Novo relatório do Panorama dos Clubes mostra Europa unida
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022
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A UEFA divulgou a 13ª edição do relatório do Panorama do Futebol dos Clubes Europeus, o seu documento anual de "benchmarking" de licenciamento de clubes.
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Embora o relatório forneça, mais uma vez, a visão mais confiável, precisa e detalhada do cenário financeiro do futebol europeu, a nível de competições e jogadores, a edição deste ano também fornece uma actualização sobre o efeito sísmico que um segundo ano marcado pelo impacto da COVID-19 teve nos clubes das principais ligas.
Aleksander Čeferin, Presidente da UEFA no prefácio do relatório:
"No prefácio do ano passado, expressei a esperança de que pudessemos ter um vislumbre de recuperação – e vimos isso mesmo. Com as temporadas 2021/22 a chegar a meio, as assistências estão a mostrar sinais de uma forte recuperação. Este é um importante indicador do estado dos clubes e foi alcançado graças a enormes esforços na organização de jogos e no desenvolvimento de protocolos sanitários eficazes em toda a Europa."
Veja o relatório Panorama do Futebol dos Clubes Europeus
Uma das descobertas mais marcantes do relatório é que a maioria das receitas perdidas, cerca de 4,4 mil milhões de euros, vem de quebras de bilheteira, com esse fluxo de receita praticamente eliminado (quebra de 88%) durante o ano financeiro de 2020/21 como um resultado de bancadas vazias devido à pandemia. As receitas de bilheteira contribuíram com apenas 2% das receitas dos clubes em toda a Europa, abaixo dos 16% pré-pandemia.
Naturalmente, a perda nas bilheteiras teve um impacto profundo nas finanças gerais dos clubes. O relatório mostra que o efeito geral do impacto da pandemia nas receitas dos clubes nas temporadas 2019/20 e 2020/21 deve rondar os sete mil milhões de euros.
Contudo, a publicação mostra que duas formas principais de receita dos clubes continuam fortes. O relatório mostra receitas de televisão consideráveis em 2021, após interrupções e cortes em 2020. Além disso, o novo ciclo de direitos de competições de clubes da UEFA (2021/22–2023/24) viu um crescimento adicional nas receitas de direitos de transmissão.
Mil milhões de euros em investimento no futebol jovem
Os prémios monetários vão aumentar para mais de 2,7 mil milhões de euros por ano, para serem divididos entre os 96 clubes participantes nas três competições de clubes. Prevê-se que os pagamentos de solidariedade para o desenvolvimento de futebol jovem aos clubes não qualificados para as competições de clubes da UEFA aumentem mais de 60%. Desde o início da UEFA Champions League, mais de mil milhões de euros foram distribuídos a mais de 1500 clubes e academias em toda a Europa para investimento nos jovens.
O relatório também mostra que os jogadores com 23 anos ou menos representaram 55% do total de gastos com transferências (em valor) nos 20 maiores mercados de transferências da Europa, em comparação com uma média de 47% em dez anos. Isso sugere que os clubes acreditam cada vez mais que o valor pode ser encontrado em jogadores mais jovens, dado seu potencial.
Futebol feminino em foco
O relatório inclui um capítulo dedicado e detalhado sobre o crescimento e o estado do futebol feminino na Europa. Um dos principais factores que contribuem para a crescente comercialização do futebol feminino é o aumento da exposição adquirida através das transmissões de jogos. Vinte das 42 principais divisões da Europa estruturaram acordos de transmissão nacional em várias plataformas.
Há também uma secção de novos jogadores. Entre a riqueza das informações contidas nessa secção pode ver-se que entre as cinco principais ligas, os clubes da Série A italiana utilizaram mais jogadores, com uma média de 30,9 jogadores, quatro a mais do que os clubes da Premier League. O LOSC Lille apresentou o menor número de jogadores (21) de todos os clubes nas cinco ligas, com apenas o Halmstads BK, da Suécia, a utilizar menos (20) no geral. Por outro lado, o FC Schalke 04 usou 42 jogadores, a maioria dos clubes das cinco principais ligas, enquanto o PFK Tambov, da Rússia, colocou em campo 50 jogadores ao longo da temporada. O relatório também simula o provável impacto dos novos regulamentos da FIFA nos clubes europeus.
Aleksander Čeferin olha para o futuro:
"Uma lição dos últimos dois anos foi que é só mostrando solidariedade e trabalhando em conjunto que o futebol europeu pode superar desafios existenciais como a pandemia… Essa também foi uma lição extraída do chamado projecto da Super Liga. As acções egoístas de uns poucos foram frustradas pela unidade do futebol europeu – adeptos, clubes, jogadores e federações nacionais."
"Este relatório fornece detalhes preocupantes dos desafios pós-pandemia que nos esperam, mas também ilustra a notável robustez e resiliência do futebol europeu, com a sua abordagem unificada. Em última análise, a pandemia só nos tornará mais fortes… A crise provocada pela COVID também destacou até que ponto o futebol faz parte do tecido da vida europeia. O futebol era uma verdadeira tábua de salvação para muitos. Não farei previsões ousadas para o próximo ano, excepto para dizer que, quer a pandemia esteja para ficar ou não, o futebol europeu continuará forte, estável e unido em 2022."