Milan apaga chama bávara

FC Bayern München 1-1 AC Milan
A formação italiana tornou-se na primeira equipa a evitar a derrota no novo estádio do campeão germânico, graças a um penalty convertido por Shevchenko.

O FC Bayern München não foi além de um empate a um golo na primeira mão dos oitavos-de-final da UEFA Champions League, frente ao AC Milan, numa noite em que o conjunto transalpino se tornou na primeira equipa a evitar a derrota no novo estádio do campeão germânico.

Empate com Rui Costa no banco
Uma grande penalidade transformada por Andriy Shevchenko na etapa complementar anulou a vantagem adquirida pelos anfitriões com o espectacular golo de Michael Ballack que, ao intervalo, ilustrava a justiça do resultado. Apesar de toda a pressão exercida, os alemães não conseguiram apontar o segundo golo, num encontro altamente disputado que foi seguido pelo português Rui Costa a partir do banco de suplentes do Milan.

Kahn afastado
Ironicamente, a noite infeliz do Bayern começou a desenhar-se a 30 minutos do início da partida, quando se percebeu que o guarda-redes Oliver Kahn não conseguira recuperar de uma lesão numa coxa. Curiosamente, os bávaros nunca tinham sofrido qualquer golo com o substituto de Kahn entre os postes, o jovem Michael Rensing, titular da selecção de Sub-21 alemã. E foi a esse registo positivo que se agarraram os germânicos.

Perigo pelas alas
A formação da casa demorou algum tempo a encaixar no estilo voluntarioso do AC Milan, num grande duelo entre antigos campeões europeus, mas Zé Roberto e Hasan Salihamidžić, no flanco direito, e Philipp Lahm - de regresso à titularidade juntamente com Salihamidžić -, na esquerda, começaram a colocar problemas aos homens de Carlo Ancelotti pelas zonas laterais. Um cabeceamento de Ballack, após centro bem medido de Salihamidžić (12), que saiu por cima da barra, foi o momento mais vistoso do Bayern nos primeiros minutos.

Ballack soberbo
Entretanto, os visitantes davam a entender que o guarda-redes Rensing poderia ter uma noite particularmente atarefada, explorando a velocidade de Andriy Shevchenko através de vários lançamentos longos a partir da sua defesa. No entanto, com a estrela dos transalpinos, o brasileiro Kaká, a protagonizar um início de partida apagado, coube à unidade criativa dos alemães, o internacional Ballack, a maior fatia de destaque. O capitão encontrou espaço fora da área para recolher uma bola perdida e disparou com mestria, efectuando um remate em arco que entrou no ângulo esquerdo da baliza de Dida.

Dida imenso
Roy Makaay poderia ter dobrado a vantagem momentos depois, com um remate à boca da baliza, mas viu o guarda-redes do Milan opor-se com determinação. E destino idêntico tiveram um livre muito bem marcado por Lúcio e uma boa tentativa de Claudio Pizarro, sempre com o guardião brasileiro em plano de destaque. Os italianos sentiam dificuldades para sair do seu meio-campo e voltaram a ser bafejados pela sorte quando, à beira do intervalo, Makaay desperdiçou outra boa ocasião.

Milan intensifica pressão
O Milan aumentou o ritmo após o intervalo, com Shevchenko - que fez dupla com Alberto Gilardino em detrimento de Filippo Inzaghi - a recuar para o meio-campo sempre que era necessário apoiar Kaká. Igual relevância tiveram, ainda, os desempenhos de Andrea Pirlo e Gennaro Gattuso, que conseguiram, finalmente, encontrar a melhor forma de travar o jogo de Ballack. No entanto, os visitantes ainda não haviam construído qualquer oportunidade de golo, agora com Gilardino muito activo no ataque, em contraste com os defesas-centrais dos bávaros, Lúcio e Valérien Ismaël, que se revelavam demasiado estáticos.

Castigo máximo como recompensa
Ironicamente, acabaria por ser o defesa francês a criar condições para o regresso do Milan à discussão da partida. Ismaël parecia, de facto, estar de braços cruzados quando um centro de Serginho - de volta à equipa, tal como Jaap Stam, para substituir os lesionados Cafu e Paolo Maldini - foi interceptado pelo braço do defesa dentro da área do Bayern. Shevchenko não errou na conversão do castigo máximo e, aos 57 minutos, a igualdade voltava ao marcador.

Gilardino desperdiça
O Bayern quase descia do Céu ao Inferno pouco depois, quando uma perda de bola de Lahm no meio-campo do Milan originou um rápido contra-ataque, iniciado por Shevchenko e finalizado por Gilardino. Isolado, o atacante desperdiçou, mas o Milan começava, finalmente, a exercer algum ascendente sobre o adversário.

Rensing debaixo de fogo
O encontro ainda reservou mais um momento dramático para um guardião, concretamente o brasileiro Dida, que abandonou a partida lesionado, sendo rendido pelo australiano Zeljko Kalac - que se tornou no segundo guarda-redes da noite a estrear-se na UEFA Champions League. Todavia, foi Rensing quem esteve debaixo de fogo, efectuando uma excelente intervenção a remate de Shevchenko (por esta altura, o grande protagonista do encontro), desferido aos 72 minutos, numa fase em que o internacional ucraniano era o principal dinamizador do ataque do Milan.

Bayern pressiona
Magath respondeu ao crescimento do Milan com a introdução de sangue novo na equipa, lançando Ali Karimi e Mehmet Scholl. Porém, apesar de as mudanças terem refreado o ímpeto ofensivo dos italianos, o Milan continuou a ter, no sector recuado, a serenidade suficiente para inviabilizar a vitória do Bayern. E são esperadas dificuldades ainda maiores para a formação bávara em San Siro, no encontro da segunda mão, que se disputa dentro de duas semanas.

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