Os números do sucesso
segunda-feira, 23 de maio de 2005
Sumário do artigo
O Benfica não efectuou grandes alterações no seu "onze" titular ao longo da temporada, mas houve alguns jogadores que se destacaram.
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Nunca o Benfica passara tanto tempo sem ganhar um campeonato como as 11 épocas que mediaram entre 1993/94 e 2004/05. Anteriormente, o máximo que os encarnados passaram sem festejar o título foram quatro anos, precisamente aqueles em que, nos anos 50, o arqui-rival lisboeta, Sporting, conseguira o tetra. Contudo, nos 11 anos que separaram os dois últimos campeonatos, o domínio pertenceu, de forma avassaladora, ao FC Porto, que alcançou sete triunfos (cinco dos quais consecutivos – série que constitui um recorde). Ao contrário das últimas épocas, a identidade do campeão desta temporada foi somente conhecida na derradeira jornada, na qual a águia levou a melhor sobre o hegemónico dragão.
A sina de Trapattoni
Uma vez mais, o grande rival acabou por ser o FC Porto, depois de, na penúltima jornada, os encarnados terem deixado o Sporting pelo caminho com um providencial triunfo por 1-0 nos derradeiros minutos da partida. E, chegado à ultima jornada, Giovanni Trapattoni deparou com um cenário que os seus 35 anos de cerreira como treinador tornaram familiar: ser campeão na última jornada. O italiano foi insistentemente dizendo que a edição da SuperLiga que hoje terminou apenas se decidiria e, de facto, tal aconteceu. E verificou-se como em quatro (1976/77, 1980/81, 1981/82 e 1985/86) dos cinco títulos de campeão conquistados ao serviço da Juventus FC. Em três dessas quatro ocasiões, as equipas dirigidas por Giovanni Trapattoni alcançaram o ceptro actuando em reduto adversário. Desta vez, aconteceu no Estádio do Bessa. Com este sucesso, o italiano pode gabar-se de ter-se sagrado campeão em três países diferentes, juntando Portugal à Itália natal e à Alemanha, onde liderou o FC Bayern München.
Quim chega em primeiro
À entrada para a jornada de hoje, o Benfica apresentava uma espinha dorsal bastante bem-definida, dadas, também, as poucas opções que tinha para além dos habituais titulares. Começando pelos sectores mais recuados. Foi, ainda assim, na baliza que a concorrência foi mais apertada. Quim chegou ao Bessa como titular das redes benfiquistas e 18 jogos cumpridos. Fora Moreira quem iniciara a época como número 1, mas, ao final de 14 jogos, surgiu a derrota (0-4) no Estádio do Restelo, ainda na primeira volta, que o relegou para o banco, de onde saiu para apenas defrontar o Estoril-Praia.
Luisão como uma Rocha na defesa
Na defesa, Miguel foi, enquanto as lesões o permitiram, o senhor incontestado do lado direito, tendo actuado em 22 ocasiões e sempre como titular. Na sua ausência, foi João Pereira quem, na maior parte das vezes, ocupou o lugar, tendo cumprido 26 partidas, 16 das quais desde início. No eixo, a aposta de Giovanni Trapattoni recaiu claramente em Luisão e Ricardo Rocha, que cumpriram 29 e 25 jogos como titulares, respectivamente. Tal como na baliza, a luta pelo lado esquerdo da defesa foi bastante renhida, tendo o francês de origem cabo-verdiana Manuel Dos Santos levado a melhor sobre Panagiotis Fyssas, que, no verão passado, se sagrara campeão europeu ao serviço da selecção da Grécia no UEFA EURO 2004™. O ex-jogador do Olympique de Marseille cumpriu 21 partidas, contra 16 do helénico. As restantes duas opções encarnadas para a defesa foram os centrais brasileiros André Luís e Alcides. Mas, se o primeiro já chegou com a época em curso, o segundo contraiu uma grave lesão, que o limitou a apenas seis presenças para a SuperLiga.
Capitão totalista
No meio-campo, Petit e Manuel Fernandes somaram ambos 29 jogos como titulares, pelo que levaram a melhor na luta pela preferência de Trapattoni como médios-defensivos sobre o jovem Bruno Aguiar e os brasileiros Paulo Almeida e Everson. Nas alas, o brasileiro Geovanni contabilizou 31 presenças (26 das quais como titular), remetendo o promissor Carlitos para o banco de suplentes, de onde partiu nove vezes nas dez participações em jogos da SuperLiga. No lado esquerdo, só houve Simão Sabrosa. O capitão era, inclusivamente, à entrada para a última jornada, o único totalista do conjunto. A chegada de Nuno Assis, em Janeiro, proveniente do Vitória de Guimarães, alargou as opções ofensivas ao dispor do técnico italiano, o qual, entretanto, se rendeu ao futebol do ex-vimarenense, a quem concedeu posição atrás dos avançados. Mesmo sendo dos primeiros jogadores a ser substituídos quando era necessário apostar num futebol mais rectilíneo, Nuno Assis foi uma aposta segura de Trapattoni.
A referência Nuno Gomes
No ataque, as opções de Giovanni Trapattoni ao longo da época estiveram sempre dependentes da disponibilidade física do dianteiro em quem mais apostou para titular: Nuno Gomes. O ex-jogador da ACF Fiorentina alinhou de início em 19 das 22 partidas que realizou para a SuperLiga, mas o jogador mais vezes utilizado entre os atacantes foi o norueguês Azar Karadas, pese embora somente tenha sido titular em 15 das 27 partidas em que participou. Contingências de várias ordens limitaram as opções para o ataque: Mantorras passou a maior parte da época lesionado, mas, ainda assim, encontrou tempo suficiente para brilhar e ser decisivo nas 14 participações na vitoriosa campanha da SuperLiga (somente uma como titular); Tomo Sokota, depois de 11 encontros (seis dos quais como titular), onde apontou quatro tentos, viu-se, ainda antes do período de transferências, relegado para a equipa B por ter deixado de fazer parte dos planos de um técnico que, inicialmente, contava consigo. O sérvio Andrija Delibasic chegou à Luz cedido pelo RCD Mallorca em pleno período de transferências de Janeiro e, em virtude do privilégio de Trapattoni em apenas um dianteiro, contou somente 33 minutos de utilização na SuperLiga, divididos por três saídas do banco de suplentes.
Dependência de Simão
No que toca aos golos apontados, salta à vista a grande dependência do Benfica relativamente ao rendimento de dois jogadores. Dos 51 golos apontados, o capitão Simão conseguiu quase um terço (15 tentos) e Nuno Gomes logrou uma parte também não-negligenciável, apontando sete golos. Geovanni somou seis tentos, quase todos conseguidos através de remates disferidos à entrada da área e, pese embora, tenha tido uma utilização intermitente, Mantorras ainda conseguiu chegar aos cinco tentos, com alguns deles a relançarem o Benfica nos jogos em causa e, assim, na discussão do próprio campeonato. Sokota e Karadas apontaram quatro tentos cada, mesmo tendo o croata actuado menos de metade das partidas cumpridas pelo norueguês. Miguel, Luisão e Petit ficaram-se pelos dois tentos, enquanto Manuel Fernandes logrou apenas um, obtido no terreno do Vitória de Setúbal.