Nacho: "Disseram que a minha carreira estava condenada"

O defesa Nacho, do Real Madrid, tem diabetes desde criança e, nesta entrevista, fala sobre o medo provocado pelo diagnóstico e a forma como a doença pode ser encarada como algo positivo.

©Getty Images

Tinha apenas 12 anos quando descobri que era diabético. Já estava há duas épocas no Real Madrid, obviamente que foi um momento difícil. Lembro-me de ir ao hospital, fui obrigado a falhar um torneio com a minha equipa, e fui visto por um médico, que não era endocrinologista. Disse-me que a minha carreira estava condenada.

Passei por momentos muito difíceis naquele fim-de-semana. Três dias depois fui visto pelo Dr. Ramírez, que viria a ser o meu endocrinologista e de quem me tornei muito próximo. Ele disse-me exactamente o contrário, que o futebol não iria terminara para mim. Na verdade, era fundamental que eu continuasse a jogar porque o exercício físico é muito importante. Naquela segunda-feira a minha vida recomeçou novamente.

Claro que é difícil, porque temos de ter três vezes mais cuidados que uma pessoa normal, mas considero que também ajuda, de forma indirecta. Temos de ter mais cuidado com a dieta e com o descanso. Tornamo-nos mais responsáveis, pois temos de transportar o nosso equipamento [insulina, monitor, etc].

Não tenho limitações. Tenho a sorte de jogar futebol ao mais alto nível e gosto de praticar qualquer desporto, porque é muito importante fazer exercício físico. Faço um pouco de tudo. Quando estou de férias gosto de andar de bicicleta pelas montanhas, faço duatlos e triatlos, a diabetes não me impede de fazer nada.

Tenho de ser um pouco mais cuidadoso em relação a certos tipos de alimentos, mas posso comer de tudo. Tenho sorte porque a situação está controlada e dou-me muito bem com o meu médico. Como já disse, tornamo-nos mais responsáveis e cuidamos mais de nós. Sei que vou ter isto no resto da minha vida, a não ser que encontrem uma cura. É como ter um colega de equipa ao meu lado.

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