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A fantástica história do Saarbrücken

A UEFA

Em 1955, uma equipa de um protectorado francês na fronteira com a Alemanha esteve perto de surpreender o Milan na Taça dos Campeões. Quem foi o Saarbrücken?

Werner Otto (à esquerda) em acção pelo Sarre num jogo de apuramento do Campeonato do Mundo frente à República Federal a Alemanha, em Estugarda, em 1953
Werner Otto (à esquerda) em acção pelo Sarre num jogo de apuramento do Campeonato do Mundo frente à República Federal a Alemanha, em Estugarda, em 1953 ©Getty Images

A prioridade actual do 1. FC Saarbrücken é conseguir subir da quarta divisão regional da Alemanha. No entanto, este mês o orgulhoso clube do Sudoeste germânico recorda um passado saudoso. Há exactamente 60 anos o clube juntou-se à elite do futebol europeu ao participar na edição inaugural da Taça dos Clubes Campeões Europeus.

Após a Segunda Guerra Mundial, em 1947, a região de Sarre, que faz fronteira com a França, tornou-se num protectorado francês, separado da Alemanha. Um dos seus clubes mais fortes, o 1. FC Saarbrücken, que jogava na chamada "Liga da zona francesa", foi subsequentemente convidado em 1948 a integrar a segunda divisão francesa como participante convidado, sem hipótese de pontuar. Seguiu-se a candidatura à Federação Francesa de Futebol (FFF) e a entrada na Liga francesa, mas só em 1951/52 as formações do Sarre puderam entrar na Liga alemã.

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Em 1950, o estatuto da região de Sarre levou a sua federação a integrar a FIFA e esta inscreveu o Saarbrücken para participar na edição inaugural da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1955/56. O adversário na primeira eliminatória foi a formidável formação do AC Milan, em cujas fileiras estavam as estrelas suecas Nils Liedholm e Gunnar Nordahl.

Werner Otto, veloz extremo que, tal como o próprio se descreveu, "não era bem um goleador, mas mais um assistente para golos", jogava no Saarbrücken e na selecção de Sarre durante este período. "O Milan era já um grande clube na altura", disse Otto. "Mas nós também éramos bons! Na altura, o 1. FC Saarbrücken era basicamente a selecção de Sarre."

A viagem a Milão parecia algo assustador, mas o Saarbrücken recusou ser apenas um participante na festa da primeira mão, no Stadio Giuseppe Meazza, a 1 de Novembro de 1955. Colocou-se na frente logo aos cinco minutos através de Peter Krieger, mas o Milan reagiu Amleto Frignani, Juan Alberto Schiaffino e Giorgio Dal Monte deram aos italianos uma vantagem aparentemente confortável. Na adversidade, o forte espírito de equipa do Saarbrücken manteve os jogadores coesos. "Éramos muito unidos", sublinhou Otto. "Todos sabíamos para onde correr ou como alguém faria um passe."

Essa persistência viu Waldemar Philippi reduzir a diferença antes do intervalo. E o que quer que o treinador Hans Tauchert tenha dito no balneário ao intervalo, a verdade é que teve o efeito desejado. O Saarbrücken regressou do descanso com vigor renovado e surpreendeu o Milan com golos de Karl Shirra e Herbert Martin em rápidas sucessões que garantiram uma sensacional reviravolta - Otto e os seus colegas conseguiram uma inesperada vantagem de 4-3 antes da segunda mão, em casa.

Animado com o resultado, a cidade de Saarbrücken vivia ansiosa com a antecipação do segundo encontro, a 23 de Novembro de 1955, e recebeu entusiasmada a equipa do Milan e o seu conjunto de estrelas. Os visitantes rapidamente empataram a eliminatória 4-4, golo de Valentino Valli aos oito minutos. Nada intimidado, o Saarbrücken empatou e colocou-se na frente no conjunto dos jogos através de Herbert Binkert, à meia-hora. Mas tudo começou a correr mal a 15 minutos do fim. Theodor Puff fez autogolo e colocou a eliminatória em 5-5, antes de Valli bisar pouco depois. Eros Beraldo selou o destino de Saarbrücken nos derradeiros minutos.

"Talvez [o Milan] nos tenha subestimado um pouco na primeira mão", recorda Otto. "Depois, na nossa casa, mostraram o seu valor. Mas poderia ter sido diferente. Não teria sido uma grande surpresa se tivéssemos seguido em frente. Éramos um grande clube…"

O estatuto da região de Sarre também mudaria. Na sequência de um plebiscito público em 1955, e da assinatura do Tratado de Sarre por parte de França e da Alemanha, em Outubro de 1956, a região passou a integrar a República Federal da Alemanha a 1 de Janeiro de 1957 e a Federação de Futebol do Sarre foi incluída na Federação Alemã de Futebol (DFB).

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