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Porto - Bayern: cinco pontos-chave

David Crossan, do UEFA.com, elogia a táctica de Julen Lopetegui e o efeito-surpresa de Jackson Martínez, mas ainda assim o Porto deve esperar uma resposta forte do Bayern.

Jackson Martínez, do Porto, festeja o seu golo
Jackson Martínez, do Porto, festeja o seu golo ©AFP/Getty Images

Vitória táctica para Lopetegui
Pressionar o FC Bayern München em zonas avançadas, não o deixar circular a bola na retaguarda, quebrar-lhe o ritmo e explorar as suas fragilidades na defesa. Foi essa a receita de Julen Lopetegui para o sucesso na noite mais importante da sua carreira como treinadore de clubes, no triunfo do FC Porto por 3-1, na primeira mão dos quartos-de-final. O defesa Bruno Martins Indi disse ao UEFA.com: "Falámos sobre a pressão intensa que deveríamos fazer ao adversário. Foi esse o conselho do treinador, e funcionou."

Escolher o momento certo para pressionar é mais fácil dizer do que fazer, por isso Lopetegui pode agradecer aos seus jogadores por executarem o plano na perfeição num início explosivo, com Ricardo Quaresma a bisar nos primeiros dez minutos, permitindo-lhe levar a melhor sobre Josep Guardiola, seu antigo colega de equipa no FC Barcelona.

O médio Yacine Brahimi foi mais expansivo: "Começámos a pressioná-los muito alto no relvado e de uma forma muito intensa desde o início. Funcionou e tirámos proveito disso."

Aposta em Jackson Martínez resulta
Lopetegui causou surpresa ao incluir o capitão Jackson Martínez no "onze" inicial, após mais de um mês ausente, devido a lesão. As dúvidas sobre a condição física do internacional colombiano ficaram desfeitas nos primeiros segundos, já que passou de um observador aparentemente desinteressado do jogo de posse do Bayern, para roubar a bola a Xabi Alonso e depois conquistar uma grande penalidade, ao sofrer falta de Manuel Neuer.

O golo de Martinez aos 65 minutos, o seu sexto nesta edição da UEFA Champions League, foi uma obra digna de ser apreciada. Avançado completo, Martínez tem a técnica necessária para combinar com a sua força física e persistência, como provou ao receber com qualidade um passe longo de Alex Sandro e depois contornar Neuer antes de atirar para a baliza deserta. Martínez cumpriu os 94 minutos e 15 segundos do jogo, sendo um adversário de peso para Quaresma na luta pela eleição de Melhor em Campo, ganha pelo português.

Jackson Martínez, do Porto, rouba a bola a Xabi Alonso, médio do Bayern
Jackson Martínez, do Porto, rouba a bola a Xabi Alonso, médio do Bayern©AFP/Getty Images

Estatísticas não dizem tudo
Alonso teve 100 por cento de eficácia no passe, enquanto Dante (93 por cento) e Jérôme Boateng (88 por cento) ficaram perto desse valor. Ainda assim, foi uma noite para esquecer por parte dos três, já que tiveram intervenção directa no primeiro, segundo e terceiro golos do Porto, respectivamente. Uma das imagens da noite foi Alonso bater com a mão no relvado, em sinal de frustração, após Martínez quase lhe ter roubado a bola novamente, na segunda parte.

Mesmo o Bayern sofre com ausência de jogadores importantes
Com seis jogadores de campo ausentes devido a lesão, Guardiola só conseguiu ter um banco de suplentes completo chamando dois guarda-redes. Ao Bayern faltou a sua habitual fluência, pareceu vulnerável sempre que o Porto recuperava a bola e certamente lhe teria dado muito jeito um momento de brilhantismo individual típico dos lesionados Arjen Robben (músculo abdominal) ou Franck Ribéry (tornozelo).

Eliminatória ainda não está decidida
No entanto, basta escutar as palavras de Brahimi. "Foi uma exibição excepcional. Não podíamos sonhar com um resultado melhor do que 3-1, mas ainda falta o jogo fora e será muito, muito difícil."

Apesar da sua primeira derrota em solo luso, o golo fora do Bayern dá-lhe alguma esperança de que possa alcançar as meias-finais pela quarta época consecutiva. Alimentando uma potencial reviravolta nesta eliminatória – privando o Porto de chegar à próxima fase pela primeira vez desde que conquistou o torneio, em 2004 – é o facto de os laterais titulares de Lopetegui, Danilo e Alex Sandro, falharem a segunda mão devido a castigo.

Abordar o jogo de Munique, na próxima terça-feira, com o estado de espírito ideal será crucial para o Porto, e Brahimi disse: "Lá vamos precisar de jogar como fizemos esta noite – focarmo-nos no que sabemos fazer e jogar da forma a que estamos habituados. Teremos de defender muito bem e ser fortes como equipa."