Versatilidade é trunfo para Portugal
quinta-feira, 19 de maio de 2016
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Fernando Santos escolheu um lote de jogadores equilibrado e funcional, que lhe permitirá encarar as diversas contingências dos jogos: o UEFA.com analisa as escolhas de Portugal para o EURO 2016.
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Na sequência do anúncio dos 23 convocados de Portugal para o UEFA EURO 2016, analisamos as escolhas do seleccionador Fernando Santos, tendo em conta o que foi a época de cada um e o que podem dar à equipa, bem como que soluções este lote tem para encarar as diversas contingências dos jogos.
Na baliza não há muito a dizer. Salvo algum imprevisto, Rui Patrício será o titular. Foi o melhor guarda-redes da Liga portuguesa, mantendo o Sporting na luta pelo título até ao fim, e o titular na fase de qualificação. Anthony Lopes continua a evoluir e já é titular absoluto do Lyon há algum tempo, enquanto Eduardo tem experiência e vivência de selecção.
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Na defesa, impera a experiência, principalmente no eixo, com Bruno Alves, Pepe e Ricardo Carvalho, todos com mais de 30 anos e que fizeram parte dos 11 mais utilizados no apuramento. O trio conta com passagens por clubes, ligas e/ou competições de topo, tendo alinhado regularmente ao mais alto nível. Nas laterais pode contar-se com propensão ofensiva, quanto mais não seja pelo facto de três dos quatro jogadores chamados (Vieirinha, Eliseu e Raphael Guerreiro) terem começado como extremos ou ainda fazerem ocasionalmente a posição. Também por isso, poderão dar uma ajuda no ataque em caso de impedimento dos habituais extremos. Como titulares, apostamos em Eliseu à esquerda e Vieirinha na direita.
O meio-campo caracteriza-se pela versatilidade e pode dividir-se em três tipos de jogadores: William e Danilo conferem força e capacidade no apoio à defesa, sendo que o jogador do FC Porto até pode ser, em último caso, alternativa como defesa-central. Jogou assim algumas vezes no clube e mostrou bons pormenores, principalmente na fase de construção. Foi um dos melhores jogadores do campeonato e parte em vantagem para o "onze". Mais à frente, João Moutinho, Adrien Silva e Renato Sanches formam um trio de médios "todo-o-terreno", caracterizado por intensidade a atacar e a defender.
Em condições plenas, Moutinho é titular indiscutível; Adrien prossegue a curva ascendente e esta época registou nova evolução na forma de jogar, chegando muitas vezes a ser o homem mais recuado no meio-campo do Sporting; Renato Sanches tem a capacidade para rasgar linhas e transportar a bola rapidamente até ao ataque. Por fim, os jogadores que vão dar um toque mais criativo ao jogo luso: André Gomes e João Mário. Este último passou de revelação a certeza no campeonato português e tem a vantagem de também jogar nas alas.
O ataque prima pela mobilidade e criatividade, tenha dois ou três elementos. Cristiano Ronaldo é incontornável e vai ser o maior foco de perigo para os adversários. Apesar de se sentir mais à vontade nos flancos, principalmente no esquerdo, também pode alinhar no meio, sozinho ou acompanhado. Depois, a luta pelas restantes vagas deverá ser entre Nani, Rafa Silva e Ricardo Quaresma. O primeiro parece levar vantagem e até já foi testado em parceria com Ronaldo, enquanto o extremo do SC Braga fez uma excelente época e, para além dos flancos, também pode jogar no apoio aos avançados.
Quaresma, moralizado pela conquista do campeonato turco, é um extremo puro e será mais útil numa lógica de jogo mais directo, onde também Éder encaixa melhor. O único ponta-de-lança do plantel é a alternativa para quando Fernando Santos quiser mudar o esquema e apostar num jogador mais fixo. A mudança para o LOSC, na segunda metade da temporada, fez-lhe bem, já que somou minutos e marcou alguns golos.
O estágio de preparação começa na segunda-feira, 23 de Maio, seis dias antes do primeiro teste rumo à estreia no dia 14 de Junho, frente à Islândia. Frente à Noruega, Fernando Santos não terá Ronaldo e Pepe, prováveis titulares, à disposição, uma vez terem de disputar ainda a final da UEFA Champions League pelo Real Madrid no dia 28.