Lito e o Belenenses: Balanço e futuro
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
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Lito Vidigal diz ao UEFA.com ter sido "um risco tremendo" rumar ao Belenenses e revela um desejo para 2015: "Seria fantástico estar na final da Taça de Portugal."
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No comando técnico do CF Os Belenenses desde Março de 2014, Lito Vidigal conta ao UEFA.com ter sido “um risco tremendo assumir o cargo”, confessa-se adepto do clube e revela desejo para 2015: “Seria fantástico estarmos presentes na final da Taça de Portugal.”
Terceiro timoneiro da equipa do Estádio do Restelo durante a temporada passada – a primeira de regresso à Liga portuguesa depois de três anos no escalão secundário –, Lito Vidigal, de 45 anos, conseguiu manter entre a elite o Belenenses, ao qual chegou a sete jornadas do fim do campeonato e em posição de descida de divisão.
Após a tormenta da edição anterior, a nau “azul” começou a época corrente a navegar por águas bem mais tranquilas e chegou mesmo a ocupar o quarto lugar à 10ª jornada, na sequência de três vitórias seguidas. "Queremos sempre o máximo e esperamos sempre o melhor", avança. "Mas, ao mesmo tempo, sou realista e sei que estamos a fazer uma campanha muito acima da média porque nem sequer estamos estruturados para isso. Deve-se, acima de tudo, a muito trabalho, a bastante crer, muita ambição."
"Estamos no início da época e bem classificados, na Taça de Portugal e na Taça da Liga, mas temos um plantel curto e limitado, mesmo em número", reconhece o antigo seleccionador de Angola – país onde nasceu – e ex-treinador de AEL Limassol FC, UD Leiria e CF Estrela da Amadora. "As maiores dificuldades ainda estão para vir. Vamos continuar a trabalhar com muita dedicação. Se temos vindo a trabalhar muito para estar nesta posição, teremos de reforçar o que foi feito para assim nos mantermos."
Taça de Portugal, #Belenenses, 2 - Freamunde, 0. Golos de Abel Camará e Pelé #tweetpastel #RumoAoJamor
— Os Belenenses (@CFosBelenenses) December 16, 2014
Lito Vidigal atingiu recentemente o número redondo de 50 jogos na Liga portuguesa como técnico, na derrota por 1-0 frente ao SC Braga, em casa, a 13 de Dezembro. Contudo, a estatística diz-lhe pouco e na hora de eleger o momento mais marcante de 2014 no Belém nem hesita. “Chegar aos 50 jogos não teve qualquer significado”, desvaloriza. "Significado teve quando conseguimos a manutenção, isso sim. Foi um ano duríssimo para o Belenenses, dois/três meses para mim. Era importante continuar na I Liga porque, se calhar, disso dependia também o futuro próximo do clube."
"Foi um risco tremendo assumir o cargo naquelas circunstâncias, mas felizmente conseguimos o objectivo. As coisas correram de feição e foram positivas, cresci como treinador e também houve algum reconhecimento pela minha carreira, mas os riscos eram maiores do que isso. O mais importante foi a continuidade do Belenenses na I Liga."
LJogador do histórico emblema de Lisboa durante sete anos, entre 1995 e 2002 – além de três no SC Campomaiorense (entre 1992 e 1995) e da última época como atleta no GD Santa Clara, em 2002/03 –, Lito Vidigal assume sem pejo ser adepto dos "azuis" do Restelo, mas recusa qualquer implicação de maior exigência no posto. "Não sinto mais pressão; responsabilidade sim", salienta. “Representei o Belenenses durante sete épocas; é muito tempo. Tenho simpatia pelo clube, gosto do Belenenses, sou do Belenenses. Existe um sentimento especial, para além de ser profissional, por isso a responsabilidade é ainda maior."
Nas competições da UEFA – das quais está arredado desde 2007/08, quando perdeu por 3-0 no conjunto das duas mãos da primeira eliminatória da Taça UEFA, diante do poderoso FC Bayern München (1-0 fora, 2-0 em casa) –, o maior feito do Belenenses aconteceu com outro clube oriundo da Alemanha. Em 1988/89, com duas vitórias por 1-0 fora e em casa, apurou-se para a segunda ronda da Taça UEFA ao afastar o Bayer 04 Leverkusen, detentor do troféu e então orientado pelo prestigiado Rinus Michael que, poucos meses antes, levara a Holanda à conquista do Campeonato da Europa da UEFA de 1988.
Ciente das limitações, Lito Vidigal não descarta voltar a ver um dia o Belenenses a jogar na Europa. E se o objectivo primordial passa por manter o clube no escalão principal do futebol lusitano, o treinador desvenda outra ambição: "Tentamos fazer das fraquezas forças para o Belenenses voltar às noites europeias, mas gostava que estivéssemos presentes numa final da Taça de Portugal. Seria fantástico. Mas isso são desejos, sonhos, a realidade é outra coisa."