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A fantástica Riise

A excelente carreira de Hege Riise ao serviço da Noruega valeu-lhe vitórias a nível europeu, mundial e olímpico.

Por Luke McLaughlin

Uma das mais famosas jogadoras da história do futebol feminino, Hege Riise, arrecadou uma notável colecção de troféus numa fantástica carreira, fazendo parte das equipas da Noruega que ganharam o Campeonato do Mundo, o Campeonato da Europa e os Jogos Olímpicos.

Talento a rodos
Descrita uma vez como tendo "seis pares de olhos", a excelente capacidade de Riise em partir do meio-campo, ler o jogo, criar lances de perigo e marcar golos pôde ser acompanhada numa ilustre carreira que a levou a clubes dos Estados Unidos e Japão, bem como a uma bem sucedida passagem pelo Asker, na Tippeligaen (Liga norueguesa).

Fanática por desporto
Nascida em Lorenskog, nos arredores de Oslo, Riise sempre foi uma fanática pelo desporto desde tenra idade, tendo dedicado muito da sua infância à prática do ski e do andebol, entre outros desportos, tendo-se dedicado, a partir dos 15 anos, exclusivamente ao futebol. Riise fala sobre o assunto: "Quando era adolescente, as pessoas disseram-me que eu era muito boa, mas no início não tive a coragem de dizer a mim mesma: "Posso ser uma jogadora de selecção".

Visionária
Tantas dúvidas parecem pouco credíveis se se atentar que esta atleta jogou 188 vezes pelo seu país, tendo marcado 58 golos. É pois, sem surpresa, que Riise fala do seu enorme talento: "O ponto forte do meu jogo sempre foi ver outras situações que as outras jogadoras não conseguiam ver. Via as movimentações, mas também conseguia sentir o jogo de maneira diferente das outras. Parece que lia os pensamentos das minhas colegas e sabia para onde elas iam".

Vitórias
Riise começou a sua carreira no clube da sua região, o Setskog/Holand, estreando-se na selecção aos 20 anos, em 1990. No ano seguinte ajudou o seu país a chegar à final do primeiro Campeonato do Mundo, com a Noruega a alcançar o seu primeiro grande triunfo em 1993, ano em que derrotou a Itália na final do Campeonato da Europa. Dois anos mais tarde, a Noruega sagrar-se-ia campeã do Mundo, graças a uma vitória, por 2-0, sobre a Alemanha, com Riise a marcar o primeiro golo.

Boas memórias
Este triunfo é uma das suas mais gratas memórias, como recorda: "Chegámos à fase final muito moralizadas, pois todas nós estávamos em forma. Era difícil sofrermos golos e fomos ficando cada vez mais fortes com o decorrer do torneio. Foi uma excelente experiência, desde o princípio até ao fim".

Surge o Japão...
Após esse torneio, Riise - que ganhou a Bola de Ouro como a Melhor Jogadora do Campeonato do Mundo - transferiu-se para o Japão, juntamente com a compatriota Linda Medalen, para jogar no Nikko Securities. A mudança cultural produziu nela uma progressão num outro aspecto do seu jogo. O estilo japonês ajudou-a a melhorar a sua coordenação motora e a técnica, qualidades que ela acredita que se desenvolvem menos no futebol europeu. Riise conta, também, a influência europeia no jogo japonês: "A mentalidade japonesa resumia-se em fazer quatro passes para o lado e depois arrancar em frente para a baliza; nós ensinámos-lhes que seria talvez melhor se se pudesse reduzir os passes laterais a apenas dois e depois seguir em frente!"

... e depois a América
Depois de dois anos no Japão, Riise regressou ao seu país para jogar no Asker, da primeira liga. Tendo participado na caminhada da Noruega rumo à medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de 1996, Riise jogou na equipa que haveria de ganhar o ouro olímpico em Sydney, quatro anos depois, rumando aos Estados Unidos nesse mesmo ano para ingressar no Carolina Courage. Riise descreve estes tempos como "os mais divertidos que o futebol lhe deu" e ficou surpreendida com a adoração dada às jogadoras nos EUA. "Nós lá éramos modelos", disse, "situação que não acontece na Noruega".

Despedida da selecção
Riise encerrou a sua gloriosa carreira internacional em Setembro de 2004, conforme reconhece: "Foi um processo gradual. Jogar pela selecção estava a ser cada vez mais difícil e, com o tempo, tomei a decisão que era altura de parar".

Novo papel
Apesar de Riise ainda jogar no Team Strømmen, acumulando o papel de treinadora adjunta da equipa feminina da Noruega de Sub-19, continua muito ligada à equipa principal do seu país. Tornou-se, também, massagista e espera ajudar a sua selecção a ir longe em Inglaterra, onde espera que a Alemanha e a Suécia mostrem o seu favoritismo, mas espera ver ainda uma forte Dinamarca, equipa que, na sua opinião, está em grande crescendo.

Optimismo
Quanto à Noruega, Riise tem algumas cautelas, mas está optimista: "A equipa precisa de tempo para crescer. Nós temos as jogadoras necessárias para ir longe e espero que o consigamos fazer já este Verão. Toda a gente tem de jogar o seu melhor e depois, com isso, talvez possamos fazer algo de especial".