Puskás homenageado em estátua
terça-feira, 2 de abril de 2013
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György Szepesi e Ferenc Kovács recordaram Ferenc Puskás na inauguração de uma estátua em honra do lendário jogador da Hungria no dia em que festejaria 86 anos.
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Ferenc Puskás nasceu há 86 anos e, pouco antes daquela que seria a data do seu aniversário, foi erigida na Praça Puskás Öcsi, em Obuda, uma estátua em tamanho real do lendário jogador húngaro.
A estátua foi criada pelos escultores Gyula Pauer e Dávid Tóth a partir de uma fotografia de Puskás em que este deliciava um grupo de crianças com o seu fantástico controlo de bola, na Praça Toros de Las Ventas, em Madrid. A estátua foi erigida pelo município com o apoio de empresas e outros patrocinadores privados.
Presente na cerimónia de inauguração estiveram vários nomes famosos do futebol, entre eles György Szepesi, presidente honorário da Federação Húngara de Futebol (MLSZ), e Ferenc Kovács, antigo colega de equipa de Puskás e actual presidente honorário do Videoton FC.
Os presentes prestaram homenagem a Puskás, autor de 84 golos a nível de selecções e de 324 tentos em 372 jogos com a camisola do Real Madrid CF. Puskás conquistou sete títulos de campeão espanhol e três títulos de campeão europeu de clubes ao serviço do clube madrileno, tendo o ponto mais alto da sua carreira ocorrido em 1959/60, quando assinou quatro golos no triunfo por 7-3 do Real sobre o Eintracht Frankfurt, em Glasgow, na final da edição dessa época da Taça dos Campeões Europeus.
"Ferenc Puskás foi o melhor jogador de todos os tempos e não sou só eu a ter essa opinião", destacou Szepesi. "Ele era uma pessoa simples e directa, com um enorme sentido de humor. Era capaz de fazer piadas e de se rir com qualquer coisa. E tinha, também, uma confiança tão grande na qualidade da sua equipa que nem sequer achava que era necessariamente importante conhecer a táctica do adversário."
"Um exemplo do que estou a dizer verificou-se no Mundial de 1954, quando se dirigiu ao seleccionador Gusztáv Sebes durante a preparação da meia-final com o Uruguai. Quando viu que o técnico tinha preparado notas sobre o adversário, Puskás, que infelizmente estava lesionado para esse encontro, exclamou: 'Não se preocupe com isso! Não precisamos de saber as tácticas deles para os derrotarmos. Confie em nós, que nós damos conta do recado.' E, de facto, a nossa selecção levou mesmo a melhor, vencendo por 4-2 e garantindo um lugar na final, frente à República Federal da Alemanha, que poderíamos muito bem ter ganho se o Puskás não estivesse a contas com uma lesão tão grave."
Também o antigo colega de Puskás, Kovács, não poupou elogios ao maior goleador da história do futebol húngaro. "Tudo de bom que se pode dizer sobre alguém pode ser dito em relação a Puskás, tanto como jogador como enquanto pessoa", afirmou. Kovács contou a história de um homem de idade que se dirigiu ao autocarro da selecção quando esta estava de partida para um encontro com a Áustria. O senhor perguntou por Puskás e explicou-lhe que precisava de um medicamento, mas que não o conseguia arranjar na Hungria. Quando chegaram a Viena, Puskás levou Kovács consigo para irem comprar o tal medicamento. No regresso a Budapeste, o senhor estava à espera e não hesitou em perguntar: "Trouxe o meu remédio?". Puskás respondeu: "Sim, aqui está. As melhoras e vá lá à sua vida."
Coube ao presidente da câmara de Obuda, Balázs Bús, resumir o pensamento de todos os presentes no momento de destapar a estátua. "Geralmente, quando uma estátua é erigida, causa sempre um conflito, de um lado ou de outro, mas isso é impossível neste caso, porque se trata de Puskás."