Vitória entre a ambição e o realismo
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
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O treinador do Guimarães, Rui Vitória, explicou ao UEFA.com como tem mantido o nível competitivo nos quatro anos à frente da equipa e qual o segredo da época positiva.
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O Vitória SC chegou à 15ª jornada da Liga portuguesa, a primeira depois do Ano Novo, no terceiro lugar, a três pontos do FC Porto e a nove do líder SL Benfica. Ocupar o pódio não é uma novidade para os homens de Guimarães, mas em 2014/15 fica o registo de uma época sólida e consistente, melhor do que a conseguida na temporada anterior por esta altura.
O ano de 2014 é, assim, de renovada ambição para o emblema comandado por Rui Vitória, apesar de anualmente ser obrigado a reconstruir as suas equipas. O treinador dos minhotos - que em 2012/13 conquistaram a Taça de Portugal - falou em exclusivo ao UEFA.com para explicar a época surpreendente da sua equipa, como consegue manter o nível competitivo ano após ano e quais as perspectivas para 2015.
O pódio é um prémio que Rui Vitória recebe com agrado, dado as dificuldades que o cargo por vezes acarreta, os menores argumentos para manter a qualidade dos plantéis e as consequentes expectativas menos ambiciosas em torno da equipa, especialmente externas. "Tem sido uma época fantástica. Tem superado todas as expectativas das pessoas do futebol em Portugal, mas também as nossas, apesar de ambicionarmos o sucesso", explicou o treinador, que faz questão de valorizar ainda mais o que tem sido alcançado.
"Tudo o que conseguimos verifica-se num contexto de crise. Trabalhamos com alguns jogadores praticamente desconhecidos, provenientes de divisões inferiores. O nosso trajecto tem sido muito positivo e tal deve-se à estabilidade que se vive no clube, bem como ao grande envolvimento de todos e à comunhão de ideias", afirmou, revelando que o projecto gira "em torno do desenvolvimento de jogadores jovens e do futebol de formação". Ainda assim, o balanço é muito favorável. "Há que olhar para os nossos opositores directos e notar que estamos a falar de realidades diferentes. Se pesarmos a relação entre investimento e rendimento, penso que o nosso saldo é muito bom, comparado com esses clubes com mais meios."
Pouco antes do final do ano de 2013, o V. Guimarães ocupava o quinto lugar, com 23 pontos (terminou em décimo, com 35), e agora está no terceiro. Rui Vitória não tem dúvidas sobre os motivos para esta melhoria do desempenho da sua equipa. "Há que realçar a evolução verificada em toda a estrutura, desde o funcionário menos visível até ao presidente. Por outro lado, esta época teve um arranque estável, sem UEFA Europa League e sem resultados menos bons nessa competição, que no ano passado afectaram negativamente os jogadores. Conseguimos trabalhar com tranquilidade e fazer com que os atletas assimilassem os nossos princípios. Tudo ficou mais fácil."
Alguns jogadores têm dado nas vistas e brilhado pela equipa, sendo alguns perfeitos desconhecidos até agora. Porém, os seus nomes começam a deixar marca na Liga portuguesa. "Não há em Portugal e na Europa uma relação qualidade/preço como a que se encontra no Vitória. Temos futebolistas fantásticos que tiveram um crescimento brutal, atletas que não eram conhecidos. Há nomes mais mediáticos, como o Hernâni, o Bernard [Mensah], o André André, mas também outros como o Bruno Gaspar, o [Adama] Traoré, que descobrimos na Austrália, os nossos centrais... Enfim, todos são importantes", realça o técnico.
Esse assimilar de ideias e crescimento individual aconteceu ao mesmo tempo que se verificavam alterações no plantel. Uma realidade com a qual Rui Vitória tem sabido lidar. Qual o segredo? "Não há nenhum. É o reflexo de uma filosofia de trabalho. Fala-se muito de jogadores com estatuto e já formados, mas preferimos olhar para os futebolistas despidos da sua capa, para as suas capacidades e não para os rótulos que lhes são colocados. Temos a porta aberta para que possam agarrar as oportunidades, com condições para trabalharem e jogarem."
Seja ou não a receita certa, a verdade é que Rui Vitória já está na quarta temporada ao serviço dos vimaranenses. Na primeira, em 2011/12, levou a equipa ao sexto lugar. Depois veio a conquista da Taça e um nono posto, antes do décimo na época passada. Um "casamento" feliz que tem dado os seus frutos. "Sinto-me muito bem no Vitória. Não são as questões meramente financeiras que me movem, mas as emocionais. Há uma ligação estreita e uma comunhão de ideias. Existe um grande envolvimento entre a parte técnica e a administrativa e isso é um trunfo para o clube", justificou.
Para 2015 a ambição mantém-se, embora com "racionalidade", como Rui Vitória faz questão de sublinhar. "Não há equipa com mais ambição que a nossa. Tentamos sempre olhar jogo a jogo, para os três pontos. Não fazemos cenários nem muitas contas, estamos focados no rendimento da equipa e nos resultados, e no que podemos melhorar. Não nos consideramos muito melhores que os outros, mas temos qualidade para fazer um campeonato interessante." Isto apesar de alguma incerteza no futuro próximo. "Vai abrir o mercado de transferências, por isso, logo se verá o que podemos alcançar."