Mensagem de Não ao Racismo entregue
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
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Não ao Racismo é a mensagem que a UEFA quer passar esta época, na qual serão introduzidas medidas disciplinares mais severas para punir condutas racistas nos seus jogos.
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A UEFA dá início à época 2013/14 das competições europeias de clubes com uma mensagem clara e largamente aceite de que o racismo, a intolerância e a discriminação não têm lugar no futebol e devem ser banidos da modalidade.
Não ao Racismo foi a mensagem no arranque da temporada esta semana no decurso dos eventos no Mónaco e continuará a ser o toque de clarim dado pela entidade máxima do futebol europeu e pelos seus parceiros para que haja consciência, a par do agravamento de uma série de medidas altamente visíveis, especialmente nos jogos da UEFA Champions League e da UEFA Europa League.
A UEFA mostrou aos jornalistas presentes no Mónaco um vídeo no qual uma série de celebridades do futebol - incluindo o vencedor do Prémio Melhor Jogador da UEFA na Europa 2013/13, Frank Ribéry, bem como homens e mulheres jogadores e árbitros - salientando que tudo deve ser feito para garantir que os racistas sejam expulsos do futebol.
A mensagem de Não ao Racismo vai ser exposta em cerca de 340 jogos no decorrer desta época. Em particular, haverá painéis luminosos à volta dos estádios apelando com o anúncio Não ao Racismo e uma bandeira Não ao Racismo desfilará quando as equipas estiveram alinhadas. Às empresas que fazem a transmissão dos jogos será também fornecido material. A par disto, terão lugar actividades específicas, como é habitual, na terceira jornada da UEFA Champions League e da UEFA Europa League, com as duas competições a actuarem como uma plataforma de eleição para a campanha antiracismo do futebol.
“A mensagem é muito clara da parte do futebol europeu, temos de combater o racismo. É o suficiente, por agora, no que diz respeito a tudo o que pode ser ouvido nos estádios e de alguns jogadores", disse o Presidente da UEFA, Michel Platini. “Será uma mensagem forte que queremos passar ao longo da época e por toda a Europa.”
Os órgãos disciplinares da UEFA abriram 102 processos de racismo nos últimos cinco anos, incluindo 11 ocorridos esta temporada. Este ano, a UEFA reforçou a sua posição contra o fenómeno. Foi criada nova regulamentação para todas as competições da UEFA. Em resultado disso, qualquer jogador ou responsável da equipa considerado culpado de conduta racista pode ser suspenso, pelo menos, durante dez jogos (ou a mesma correspondência de tempo para os representantes do clube). Se os adeptos de um clube ou selecção se envolverem em comportamentos racistas, tal deve ser sancionado (para uma primeira ofensa) com a interdição parcial do estádio onde ocorreu o incidente racista. No caso de reincidir, a interdição passa a total, agravada ainda com uma multa pecuniária. Acresce ainda que os adeptos considerados culpados deverão ser impedidos de comparecer aos jogos em casa pelas autoridades locais.
A UEFA e as federações-membro adoptaram também uma resolução no XXXVII Congresso da UEFA, que enfatizou a determinação do futebol europeu em eliminar o racismo do desporto. Daqui decorre que a UEFA e as federações vão intensificar os esforços para erradicar o racismo do futebol. A resolução apela a jogadores e aos treinadores para que colaborem com a campanha e insta os árbitros a parar ou mesmo abandonar partidas em caso de incidentes racistas. Como parte de uma postura de tolerância zero para com o racismo, são exigidas sanções rigorosas nas decisões contra funcionários, jogadores e adeptos culpados de comportamento racista.
Os árbitros e delegados podem actuar contra o racismo com base nas directizes emitidas pelo Comité Executivo da UEFA no Verão de 2009. Se um árbitro foi avisado ou tem conhecimento de comportamentos racistas no estádio, ele ou ela podem parar uma partida em apelo para que parem esse comportamento através da instalação sonora do estádio e, em casos graves, os árbitros têm o poder de abandonar os jogos.
Há mais de uma década, UEFA tem em vigor uma parceria com a rede anti-racismo FARE, e ambos os corpos têm colaborado na realização de eventos, elaboração de publicações, usando a massiva plataforma pública e comercial que são os maiores jogos de futebol da Europa para passar a mensagem de anti-racismo. Os delegados da UEFA e observadores da FARE também estão em contacto durante os jogos, e esta cooperação pode levar à abertura de um processo disciplinar por conduta racista.
“Apenas uma política de tolerância zero vai permitir acabar com este mal de uma vez por todas”, disse ontem o Secretário-Geral da UEFA, Gianni Infantino no sorteio da fase de grupos da UEFA Champions League. “Todos juntos conseguiremos, e vamos vencer, dizendo Não ao Racismo.”