Vágner Love, o czar brasileiro
sexta-feira, 7 de março de 2008
Sumário do artigo
Prestes a iniciar a quinta temporada ao serviço do CSKA, o avançado brasileiro desvendou todos os pormenores sobre a sua vida na capital russa.
Conteúdo media do artigo
Corpo do artigo
Quando falta uma semana para iniciar a quinta temporada ao serviço do PFC CSKA Moskva, o produtivo avançado brasileiro Vágner Love desvendou, em conversa com Celso de Campos, todos os pormenores sobre a sua vida na capital russa.
Estabeleceu vários recordes de golos no seu primeiro clube, o Palmeiras...
Representei o Palmeiras quando tinha 17 ou 18 anos e bati o recorde de golos no campeonato de juniores do estado de São Paulo [32 golos em 21 jogos], que pertencia a Diego, actualmente ao serviço do Werder Bremen. Depois desse feito, fui promovido à formação principal [tornando-se melhor marcador do conjunto paulista nas duas épocas] e integrei a equipa que devolveu o clube à divisão de topo do futebol brasileiro.
A forma como alterou o seu nome está bem explicada, mas alguma vez pensou que o episódio poderia originar o final da sua carreira?
Absolutamente. Estávamos a disputar a Copa São Paulo, a maior competição de juniores do Brasil, e o treinador apanhou-me a sair do quarto de uma namorada, retirando-me da equipa. Pensei que seria o fim da linha para mim e que não voltaria a jogar, pois estávamos perante um grave acto de indisciplina. Era muito novo e pensava constantemente que nenhum clube iria querer um indisciplinado como eu!
E foi nesse momento que a sorte lhe bateu à porta...
Sim. O Palmeiras chegou à final e, na véspera do jogo, os outros dois avançados ficaram afastados por lesão. Eu regressei à equipa e realizei um dos meus melhores jogos. Portanto, não me poderiam afastar novamente! Depois, fui promovido à formação principal. Então, quando me tornei profissional, um jornalista sugeriu que adoptasse "Love" como apelido. Pensei que seria má ideia, algo que deveria esquecer. Mas o nome espalhou-se e, no final, achei que seria mesmo a melhor coisa a fazer.
Agora, é a sua imagem de marca...
Sim, é verdade. Acaba por ser aquilo que me distingue dos outros jogadores. Até o meu irmão mais novo [que vive com a mãe, no Brasil] é tratado por Lovinho!
O Vágner Love é um dos muitos brasileiros do CSKA que tiveram imenso sucesso desde a chegada ao clube, em Janeiro de 2005.
De facto, temos. Vencemos dois campeonatos, duas Taças da Rússia e o troféu mais importante de todos - a Taça UEFA. Os meus compatriotas, Daniel Carvalho, Dudu Cearense e Jô, são todos elementos fundamentais no plantel do treinador Valery Gazzaev. Penso que as três presenças nas últimas edições da UEFA Champions League deram enorme visibilidade ao CSKA e nós, brasileiros, desempenhámos um papel importante nesse sucesso.
A sua atitude nas comemorações do título, ao brincar com o ministro da Defesa, quando o cumprimentou com um 'dá cá mais cinco', gerou alguma controvérsia...
Estavam todos ali como cubos de gelo. Tínhamos acabado de vencer o nosso segundo título consecutivo e eu decidi fazer uma brincadeira, para nos podermos começar a divertir. Resulta sempre. No início, os russos parecem fechados, sérios, muito reservados. Mas quando os ficamos a conhecer, percebemos que são o máximo. Estou a adorar a minha vida em Moscovo.
Mas há uma constante especulação em torno da sua saída. Afinal, o que passa verdadeiramente?
Apenas sairei se surgir um negócio muito bom para mim e para o clube. As pessoas parecem não acreditar, mas sinto-me muito feliz aqui. Do jardineiro ao presidente, todos no clube nos tratam com grande carinho, a mim, à minha esposa, Marta, e ao meu filho mais novo, Enzo. As pessoas no clube percebem que é importante para nós, estrangeiros, sentirmo-nos bem para termos bom rendimento dentro do relvado. Eles fazem tanto por nós que me sinto verdadeiramente em casa.
Está, nesta fase, a discutir a camisola 9 da selecção brasileira com Luís Fabiano?
Se tivesse ingressado numa Liga de maior dimensão quando saí do Palmeiras, teria estado nos eleitos para o Campeonato do Mundo da Alemanha. Estive na Copa América, em 2004, com o Carlos Alberto Parreira, mas quando me transferi para a Rússia fui esquecido. Graças a Deus, quando o Dunga [seleccionador brasileiro] entrou, reparou nos brasileiros que actuam na Europa de Leste.
Já conheceu Valdimir Putin?
Quando vencemos a Taça UEFA, o senhor Putin convidou-nos para a sua residência de Novo-Ogaryovo e foi-lhe oferecida uma bola pelo nosso treinador, Valery Gazzaev. Ele envolveu-a numa coberta oriental e colocou-a no topo do troféu. Eu brinquei com ele, dizendo que estava a receber uma equipa de futebol e não uma de basquete.
E os "toques"?
Temos uma fotografia tirada enquanto ele estava a tentar [risos], mas nem um conseguiu dar! Fiquei contente por o fotógrafo ser bem rápido a tirar a foto. Definitivamente, não nasceu para o futebol.
Este artigo faz parte da edição desta semana do Magazine do uefa.com. Para ler outros artigos, clique aqui.