Papel cada vez mais importante
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
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O quinto Simpósio de Medicina da UEFA, em Estocolmo, destacou o cada vez mais crucial papel do departamento médico no futebol moderno como "a equipa por detrás da equipa".
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"Trata-se, essencialmente, de uma reunião sobre futebol, mas as questões médicas têm extrema importância para todos os desportos e em toda a sociedade". Foi com estas palavras que Mikael Santoft, secretário-geral da Federação Sueca de Futebol, lançou o quinto Simpósio de Medicina da UEFA, que decorreu em Estocolmo, entre terça e quinta-feira.
O programa incluiu, efectivamente, assuntos específicos como a análise aprofundada do rigor dos controlos antidoping nos dias de hoje; a avaliação de tratamentos cirúrgicos e não cirúrgicos para fracturas de stress no metatarso; os tempos e níveis de recuperação (entre a população em geral e nos futebolistas de elite) após a reconstrução dos ligamentos cruzados anteriores; as particularidades da medicina no futebol feminino; e a rápida resposta em cenários de paragens cardíacas no relvado e nos estádios. Ainda assim, os aspectos centrais em discussão no simpósio diziam respeito à prevenção de lesões e ao papel das equipas médicas dos clubes e das federações nacionais.
"O Simpósio revelou-se um êxito, uma vez que todos o deixaram conscientes de que as questões médicas não se encontram, exclusivamente, nas mãos dos médicos", salientou Michel D'Hooghe, presidente dos Comités de Medicina da UEFA e da FIFA. "Os cuidados médicos tornaram-se de tal forma complexos que não pode ser uma só pessoa responsável por eles. A medicina no desporto tornou-se num trabalho de equipa".
Este ponto foi reforçado pelas palavras do antigo árbitro de elite, Markus Merk. "O capital mais valioso dos jogadores é a saúde e os árbitros têm, aqui, um papel importante a desempenhar na sua protecção", comentou. "Temos de tomar decisões no momento sobre qual a forma correcta de punir um comportamento que coloque em risco o bem-estar físico e temos de fazer uma avaliação correcta do estado dos jogadores que caem ao chão. Por um lado, queremos que o jogo corra sem grandes paragens, mas temos também o dever de o parar de imediato se sentirmos que pode mesmo existir uma lesão grave".
A ética de equipa face à necessidade de proteger os jogadores esteve em destaque no primeiro dia do simpósio, durante uma apresentação de Andy Roxburgh, director-técnico da UEFA, sob o tema "A equipa por detrás da equipa". A importância do departamento médico no fluir das equipas foi, igualmente, destacada por Lars Lagerbäck, antigo seleccionador da Suécia. "Os médicos integraram sempre todas as nossas reuniões diárias, também de forma a sentirem a importância dada ao seu contributo", referiu. "A sua opinião em questões como a avaliação das performances e condições físicas individuais foi extremamente valiosa".
Entre os presentes no segundo dia do simpósio encontrou-se Lennart Johansson, presidente honorário da UEFA, que comentou: "Não faz sentido uma federação nacional contratar um especialista médico e, depois, não ouvir o que este tem a dizer".
Uma das questões colocadas nos grupos de discussão disse respeito à formas de a UEFA apoiar mais as equipas médicas. Entre as respostas encontradas, foi unânime o apreço pelo contínuo estudo sobre lesões levado a cabo pela UEFA, estudo esse que, ao fim de nove anos, cobriu já 11 mil lesões e aproximadamente 1,1 milhões de horas de treinos e jogos.
"Ouvimos, por vezes, histórias sobre o aumento da incidência de lesões, mas não é o que se passa", assegurou Jan Ekstrand, vice-presidente do Comité de Medicina da UEFA, responsável pela coordenação do estudo. "Os dados indicam, ainda assim, que um clube de topo deverá contar com uma média de cerca de 50 lesões por temporada, nove delas de maior gravidade, sendo as mais frequentes as nos tendões".
Os dados sobre lesões podem estar correlacionados com as exibições e, como salientou D'Hooghe, "se se demonstrar que a classificação nas Ligas pode ser influenciada pelo nível de incidência de lesões, trata-se de um forte argumento a ser levado até às respectivas direcções. Este simpósio em Estocolmo abrangeu uma vasta gama de assuntos e fico satisfeito por poder afirmar que todos aprendemos algo com ele e que o deixamos com ideias positivas para o futuro".