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Combater a violência no desporto

Intervenientes

O Secretário-Geral da UEFA, David Taylor, disse em Bruxelas ser crucial a cooperação para combater o racismo e a violência no futebol.

A conferência em Bruxelas entre a União Europeia (UE) e a UEFA foi palco de pedidos para o aumento da cooperação entre as várias entidades desportivas, judiciais e políticas europeias, para erradicar a violência do futebol e tornar os estádios mais seguros.

O compromisso da UEFA
Cerca de 150 representantes da Comissão Europeia, estados-membros, Parlamento Europeu, Conselho da Europa e organizações desportivas ficaram a par do empenho da UEFA na sua parceria e diálogo com a UE, os seus estados-membros e as respectivas autoridades. “No campo da segurança, os nossos esforços comuns podem e têm de fazer a diferença”, disse o Secretário-Geral da UEFA, David Taylor na sua intervenção.

Rumo a uma estratégia da UE
O principal objectivo da conferência - que decorre sob o lema “Rumo a uma estratégia da UE contra a violência no desporto” - é o de transmitir o forte empenho da Europa em evitar a violência e outros comportamentos negativos no seio da comunidade futebolística; propor uma variedade de medidas preventivas; e promover um diálogo consolidado entre os governos nacionais e locais, entidades de segurança, autoridades judiciais e organizações desportivas.

Cooperação estruturada
“É bastante claro que nenhuma organização pode, sozinha, resolver todos os problemas de segurança existentes nos principais acontecimentos desportivos. Precisamos de uma cooperação consolidada entre os organismos que tutelam o desporto, a União Europeia, governos, as nossas forças policiais e as várias agências governamentais que têm um papel a desempenhar. Como parte de uma abordagem prática, cada actor deve ter um papel definido”, disse David Taylor.

Abordagem efectiva
De acordo com o Secretário-Geral da UEFA, o organismo que tutela o futebol no Velho Continente tem levantado constantemente três questões básicas - assegurar um ambiente seguro durante as competições que organiza, assegurar infra-estruturas de grande qualidade e criar parcerias efectivas entre as várias partes envolvidas. “Acredito termos identificado as partes essenciais de uma abordagem que pode ter resultados positivos por toda a Europa”, continuou David Taylor.

Cooperação com as polícias
Os elementos mais importantes desta abordagem, disse David Taylor, são estádios seguros e confortáveis, sem vedações, onde o clube assume a responsabilidade durante os dias de jogo; cooperação entre as polícias dos vários países para impedir elementos desordeiros de assistirem aos encontros e um forte enquadramento legal para suportar estas medidas, incluindo suspensões e impedimentos de entrada em estádios ou de viagens; redução do número de agentes policiais nos estádios, com mais “stewards” (assistentes de recinto desportivo) e menos polícias dentro e no perímetro dos recintos, uma política de “tolerância zero” pelas autoridades desportivas na aplicação das sanções e o envolvimento mais activo de adeptos ordeiros nos esforços a longo prazo para a melhoria da cultura de adepto.

O papel da UE
“Apenas através da parceria entre organizações e órgãos desportivos, clubes, governos e forças policiais conseguiremos resultados”, reforçou David Taylor. “A UE tem um papel vital em ajudar-nos a coordenar estes esforços, e quando seja apropriado, talvez providenciar apoio financeiro para a formação de muitas pessoas que asseguram a segurança nos eventos desportivos”.

Regras definidas
David Taylor explicou o incessante trabalho desenvolvido pela UEFA nesta área - incluindo os seus esforços que visam o estabelecimento de regras e a elevação dos padrões por toda a Europa através de, por exemplo, a elaboração de instruções próprias para os clubes que participam nas competições da UEFA. Os que não corresponderam às suas responsabilidades foram punidos pela UEFA, e foi ainda providenciada educação e formação às 53 federações filiadas na UEFA, em particular através do programa de educação para a segurança nos estádios. A luta contra o racismo também continua na agenda, numa parceria bem estreita com a rede Futebol Contra o Racismo na Europa (FARE).

“Algo a aprender”
“Quando se lida com o desporto por entre tantas e tão diferentes culturas nacionais e regionais, como fazemos na UEFA, é impossível ter uma abordagem que resulte com todas em simultâneo”, explicou David Taylor. “Mas acredito que podemos elevar os níveis de qualidade, através de um conjunto de princípios-base, para que os adeptos possam viver momentos felizes e em segurança onde quer que vão. As forças policiais e os ‘stewards’ deviam viajar e ver como trabalham os seus homólogos noutros países. Todos nós temos sempre algo a aprender”.

A responsabilidade da UEFA
“Não devemos pensar que o futebol está a regressar aos dias negros de há 20 anos”, concluiu o Secretário-Geral da UEFA. “Fizeram-se grandes progressos. A UEFA continuará a apoiar os esforços desenvolvidos para a maior responsabilização dos adeptos. A violência e o racismo não têm lugar no desporto. Como organização tutelar, temos a responsabilidade de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para tornar as nossas provas seguras e com ambientes pacíficos”.