Histórias das Pessoas da UEFA: os 31 anos de Barbara Albertoni ao serviço da UEFA
quarta-feira, 15 de abril de 2026
Sumário do artigo
Desde ingressar numa equipa de Recursos Humanos com apenas duas pessoas até dar apoio a uma força de trabalho que cresceu para mais de 800 pessoas, Barbara tem sido uma fonte constante de dedicação, cuidado e estabilidade ao longo da nossa evolução.
Conteúdo media do artigo
Corpo do artigo
Na UEFA, os nossos colegas tendem a construir connosco carreiras longas e significativas, um reflexo do forte sentido de propósito e de comunidade que define a nossa organização. E existem os verdadeiros pilares, aqueles que fazem parte desta caminhada praticamente desde o início.
Um deles é Barbara Albertoni, que celebra este ano uns incríveis 31 anos na UEFA. Testemunhou a nossa evolução em primeira mão, de uma equipa de apenas 40 colaboradores para mais de 800 actualmente. Barbara dedicou três décadas de profissionalismo, dedicação e amabilidade à UEFA, particularmente na equipa de Recursos Humanos, que cresceu de 2 para 20 pessoas sob a sua gestão.
Nesta entrevista, reflecte sobre as suas responsabilidades, os projectos que moldaram a sua carreira, as muitas transformações que testemunhou em toda a organização e os conselhos que daria a si própria há 30 anos.
As suas responsabilidades evoluíram ao longo dos anos?
Quando entrei a equipa era composta por apenas duas pessoas. Comecei como assistente pessoal do Director Administrativo, ocupando-me de tarefas como a criação de ficheiros de funcionários, actualização de descrições de cargos e regulamentos internos. Nessa altura, a UEFA contava com cerca de 40 funcionários.
À medida que a organização cresceu, o meu papel também cresceu. Tornei-me especialista em Recursos Humanos (RH) com foco no recrutamento, ajudando a UEFA a expandir-se para cerca de 280 colaboradores. Foi uma aventura fantástica que me permitiu compreender a natureza e as necessidades de cada departamento e contribuir para a construção de equipas que trabalhassem bem em conjunto.
"Tornei-me especialista em Recursos Humanos com foco no recrutamento, ajudando a UEFA a expandir-se para cerca de 280 colaboradores".
Com o tempo, assumi responsabilidades adicionais, desde a organização de cursos de formação e conferências até à coordenação de eventos sociais e iniciativas de bem-estar. Sempre acreditei que todos contribuem para fazer da UEFA um excelente local de trabalho e, no meu cargo, queria ajudar as pessoas a desenvolverem-se, a crescerem e a prosperarem. Isto levou-me naturalmente a fazer a transição para uma função de coaching, que me dá muita satisfação.
Hoje, com uma equipa de Recursos Humanos maior, as minhas responsabilidades evoluíram para uma função de especialista sénior em Cuidados e Desenvolvimento de Pessoas. O meu foco é desenvolver atributos, conhecimentos e competências para ajudar os colaboradores a crescerem, a sentirem-se apoiados dentro da organização e a lidarem com transições de carreira, promoções ou situações desafiantes que possam enfrentar.
Que mudanças testemunhou e viveu desde que está na organização?
Quando a nossa organização tinha cerca de 300 pessoas, parecia mesmo uma família. Não só nos reconhecíamos nos corredores, como nos conhecíamos pessoalmente, incluindo os pontos fortes, os desafios e até aspectos da vida pessoal de cada um fora do trabalho. Esta proximidade facilitava a ligação, a adaptação à organização e o impacto significativo.
Hoje, com uma força de trabalho muito maior, por vezes pode ser mais desafiante compreender a melhor forma de apoiar todos ou identificar que formações, ideias ou programas irão motivar os colaboradores e ajudá-los a desenvolver as competências necessárias para as suas futuras funções e projectos.
"O nível de profissionalismo, conhecimento especializado, paixão e dedicação em toda a UEFA é notável".
Dito isto, há uma beleza genuína no nosso crescimento. O nível de profissionalismo, conhecimento especializado, paixão e dedicação em toda a UEFA é notável. Temos pessoas incrivelmente talentosas a trabalhar aqui.
É maravilhoso conhecer toda a gente, mas é igualmente significativo conhecer algumas pessoas profundamente, dando prioridade à qualidade em vez da quantidade. Com mais de 800 colaboradores hoje, beneficiamos de uma rica diversidade de personalidades e culturas. O que mais me inspira é que, apesar das nossas diferenças, todos partilhamos o mesmo orgulho de estar aqui, a trabalhar pelo futebol e a procurar um objetivo comum.
Quyal foi o momento de destaque ou ponto alto da sua carreira até agora?
Um momento que me marcou foi a reforma do Sr. Aigner, antigo Secretário Geral da UEFA, em 2003. Fez um discurso poderoso e sincero, reflectindo sobre uma vida dedicada ao futebol e o seu papel na criação da Champions League. Lembrou-nos a importância da nossa humanidade, da família, da parentalidade e da vida para além do trabalho. Foi um momento autêntico e emocionante que me deixou uma impressão duradoura.
Quando recordo os projectos em que participei, orgulho-me tanto das pequenas como das grandes iniciativas que desenvolvemos em Recursos Humanos para promover um ambiente de trabalho envolvente e saudável. Seja oferecendo aos colaboradores um espaço para discutir o seu desenvolvimento de carreira, apoiando-os em momentos difíceis, sejam eles profissionais ou pessoais, ou simplesmente tendo conversas significativas, vi pessoas chegarem hesitantes, mas gradualmente abrirem-se e sentirem-se seguras para serem elas próprias. Acompanhá-las nesta jornada é algo que realmente valorizo.
O Centro de Desenvolvimento, uma iniciativa anual, é um dos projetos que me é mais querido. Permite-nos apoiar os futuros líderes, dedicando tempo a compreender as suas histórias, o seu potencial e os seus desafios, e ajudando-os a crescer como indivíduos e como gestores.
Orgulho-me também do apoio que oferecemos aos pais através de ajudas para a creche, bem como das muitas iniciativas que começaram por ser ideias simples que ousámos experimentar. O nosso desejo de incentivar a actividade física, por exemplo, transformou-se em programas regulares de saúde e bem-estar com apoio financeiro para a prática desportiva. Ver os colegas a valorizarem realmente estas iniciativas tem sido incrivelmente gratificante.
Qual foi o maior ensinamento que recolheu em 30 anos?
Aprendi que a intuição é poderosa. Durante muito tempo, não me atrevi a expressar as minhas opiniões, mas ao longo dos anos percebi que partilhar os meus pensamentos ajuda a equipa a reflectir, crescer e tomar melhores decisões.
Também passei a acreditar que as discussões difíceis são necessárias. Há muitas formas de expressar as coisas e, desde que nos mantenhamos respeitosos e empáticos, podemos construir soluções juntos. Este princípio guiou-me ao longo de todo o meu percurso.
"Há muitas formas de expressar as coisas e, desde que nos mantenhamos respeitosos e empáticos, podemos construir soluções juntos".
Como se mantém motivada e inspirada após 30 anos?
Trabalhar com pessoas é o que me mantém motivada. Estou constantemente a aprender — a compreender comportamentos, pontos fortes e vulnerabilidades — e esta descoberta contínua ainda serve de inspiração.
Tenho também a sorte de estar rodeada de colegas gentis e que me apoiam. O optimismo deles alimenta o meu e sinto-me naturalmente atraída por ambientes estimulantes. Sei que sou uma pessoa positiva e esta mentalidade ajuda-me a manter-me com energia e empenhada.
Se pudesse regressar atrás no tempo e falar com a Barbara jovem no início de carreira, que conselhos lhe daria?
Diria à minha versão mais nova para ser mais ambiciosa. Hoje quando olho para as gerações mais jovens, admiro a coragem que têm para ambicionar o sucesso. Dito isto, se tivesse de viver a minha vida novamente, provavelmente faria tudo igual; é simplesmente quem eu sou (risos). Mas aos meus filhos digo sempre: sejam ambiciosos, estratégicos e confiem em vocês.