Lixa, Ribeirão e Aves voam mais alto
sexta-feira, 28 de outubro de 2005
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Este espaço do uefa.com é destinado a somente uma equipa, mas, esta semana, será repartido pelas três formações que fizeram história na Taça de Portugal.
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Por norma, este espaço do uefa.com é destinado a somente uma equipa, mas, esta semana, será repartido pelas três equipas que fizeram história na semana, garantindo a passagem à quinta eliminatória da Taça de Portugal a expensas de outras tantas formações primodivisionárias. Lixa e Ribeirão, da II Divisão B, e Aves, da Liga de Honra, assumiram-se como os denominados “tomba gigantes”, deixando Penafiel, Rio Ave e Belenenses pelo caminho, respectivamente.
Lixa goleia “lanterna vermelha”
O maior destaque foi para o Lixa. A formação da Zona Norte da II Divisão B expulsou o “lanterna vermelha” da Liga, FC Penafiel, e logo impondo a derrota mais pesada da temporada aos comandados de Luís Castro, que, recorde-se, já havia apresentado a demissão durante a corrente época, que, todavia, não foi aceite pelo presidente, o ex-seleccionador António Oliveira.
Aposta no nervosismo adversário
O herói do encontro foi o jovem dianteiro Mateus, ao apontar dois golos. Este avançado de 21 anos que chegou a Portugal proveniente de Angola para actuar nas camadas jovens do Sporting, deu apenas uma explicação para a forma como tudo se passou sob o terreno de jogo: “Eles entraram algo nervosos, percebeu-se isso, devido à situação que estão a atravessar no campeonato. Começaram bem, foram para cima de nós no início, mas começaram a falhar oportunidades, a enervar-se, e a partir daí tomámos conta do jogo. Conseguimos marcar um golo e depois tudo aconteceu de forma natural. O jogo correu muito bem para nós”, indicou o avançado do Lixa ao "site" MaisFutebol.
Um treinador (do) Caneco
A equipa da II Divisão B, que nunca passou pelo escalão maior, conseguiu o seu melhor resultado de sempre e se Mateus se destacou em campo, tal se deve em boa parte ao esquema táctico delineado pelo técnico António Monteiro, que também conhecido pela alcunha de Caneco. Monteiro, por seu turno, volta a fazer história na Taça depois de, há um ano, ter levado o Pedras Rubras, junto ao aeroporto do Porto, na primeira viagem de avião da sua história, até à Madeira, para vencer o União local, para apenas soçobrar ante o futuro vencedor da prova, Vitória de Setúbal, que, por sua vez e apesar de todas as dificuldades financeiras, continuou em prova, com um triunfo sobre o Fafe.
Aves voam mais alto
Na Vila das Aves, o Desportivo local, que, nas década de 80 e 90, teve passagens fugazes pelo escalão maior do futebol português, não teve misericórdia para com os homens da cruz de Cristo e aplicaram a quarta derrota consecutiva da época ao Belenenses. Actualmente com a sua equipa na sexta posição da tabela classificativa da Liga de Honra e candidata à subida, o treinador, Neca, concedeu a titularidade a seis elementos habitualmente suplentes ou não-convocados, adoptando uma estratégia mais próxima das aplicadas pelas equipas da Liga. A sorte coube a Mota, Filipe Anunciação, Rui Figueiredo, David, Octávio e Hernâni, que, com vontade de mostrar trabalho, não pouparam os belenenses. O único golo do encontro foi mesmo apontado por um desses elementos – Hernâni – de grande penalidade, logo aos 20 minutos.
Demissão de Carvalhal
O resultado verificado em solo avense acentuou a decepção dos adeptos e responsáveis azuis, que, na quinta-feira, demitiram o técnico Carlos Carvalhal, que, em 2002, levou o Leixões (então na II Divisão B e esta época afastado a três minutos do final do seu jogo com o Benfica, graças a um golo de Simão) a uma final da Taça de Portugal entretanto perdida para o Sporting, graças a um tento solitário de Mário Jardel.
Ribeirão maior que o Rio… Ave
O Ribeirão, também da zona Norte da II Divisão B, tal como o Lixa, também inscreveu o seu nome no rol dos tomba-gigantes, embora tenha passado à quinta eliminatória mercê de um triunfo no desempate por grandes penalidades em Vila do Conde. O Rio Ave, que tem estado a fazer um campeonato regular na Liga sob o comando do treinador que levou o Beira-Mar, nos anos 90, ao seu único triunfo na Taça de Portugal, António Sousa.
Aposta na contenção
O treinador da equipa do concelho de Famalicão, Dito, dissera no lançamento do jogo que a táctica passava por enervar a equipa do Rio Ave através da solidez defensiva, para, caso houvesse possibilidade, levar o jogo para a decisão por grandes penalidades, sem, no entanto, esquecer eventuais acções de contra-ataque. Ao fim de 120 minutos, tudo se decidiu através dos pontapés da marca dos 11 metros. Niquinha, Delson e Fábio marcaram para o Rio Ave, com Gama a falhar a terceira tentativa e Chidi a atirar à trave na quarta. Sérgio, Rego, Adriano e o veterano e ex-primodivisionário Paulo Vida deram a vitória ao Ribeirão (que incluía no guardião Lito ou no defesa Lemos outros jogadores com experiência ao mais alto nível), pois só Nélson falhou, na segunda cobrança.