goleada pela Espanha, por 4-1, há 15 dias, a Rússia sabe que não vai ter tarefa fácil quando reencontrar a selecção espanhola nas meias-finais, na quinta-feira, em Viena. Mas a Holanda provou, há 20 anos, que é possível obter um resultado diferente, embora talvez seja necessário algo de muito especial.

Remate fantástico
Acabou por se tornar num daqueles momentos em que é inevitável a pergunta "Onde estavas quando...?". Esse momento aconteceu quando, em pleno Olympiastadion de Munique, Marco van Basten desafiou a lógica com aquele que é considerado por muitos como o melhor golo alguma vez marcado numa fase final de um Campeonato da Europa. Um mau passe do soviético Aleksandr Zavarov foi interceptado por Adri van Tiggelen, que serviu Arnold Mühren na esquerda. Este cruzou de imediato para a área da União Soviética, onde surgiu Van Basten, à entrada da área e a cerca de cinco metros da linha de fundo. A opção óbvia seria voltar a cruzar a bola para o centro da área, onde estava Ruud Gullit, mas em vez disso Van Basten, de um ângulo impossível, rematou de primeira por cima do guarda-redes Rinat Dasaev e colocou a bola no fundo das redes, junto ao poste mais distante.

"Sensação extraordinária"
"Foi na segunda parte e estava já um pouco cansado", recorda o antigo avançado, agora com 43 anos. "A bola veio do Arnold Mühren e eu pensei, 'Ok, posso dominá-la e tentar ultrapassar todos estes defesas, ou seguir o caminho mais simples e arriscar o remate'. É preciso muita sorte para um remate daqueles sair bem. É uma daquelas coisas que saem uma vez na vida. Tenta-se muitas vezes, mas é necessária muita sorte naquele momento e eu tive essa felicidade. Nem tive noção do que tinha feito. Percebe-se isso pela forma como reagi. Estou a perguntar 'O que aconteceu?'. Foi uma sensação extraordinária".

Ponto de viragem notável
O golo deu lugar a enormes festejos, embora os colegas de Van Basten apenas o tenham seguido a uma curta distância, como que em sinal de reconhecimento. O lendário treinador holandês Rinus Michels já assistira a muita coisa ao longo dos 42 anos que leva de ligação ao futebol, mas mesmo ele ficou estupefacto, levando as mãos à cabeça como se não acreditasse no que acabara de ver. Nove minutos depois do intervalo, a sua Holanda ampliava a vantagem (que tinha ganho aos 34 minutos, através de Ruud Gullit) e dava um passo decisivo rumo a uma notável viragem não só para a selecção como para o próprio Van Basten.

"Hat-trick" à Inglaterra
Quinze dias antes, Van Bastem tinha começado no banco de suplentes frente à União Soviética, num encontro onde os holandeses acabaram derrotados por 1-0, devido a um belo golo de Vassili Rats. Então com 23 anos, Van Basten havia estado a contas com uma entorse num tornozelo ao longo da época no AC Milan, pelo que era compreensível a hesitação de Michels. Van Basten assumiu a titularidade no jogo seguinte, frente à Inglaterra, três dias depois, e respondeu com um "hat-trick". "Essa é, também, uma excelente recordação e foi um jogo muito importante para mim, para a Holanda e para a minha carreira", continuou. "Foi o encontro no qual tudo mudou. Tinha tido um ano complicado, com muitas lesões".

Esperança russa
"A partir desse momento tudo mudou e tudo foi positivo", prosseguiu. "Depois, os jogos seguintes foram mais fáceis e as coisas correram bem". E dizer que as coisas correram bem é pouco. Depois de marcar o golo da vitória sobre a República Federal da Alemanha no jogo das meias-finais, garantiu o seu lugar na história do futebol com o tal tento inesquecível na final. Tinha deixado o seu legado. Durante largos anos muitas bolas se perderam pela Europa fora com os jovens a tentarem imitar o seu extraordinário remate. E agora, duas décadas depois, talvez o feito de Van Basten e da Holanda sirva de inspiração à Rússia no encontro ante a Espanha, depois da pesada derrota na fase de grupos. Foi algo que já foi feito antes. E de que maneira!

Seleccionados para si