Entrevista com Augusto Batalla: guarda-redes do Rayo Vallecano fala da final da UEFA Conference League contra o Crystal Palace
segunda-feira, 25 de maio de 2026
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"Temos de aproveitar ao máximo", diz Augusto Batalla, numa altura em que o Rayo Vallecano procura concretizar um sonho improvável e derrotar o Crystal Palace na final da UEFA Conference League.
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Na sua segunda época no Rayo Vallecano, após ter saído da sua terra natal, a Argentina, Augusto Batalla está a viver um sonho ao ajudar a levar a sua equipa à final da UEFA Conference League contra o Crystal Palace.
Agora, o guarda-redes de 30 anos espera que a sua filosofia, adquirida à custa de muita experiência, de ir deixando as coisas rolar, e a humildade que advém de jogar pelo Rayo, um clube com os pés bem assentes na terra, possam ajudar a sua equipa a alcançar algo surpreendente em Leipzig.
As vantagens de agir com naturalidade
Sou exactamente a mesma pessoa que era quando cheguei aqui. Este ano, completei dez anos no futebol profissional, com quase 300 jogos disputados, ou até mais. Tudo isso faz com que as pessoas te conheçam melhor em termos de como vês e vives as coisas, independentemente da tua situação desportiva actual. Tento sempre seguir na mesma direcção – os mesmos princípios, os mesmos valores e a mesma honestidade. O mais importante para mim é ser lembrado como uma boa pessoa, em vez de um bom guarda-redes.
Aqui [no Rayo] temos sempre de manter os pés no chão. Quando digo que sou uma pessoa comum, penso no meu pai, que sempre trabalhou como talhante, por isso sei o que é trabalhar arduamente, tenho o sentido prático da vida e sei o que é viver com o mínimo indispensável. Agora estamos numa posição privilegiada – essa é a nossa realidade, ao contrário da realidade das pessoas em geral –, mas continuamos a ter os mesmos princípios, independentemente da nossa situação financeira. E Vallecas é, sem dúvida, o lugar perfeito e ideal para nos identificarmos com o que é a vida real. Todos nos identificamos com o próprio bairro. Isso dá-nos coragem ou uma forma de ver as coisas diferente da dos outros clubes.
A pressão única de ser guarda-redes
Quando era mais novo, era muito mais difícil para mim assimilar tudo, porque sentia que não podia cometer erros. E quando pensamos e sentimos isso, acabamos por cometer ainda mais erros. Quando deixamos as coisas rolar e mantemos a calma, tudo acontece de forma muito mais natural, e isso permite-nos tomar melhores decisões sempre que entramos em campo.
[A questão da saúde mental no desporto] é muito importante para mim. Quando se chega ao mais alto nível aos 16, 17, 18, 19 anos, ou qualquer que seja a idade, ninguém nos prepara para estarmos mentalmente preparados para tudo o que vamos enfrentar ou para a pressão que vamos sentir. Por isso, pessoalmente, já sofri com isso. Trabalhei nisso com o meu psicólogo durante muitos anos e agora que tenho mais alguns cabelos brancos e estou um pouco mais velho, consigo encarar tudo com naturalidade.
Os meios de comunicação e as redes sociais podem causar muitos danos – há pessoas que se escondem atrás dos ecrãs e dão a sua opinião sobre os jovens quando estes cometem um erro. Temos de compreender que, por trás daquele jogador, daquela super-estrela que todos vêem, há uma pessoa.
Chegar à final
Começo a perceber que vamos ter a oportunidade de disputar uma final. Conseguir isso com este clube não é nada fácil, tendo em conta todas as exigências do dia-a-dia e todas as dificuldades que enfrentamos. Somos um grupo de jogadores relativamente mais velhos para os padrões europeus; na verdade, somos o plantel com os jogadores mais velhos, e isso significa que já passámos por muitas coisas nas nossas vidas.
Depois de o árbitro ter apitado [na meia-final contra o Strasbourg] e de sabermos que íamos a Leipzig, houve uma certa sensação de alívio, de pensar: "Bem, chegámos até aqui", mas também vi algo no grupo que adorei, que é a sensação de que o trabalho ainda não está concluído. Isso é muito importante antes do jogo contra o Crystal Palace.
O estado de espírito antes do jogo decisivo em Leipzig
Sinceramente, estou a encarar isto com muita calma, mesmo muita calma; vou trabalhar da mesma forma que tenho feito até agora e vou tentar, nem que seja por um instante, aproveitar para desfrutar do momento, porque estar lá e ter a oportunidade de ter a minha família presente, de os meus filhos viverem esta experiência, é algo maravilhoso.
Esta entrevista foi realizada a 9 de Maio de 2026