Alex sente-se em casa
sexta-feira, 7 de maio de 2010
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O "playmaker" brasileiro Alex inspirou o Spartak até um lugar na fase de grupos da próxima UEFA Champions League e fala ao UEFA.com sobre a vida e o futebol na Rússia e as suas próprias ambições.
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Quando o organizador de jogo brasileiro, Alex Meschini, ingressou no FC Spartak Moskva, proveniente do SC Internacional, no início da época de 2009, a sua transferência foi encarada com algum cepticismo. Mas Alex já havia sido duas vezes internacional pelo Brasil e ajudado o Internacional de Porto Alegre a vencer a Taça dos Libertadores, o Mundial de Clubes e a SuperTaça Americana. Logo na sua primeira época na Rússia, apontou 12 golos e fez nove assistências para golo, ajudando sobremaneira o Spartak a alcançar a segunda posição da Liga e a qualificar-se para a fase de grupos da UEFA Champions League de 2010/11. O sub-capitão do Spartak, de 28 anos, falou ao UEFA.com sobre a vida na Rússia e o sonho de participar no Mundial de 2010.
UEFA.com: Esta é a sua segunda época na Rússia. Quais são as principais diferenças quando comparada com a primeira temporada e como qualificaria o futebol russo em geral?
Alex: A maior diferença é que agora estou perfeitamente ciente de como as coisas são aqui. O tempo em que qualquer coisa era nova para mim já passou há muito. O futebol russo ainda pode melhorar bastante no que diz respeito a técnica pura. Há alguns jogadores bastante bons, mas só isso não chega. É preciso que se invista mais nas camadas jovens e dá para perceber isso apenas pelo facto de a Rússia ter falhado o apuramento para o Campeonato do Mundo.
UEFA.com: Mas pensa que eles estão no caminho certo?
Alex: É tudo uma questão de mentalidade. Aqui, toda a gente pensa e sente o futebol de uma forma diferente, quando comparado, por exemplo, com o Brasil. Também é necessário que evoluam em termos de mentalidade. No Spartak, é um pouco diferente porque todas as pessoas que trabalham no clube são mais abertas e isso reflecte-se na equipa.
UEFA.com: Esta é a sua primeira experiência no estrangeiro. Como é que você e a sua família se adaptaram?
Alex: Há cerca de 15 anos não havia jogadores estrangeiros aqui e isso quer dizer muita coisa. No Brasil temos mais jogadores de qualidade e jogamos com mais alegria, mas, uma vez mais, tal tem que ver com a mentalidade do país. Aqui na Rússia, as pessoas são mais frias, tal como o tempo. Moscovo e São Petersburgo são boas cidades para se viver. A minha mulher e o meu filho estão a adorar a experiência. Toda a gente é bastante simpática e é muito seguro viver aqui.
UEFA.com: Já tentou aprender russo? Quão importante será?
Alex: Não posso dizer que seja fluente, mas consigo comunicar com os meus companheiros de equipa no relvado e isso é o mais importante. Por vezes, nem são precisas palavras para conseguirmos o que queremos. É essa a beleza do futebol. Tem a sua própria linguagem.
UEFA.com: Acredita que o Spartak tem tudo para ser campeão esta época?
Alex: Não creio que sejamos melhores que os nossos principais rivais, mas também não seremos piores. As principais quatro ou cinco equipas estão praticamente ao mesmo nível e, no final, vencerá a que se revelar mentalmente mais forte. Apenas temos de encarar um jogo de cada vez. É verdade que estamos a passar actualmente por algumas dificuldades, mas a Liga é uma maratona e não um "sprint".
UEFA.com: O que acha ser necessário para que o Spartak tenha sucesso na UEFA Champions League?
Alex: Não nego que temos algumas limitações, mas sinto que este grupo de jogadores poderá chegar lá, caso todos acreditem que podem jogar ao mais alto nível e frente a adversários mais poderosos.
UEFA.com: Quais são as suas ambições pessoais para o resto da sua carreira?
Alex: Se me perguntar se gostaria de representar um clube como o Barcelona, o Inter ou o Chelsea, responderia claramente que sim. Sou muito feliz no Spartak, mas qualquer jogador ambiciona melhorar a sua situação. Para já, o meu principal objectivo é participar no Mundial de 2010. Tenho essa possibilidade, especialmente porque acredito ter feito tudo o que me pediram quando fui chamado.