Clima de festa em Heviz
quinta-feira, 28 de julho de 2005
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A Hungria tem sido uma excepcional anfitriã do Campeonato da Europa de Sub-19 Feminino.
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Por Kevin Ashby, em Heviz
Não é todos os dias que comemos javali ao almoço e somos conduzidos à noite pelo capitão da selecção húngara do Campeonato do Mundo de 1978: bem-vindo ao Campeonato de Europa de sub-19 Feminino.
Dois hotéis
A Federação Húngara de Futebol (MLSZ) está há uma semana a organizar a sua primeira fase final de um torneio e pode encarar os últimos sete dias com satisfação, dado o alto nível dos jogos já disputados e da excelente capacidade organizativa que os rodeou. Ao contrário de edições anteriores, os oito países finalistas foram divididos em duas bases: os anfitriões, a Finlândia, a Alemanha e a Suíça, em Buk; a França, a Inglaterra, a Rússia e a Escócia, na estância termal de Heviz, que também funciona como quartel-general do torneio.
Troca de camisolas
Foram feitas novas amizades, com as escocesas a trocarem camisolas e recordações com as suas adversárias do Grupo B, na segunda-feira, após terem sido eliminadas, tal como o fez a Hungria, 92 quilómetros mais a norte. Ambos os países competiam na sua primeira fase final a este nível e portaram-se de forma muito digna frente às campeãs do Mundo, a Alemanha, e às recentes vencedoras, a França. "Foi uma experiência fantástica para mim e para a minha equipa", afirmou o escocês Tony Gervaise, cuja presença fará falta pelo seu entusiasmo.
'Emoção'
Gervaise tinha falado antes do torneio na "emoção de um evento da UEFA", mas nada disto teria sido possível sem o comité organizador húngaro. O director do torneio, András Igaz, trabalhou de forma incansável no projecto desde Novembro de 2003, quando a MLSZ foi contactada inicialmente para organizar a fase final. "De início, foi muito difícil, porque tive de fazer tudo sozinho, desde a escolha dos estádios à elaboração do dossier de candidatura", contou Igaz ao uefa.com.
Boas condições
"Foi difícil encontrar estádios apropriados na Hungria, porque os melhores são em Budapeste e os recintos locais não tinham tão boas condições", continuou. "Melhorámos os estádios de Buk e de Andrashida para que estivessem à altura – as autoridades locais gastaram cerca de 20 milhões de forints (81.000 euros) para melhorar as bancadas e os balneários. Em Papa e Zalaegerszeg, jogam equipas da primeira divisão. Portanto, os estádios já obedeciam aos requisitos da UEFA".
Turistas alemães
O investimento feito em dinheiro e tempo foi recompensado com uma média de 1,062 espectadores nos jogos da fase de grupos: a MLSZ tinha os 500 como objectivo e chegaram a faltar bilhetes em algumas ocasiões. "Foi um problema agradável", diz Igaz, sorrindo. Recebemos adeptos de todas as nações participantes, os ruidosos ingleses, os sempre bem-dispostos suíços e os alemães, que vieram dar o seu apoio às favoritas.
Caras famosas
A distância entre os locais da competição pode obrigar a viagens cansativas por estradas em más condições, mas tal não tem relevância quando o homem ao volante é Zoltán Kereki, capitão húngaro no Mundial da Argentina e agora director para o futebol jovem da MLSZ. Entre outras caras famosas, estão, também, as do membro do grupo de acompanhamento da UEFA, György Mezey, o último treinador a qualificar a Hungria para um Mundial, em 1986, e a do presidente da MLSZ, Imre Bozóky, um antigo árbitro assistente de primeira categoria que tem marcado presença nos jogos e nas ocasiões sociais.
Comida e bebida
Estas últimas não faltam, já que os húngaros são muito hospitaleiros e não trocam nada por uma bebida no fim de uma bela refeição. É fácil de identificar os habitantes locais: são os que estão a virar copos de palinka e de Unicum sem fazerem caretas, uma arte que alguns de nós ainda têm mais quatro dias para aprender a dominar.