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A primeira dama da Alemanha

A defesa Doris Fitschen foi a extraordinária capitã da selecção que levou a Alemanha à primeira linha do futebol feminino europeu e mundial.

Por Andreas Alf

No papel de líder da equipa que levou a Alemanha à primeira linha do futebol europeu, Doris Fitschen é considerada por muitos uma espécie de Franz Beckenbauer do futebol feminino.

Sucesso
Abrindo o caminho que Birgit Prinz e companhia tentarão continuar a percorrer neste Verão, a dotada defesa levou o seu país à conquista dos seus quatro primeiros títulos europeus e de uma medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de 2000.

Ícone
Mais significativo ainda é o facto de Fitschen se ter tornado o primeiro verdadeiro ícone do futebol feminino na Alemanha, ajudando a sua selecção a conseguir o reconhecimento que no passado só era dado aos homens. "Tive uma carreira excelente e a oportunidade de fazer parte da evolução da modalidade desde os seus passos iniciais até aos primeiros sucessos", afirmou ao uefa.com. "Ter promovido o futebol feminino na Alemanha também é um feito pessoal notável. Nunca ninguém me poderá tirar isso".

Profissionalismo
Tal como muitas das suas companheiras, esta competidora de cabelo loiro teve de começar a jogar com os rapazes da sua cidade, Zeven. Quando as lesões a obrigaram a colocar um ponto final na carreira, em 2001, Fitschen tinha percorrido um longo caminho, desde os primeiros toques na bola nas ruas da pequena localidade pesqueira até ao profissionalismo nos EUA.

"Experiência fantástica"
"A oportunidade de jogar futebol como profissional nos Estados Unidos foi fantástica", explica. "De repente, estava a ganhar dinheiro através do futebol e não tinha de fazer mais nada a não ser treinar e jogar perante 8.000 a 10.000 pessoas todas as semanas. Estava habituada no meu país a que estivessem apenas 500 pessoas a ver os jogos".

Golo histórico
Não foi apenas no seu país que fez história. Como capitã da equipa Philadelphia Charge, marcou o primeiro golo da história do campeonato norte-americano de futebol feminino (WUSA), um momento histórico que tenta desvalorizar com a sua habitual modéstia: "Vou lembrar-me desse golo para sempre, sobretudo pela forma como o marquei. Foi um dos piores 'penalties' que apontei, mas, às vezes, é preciso um pouco de sorte".

Títulos
Não foi só com sorte que Fitschen conquistou três campeonatos da Alemanha, três Taças da Alemanha e uma Supertaça, antes de atravessar o Atlântico. E também não foi por acaso que foi somou 144 internacionalizações pelo seu país ou que recebeu um prémio da UEFA pela sua contribuição no desporto.

Nova perspectiva
Hoje continua a servir a modalidade, trabalhando no departamento de marketing da Federação Alemã de Futebol (DFB), o que alterou por completo a sua perspectiva do jogo. "Quando era jogadora, fazia a viagem para os jogos internacionais, jogava durante 90 minutos e depois voltava para casa", disse. "Nunca pensei no que é necessário fazer para organizar tudo. Dá, realmente, muito trabalho trazer as pessoas aos estádios e preparar as coisas, por exemplo para as transmissões televisivas".

Dedos cruzados
Graças a esta nova perspectiva, Fitschen acredita que o próximo UEFA WOMEN'S EURO 2005™, em Inglaterra, será um sucesso a todos os níveis. "Trata-se de um país com muita experiência na organização de grandes torneios. Estou convencida de que muitos espectadores irão aos jogos e espero, com os dedos cruzados, que a equipa inglesa chegue o mais longe possível na competição", referiu.

Mistura explosiva
Longe demais não, claro, porque a lendária defesa continua a ser uma adepta fervorosa da selecção alemã. "A nossa equipa actual é uma excelente mistura de estrelas experientes com jovens talentos", diz. "Não tenho dúvidas de que será uma das candidatas ao título".

Presente de despedida
As actuais campeãs europeias parecem, de facto, ter qualidade para lutar pelo título, e Fitschen considera que estarão ainda mais motivadas do que o habitual. "As jogadoras devem ter em mente que este será o último grande torneio da seleccionadora Tina Theune-Meyer, depois de quase 20 anos de trabalho na DFB. Penso que a equipa fará um esforço adicional para tentar oferecer-lhe o presente de despedida perfeito".

Primeira dama
Theune-Meyer merecerá todo o crédito se conseguir levar a equipa ao sexto título europeu, mas o futebol feminino na Alemanha nunca esquecerá tudo o que deve à sua verdadeira primeira dama, Doris Fitschen.

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