Conference League: análise dos golos da fase de liga
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
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A unidade de análise de jogos da UEFA examina como foram marcados os 256 golos na fase de liga da UEFA Conference League desta época.
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O Rayo Vallecano marcou o maior número de golos em jogadas de bola corrida e os clubes polacos destacaram-se nas bolas paradas, ao passo que cruzamentos e passes rasteiros continuaram tão importantes como antes. Os golos são o objectivo principal de qualquer partida de futebol e a fase de liga da UEFA Conference League 2025/26 proporcionou 256 em seis jornadas – uma média de 2,38 por jogo.
O domínio do Rayo Vallecano no jogo aberto colocou-o na lista dos conjuntos com o maior número de golos ilustrada abaixo, logo atrás do líder AEK Atenas. Ambos os clubes balançaram as redes em todas as seis partidas disputadas, assim como o Strasbourg. Logicamente, os três emblemas avançaram directamente para os oitavos-de-final.
Se o total de 256 golos representou uma queda assinalável em relação aos 320 da temporada passada, isso pode ser atribuído à natureza competitiva da fase de liga. Com jogos mais equilibrados no geral, 23% das partidas terminaram empatadas (25) e quase metade, 43%, foram decididas por apenas um golo (46) – em comparação com 20% (22) de empates e 35% (38) de jogos decididos por um único tento na temporada anterior.
Tempo dos golos
Quanto mais disputadas as partidas, maior o drama, e como mostra o gráfico acima, um total de 59 golos foram marcados entre o minuto 76 e o apito final, incluindo os descontos. Isso representa 23% de todos os golos e proporcionou alguns finais emocionantes.
O AEK Atenas exemplificou isso na Jornada 6, superando uma desvantagem de 2-0 para garantir o apuramento automático com dois golos nos descontos – o empate aos 90+8' e um penálti decisivo aos 90+14' – que eliminou o Universitatea Craiova. Foi a recompensa pela mentalidade vencedora da equipa grega e pelo uso eficaz dos suplentes ao longo da fase de liga, na qual marcaram por cinco vezes a partir dos 76 minutos, com três golos de jogadores que entraram no decorrer da partida.
Ao todo, foram 15 as vitórias com reviravoltas. O golo da vitória em dez desses jogos aconteceu após os 80 minutos e, como este gráfico demonstra, Rayo Vallecano, Strasbourg e AEK figuraram entre os clubes que protagonizaram reviravoltas nos minutos finais.
Método dos golos
No outro extremo, Sigma Olomouc e Jagiellonia chegam à fase a eliminar com um forte desempenho em jogadas de bola parada, como demonstra este gráfico. O Sigma marcou quatro golos de bola parada, enquanto o Jagiellonia converteu 60% dessas jogadas, ou seja, três em cinco golos.
Foram convertidos quatro livres directos (demonstrando uma extrema precisão e potência), incluindo o espectacular golo assinado por Rafał Augustyniak nos descontos, que garantiu a vitória fora do Legia Varsóvia ante o Shakhtar Donetsk.
Finalizações de primeira
Foram as finalizações de primeira que produziram 60% dos golos em jogadas de bola corrida: no total, 110 golos foram marcados a partir de finalizações de primeira, com combinações e cruzamentos a revelarem-se fundamentais para esse número. Como evidenciado no vídeo abaixo, o Rayo Vallecano foi particularmente impressionante na movimentação rápida da bola para desestabilizar as defesas contrárias dentro e em redor da área, buscando espaços para finalizações de primeira. O conjunto espanhol marcou sete dos seus 11 golos em jogadas de bola corrida dessa maneira. A estratégia ofensiva do Rayo também foi a que gerou o maior número de finalizações: 111.
De um modo geral, a grande maioria dos golos ao primeiro toque veio das áreas centrais representadas no gráfico relacionado, com 84% marcados dentro da área e na largura da pequena área. Isso destaca a importância do trabalho dos treinadores nessa área para melhor preparar os jogadores para as exigências do futebol actual. Os três golos marcados pelo avançado do Omonoia, Angelos Neophytou, foram finalizações de primeira, auxiliadas por um posicionamento inteligente, muitas vezes atrás do seu marcador directo, para receber um passe ou aproveitar uma recarga.
Assistências
Mais uma vez, cruzamentos e passes para trás foram fundamentais para a criação de oportunidades de golo, com 27% dos tentos originados de cruzamentos laterais tradicionais (fora da área) e 26% de zonas laterais dentro da área. O Sparta Praga marcou cinco de seus dez golos em jogadas de bola corrida a partir dessas zonas de passe para trás; o Strasbourg, por sua vez, foi muito eficiente pelo lado esquerdo, marcando seis vezes por esse flanco, contra apenas uma vez pelo lado direito. Isso demonstra como as equipas ajustam a sua estratégia de ataque para colocar os seus jogadores mais criativos em posições perigosas.
O gráfico acima revela que apenas oito golos resultaram de assistências desde o próprio meio-campo. No entanto, em todos os casos, por meio de um reconhecimento eficaz do espaço e do posicionamento dos companheiros, os jogadores de ataque foram lançados em situações de um contra um, seja contra o adversário directo ou em direção à baliza. Como visto no vídeo abaixo, o guarda-redes do Rayo Vallecano, Augusto Batalla, foi o único a dar uma assistência, lançando uma bola longa nas costas da defesa do Slovan Bratislava para Fran Pérez marcar.
Paciência contra velocidade no ataque
Por fim, este gráfico confirma que a maioria dos golos foi marcada com um número mínimo de passes, já que 54% envolveram dois ou menos passes. Em contrapartida, 9% dos golos foram resultado de períodos significativos de posse de bola (dez ou mais passes), e um total de cinco golos aconteceram após mais de 20 passes. O recorde de passes que levaram a um golo foram os 35 que permitiram ao Strasbourg marcar contra o Häcken.
Independentemente das estatísticas, a fase de liga teve momentos em que as equipas avançaram com paciência e determinação, com os jogadores cientes de quando apoiar o jogador com a bola e quando ameaçar o adversário com incursões ofensivas. Tudo isso contribuiu para o espectáculo de uma competição na qual os cruzamentos e passes rasteiros, além de jogos mais equilibrados, golos nos minutos finais e reviravoltas, foram o denominador comum.