Heróis de culto do EURO: Rüştü Reçber, 2008
sábado, 21 de maio de 2016
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Herói nas grandes penalidades no mais improvável dos cenários que a Turquia enfrentou no UEFA EURO 2008, Rüştü Reçber é recordado como o melhor guarda-redes de sempre do seu país.
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Vários golos à beira do fim salvaram a Turquia na sua caminhada imprópria para cardíacos no UEFA EURO 2008. O tento de Semih Şentürk, no minuto 122 dos quartos-de-final frente à Croácia, levou a decisão para as grandes penalidades e foi aí que o guarda-redes Rüştü Reçber subiu ao patamar de herói que lhe valeu um lugar na história do futebol turco.
"A festa foi tão intensa que a cabeça do Arda [Turan] acertou na minha orelha e perfurou o meu tímpano!", disse Rüştü depois de defender o remate dos 11 metros de Mladen Petrić, que valeu a presença nas meias-finais. "Foi uma enorme alegria. Lembro-me que havia uma grande ligação entre a equipa e antes de abraçar os meus companheiros queria dar algum alento ao jogador que falhou o penálti."
O destino chama
O UEFA EURO 2008 deveria ter sido uma passagem de testemunho na baliza turca, pelo que Rüştü não esperava ser chamado a actuar. No entanto, o guardião de 35 anos – dono do lugar nas fases finais de 1996 em diante – viu o destino bater-lhe à porta quando o até então titular, Volkan Demirel, na altura jogador do Beşiktaş, viu o cartão vermelho no último jogo da Turquia no Grupo A, frente à República Checa.
Não tendo sofrido golos nos 90 minutos dos quartos-de-final para ajudar a levar a partida para prolongamento, Rüştü faria a seguir uma grande defesa a um livre-directo de Darijo Srna que levava selo de golo. Tudo parecia estar acabado quando Ivan Klasnić marcou no primeiro dos quatro minutos de descontos da meia-hora suplementar, mas Semih Şentürk não estava pelos ajustes e levou a decisão para as grandes penalidades. Enquanto a Turquia se mostrava irrepreensível da marca dos 11 metros, Luka Modrić e Ivan Rakitić falharam, com Rüştü a resolver a contenda ao parar o disparo de Mladen Petrić e iniciar a festa em Viena, bem como na Turquia.
Homem da maratona
A Alemanha era o adversário na meia-final e a Turquia, dessa feita, viu o outro lado da moeda com um tento de Phillip Lahm no minuto 90 a dar a vitória aos alemães por 3-2. Pouco depois, Rüştü declarou o seu desejo de deixar a selecção, mas seria persuadido do contrário e revelou-se fundamental nos quatro anos seguintes, tendo terminado a carreira pelo seu país frente à Finlândia, em Maio de 2012, ao somar a 120ª internacionalização.
O melhor nº1 de sempre da Turquia
Seja qual for o futuro, o antigo guarda-redes foi, sem dúvida, um dos pilares da melhor fase da história do futebol turco no plano internacional. Da sua excentricidade em campo será para sempre recordada, por exemplo, por erguer o braço sempre que sofria um golo, as suas defesas espectaculares e pelo papel inesquecível no, quiçá, maior triunfo de sempre da Turquia.