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Como é que os jogos vão ser arbitrados nas provas da UEFA esta época?

A UEFA

Num encontro especial com os media no Mónaco, Roberto Rosetti, responsável pela arbitragem da UEFA, apresentou as Leis do Jogo actualizadas, a forma como serão interpretadas nas nossas competições e a nossa abordagem às intervenções do vídeo-árbitro assistente (VAR).

Como é que os jogos vão ser arbitrados nas provas da UEFA esta época?
Getty Images

Clareza e consistência nas decisões de arbitragem são cruciais para o crescimento e sucesso contínuos do futebol europeu.

Antes do sorteio da UEFA Champions League no Mónaco, Roberto Rosetti, responsável pela arbitragem da UEFA, explicou como as Leis do Jogo actualizadas estão a ser implementadas nas competições da UEFA (também publicadas na Carta Circular da UEFA Nº 46, de 2 de Julho de 2026), bem como a forma como estamos a trabalhar para garantir a aplicação consistente do VAR em toda a Europa.

No início deste Verão, Rosetti reuniu-se com os homólogos das 55 federações-membro para garantir uniformidade sobre os princípios fundamentais que deveriam ser adoptados, com todos os clubes que participam nas competições da UEFA a terem direito a uma reunião informativa antes do arranque da fase de liga.

"A ideia agora é partilhar o que já partilhámos com as nossas federações-membro e os responsáveis pela arbitragem", disse Rosetti. "Queremos implementar as mesmas Leis do Jogo não só nos jogos da UEFA mas em todo o futebol europeu".

"Temos de ser consistentes em campo e alinhados em todas as competições, para que, se formos ao Azerbaijão, Inglaterra, Finlândia, França ou Turquia, estejamos alinhados, unidos e a trabalhar em conjunto".

Abaixo, analisamos como as novas Leis do Jogo serão implementadas nas nossas competições desta época.

Reduzir atrasos desnecessários

 

Os árbitros apoiarão medidas que acelerem o reinício do jogo, preservem a sua intensidade, reduzam atrasos desnecessários e evitem períodos de descontos longos.

"Seremos muito rigorosos nestas situações", disse Rosetti. "Gostamos de acelerar o recomeço do jogo e não gostamos que os períodos de desconto sejam muito grandes. Todas as novas regras sobre perdas de tempo já mostraram resultados positivos tanto nas competições nacionais como nas da UEFA, com a bola mais tempo em jogo".

Jogadores substituídos

Quando um jogador é substituído, deve abandonar o terreno de jogo no espaço de dez segundos. Se isso não acontecer, o jogador que entra terá de aguardar até à primeira paragem desde que tenha passado um minuto após o reinício do jogo.

Jogadores que recebam assistência médica

Além disso, quando um jogo é interrompido para que um jogador receba assistência médica, esse jogador deve ficar de fora durante um minuto, contado a partir do momento em que o jogo recomeça. Esta regra não se aplica aos guarda-redes nem quando existe um choque entre um jogador de campo e o guarda-redes e ambos necessitam de assistência, com excepções adicionais, incluindo quando o jogador lesionado sofre uma falta que resulta num cartão amarelo ou vermelho para o adversário, quando dois colegas se lesionam numa colisão ou quando é assinalado penálti e o jogador lesionado será o marcador.

Lançamentos laterais e pontapés-de-baliza

A demora na execução de um lançamento lateral ou pontapé-de-baliza pode resultar num canto para a equipa adversária, com o árbitro a conceder uma contagem decrescente de cinco segundos para que os jogadores voltem a colocar a bola em jogo.

Agora, quando um jogador for substituído, tem de deixar o relvado no espaço de dez segundos
Agora, quando um jogador for substituído, tem de deixar o relvado no espaço de dez segundosUEFA via Getty Images

Novas medidas VAR

Existem novas áreas nas quais o VAR pode agora intervir para auxiliar o árbitro na tomada de decisões.

Identidade trocada

Erros de identificação podem ser revistos pelo VAR quando o árbitro pune o jogador errado por uma infracção por ele assinalada. A decisão sobre a infração em si não pode ser revista, estando a revisão limitada apenas à correcta identificação do jogador infractor.

Segundo cartão amarelo incorrecto

O segundo cartão amarelo claramente atribuído de forma incorreta pode agora ser revisto pelo VAR, que pode solicitar ao árbitro que visualize o lance no monitor e cancelar o cartão amarelo, permitindo que o jogador continue em campo.

Falta por parte da equipa atacante antes da bola estar em jogo

O VAR pode agora intervir quando a equipa atacante comete uma infracção clara antes da bola ser colocada em jogo na sequência de um livre ou canto, impactando directamente no golo daí resultante, penálti assinalado ou outra sanção. Quando o VAR intervém, o golo, penálti ou sanção são anulados e o livre ou canto é repetido.

Pontapé-de-baliza e subsequente lance de mão na bola

Quando a bola está parada dentro da área e é pontapeada por qualquer jogador, considera-se que o pontapé-de-baliza foi cobrado. Depois, se um colega do guarda-redes tocar deliberadamente na bola com a mão ou braço dentro da área deve ser assinalado penálti. Esta decisão foi tomada para garantir consistência e evitar julgamentos divergentes, estabelecendo uma aplicação uniforme das Leis do Jogo neste aspecto.

Existem novas áreas nas quais o VAR pode agora intervir para ajudar o árbitro
Existem novas áreas nas quais o VAR pode agora intervir para ajudar o árbitro AFP via Getty Images

Alterações opcionais às regras

 

A IFAB, responsável pelas leis do jogo, confirmou que algumas das alterações para esta época são "opções da competição", a ser implementadas se o organizador relevante da competição assim o entender. Abaixo, explicamos como serão tratadas estas regras opcionais nas competições da UEFA.

Cantos assinalados de forma incorrecta

Nos jogos da UEFA, os cantos atribuídos incorretamente só serão revertidos para pontapé-de-baliza em casos muito claros, nos quais a revisão possa ser concluída de imediato e sem atrasar o reinício do jogo. Um pontapé-de-baliza assinalado incorrectamente não pode ser alterado para canto.

Jogadores que tapem a boca para falar

NÃO iremos, por si só, considerar o acto de um jogador tapar a boca quando fala com um adversário como passível de cartão vermelho. No entanto, os árbitros poderão considerar o acto de tapar a boca para ocultar a comunicação como conduta antidesportiva e, por conseguinte, mostrar um cartão amarelo. Poderão ser instaurados inquéritos ou procedimentos disciplinares adicionais em consequência deste comportamento.

Jogadores que saiam do relvado em protesto

Não iremos exercer a opção de mostrar o cartão vermelho a jogadores que abandonem o relvado em protesto. No entanto, sublinhamos o princípio agora incluído nas Leis do Jogo de que "...quando uma equipa é responsabilizada pela interrupção e/ou abandono de um jogo por ter menos de sete jogadores, o jogo será considerado perdido por essa equipa, sujeito aos regulamentos da competição aplicáveis" (Carta Circular IFAB Nº 33). Este princípio – numa concepção mais abrangente, não se limitando ao número de jogadores disponíveis – está reflectido em todos os regulamentos de competição da UEFA.

Cooperação entre árbitro e capitão

Vamos continuar a desenvolver a abordagem implementada com sucesso no UEFA EURO 2024, com o protocolo de cooperação entre capitães e árbitro a fomentar um maior respeito pelos árbitros.

Os árbitros vão continuar a fornecer informações aos capitães sobre decisões importantes do jogo e apenas estes jogadores devem abordar ou falar com o árbitro, e sempre de forma respeitosa. Qualquer jogador que ignore esta orientação ou exiba um comportamento antidesportivo e desrespeitoso poderá receber um cartão amarelo.

Os capitães continuarão a ser os únicos jogadores que podem abordar e falar com o árbitro
Os capitães continuarão a ser os únicos jogadores que podem abordar e falar com o árbitroGetty Images

Um protocolo VAR claro e consistente

 

O VAR é uma ferramenta essencial para o futebol de elite e existe para corrigir erros claros e óbvios. À medida que a sua utilização continua a evoluir, é importante que os árbitros implementem um processo de revisão claro e consistente.

Na UEFA, acreditamos na interferência mínima para o máximo benefício e estamos empenhados em ter maior consistência na aplicação do VAR, trabalhando em conjunto com as nossas federações-membro para recolocar os árbitros no centro do processo de tomada de decisões.

Isto significa aplicar uma abordagem consistente às intervenções do VAR e, para ajudar árbitros, ligas, clubes, jogadores e adeptos a compreenderem como as revisões devem funcionar, publicámos um processo de revisão do VAR padronizado para descrever como as decisões do VAR devem ser tomadas.

Clear Line: um novo guia para decisões de arbitragem no futebol europeu

 

Também este Verão, lançámos a plataforma Clear Line, um arquivo de vídeos que oferece acesso aberto às orientações que damos a árbitros e VARs para os ajudar a aplicar as Leis do Jogo de forma consistente em toda a Europa.

O Clear Line com com mais de 100 vídeos em cinco áreas principais do jogo – grandes penalidades, cartões vermelhos, faltas ofensivas, decisões factuais e erros de identificação – fornecendo exemplos claros de quando o VAR deve e não deve intervir.

"O Clear Line vai servir como ponto de referência central para jogadores, treinadores, comentadores e adeptos, ajudando a explicar a lógica por detrás das decisões da arbitragem e promovendo uma maior compreensão do processo de tomada de decisão", explicou Rosetti.

Pode ser árbitro?

Desde o lançamento da nossa campanha Be a Referee! em 2023 aumentámos o número de árbitros no futebol europeu em 90.000.

Se gostaria de se juntar a eles, então clique aqui para saber como começar no seu país!