Árbitros contra o racismo
segunda-feira, 23 de maio de 2005
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Os árbitros estão a ser encorajados a participar na erradicação do racismo do futebol.
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Por Mark Chaplin
A campanha contra o racismo no futebol, conduzida pela UEFA em conjunto com a Rede Pan-Europeia Contra o Racismo no Futebol (FARE) e outros organismos, também inclui o sector da arbitragem.
Contribuição vital
Os árbitros e, em especial, os árbitros assistentes, podem fazer uma contribuição vital para os esforços de eliminação do racismo, intolerância e descriminação durante os jogos. Nos últimos tempos, têm existido exemplos de árbitros europeus de elite que tomam medidas concretas. O holandês René Temmink interrompeu recentemente um jogo do campeonato holandês, na sequência dos insultos que lhe estavam a ser dirigidos e de cânticos anti-semitas.
A bem do futebol
Quando estão a dirigir os jogos e, independentemente do seu grau de concentração, os árbitros assistentes podem ouvir os comentários provenientes das bancadas e há alguns que não podem passar em claro.
Denunciar os insultos
Não são apenas os árbitros assistentes que estão perto das multidões. Se estiver como árbitro assistente num jogo, mesmo que seja dos escalões mais jovens, e testemunhar insultos racistas ou gestos dentro e fora do campo, não feche os olhos e denuncie a situação. Ao fazê-lo, estará a contribuir para afastar este preocupante fenómeno do futebol.
Lista de sanções
A UEFA está a trabalhar em conjunto com a FARE para erradicar o racismo do futebol. O organismo que tutela o futebol europeu tem reforçado a sua lista de sanções que podem ser impostas a todos os que prejudicarem o futebol através do racismo.
"Problema social"
"O racismo é um problema social, que alastra ao futebol", afirmou Piara Powar, representante da FARE, num seminário de árbitros assistentes da UEFA realizado recentemente. "Vocês estão na posição ideal para ajudar a UEFA a lidar com este problema. Estão perto dos adeptos em várias ocasiões e, por vezes, ouvem os comentários feitos nas vossas costas".
'Identificar as situações'
"Também vêem os cartazes levantados ou até bananas atiradas para o relvado, algo que continua a acontecer", acrescentou. "Talvez ouçam os cânticos em que se chamam 'macacos' aos jogadores. Podem identificar problemas que escapam aos árbitros e que os delegados não conseguem ver ou perceber".
Reagir
Esses problemas não se limitam, obviamente, às bancadas. Os assistentes estão a ser encorajados a reagir se ouvirem insultos racistas da boca dos jogadores, que também podem ser castigados pelos árbitros - e consequentemente pelos organismos disciplinares da UEFA.
"Falta de denúncias"
"Queremos pedir-vos para denunciarem o que ouvem ou vêem ao árbitro, imediatamente ou após o jogo, para que o caso possa chegar aos organismos disciplinares da UEFA através do relatório do árbitro", explicou Powar. "Um dos problemas com que nos temos deparado na luta contra o racismo é a falta de denúncias das situações. Isso tem levado a críticas dos jogadores, que se sentem insultados sem que os casos sejam investigados. Se as denúncias dos incidentes forem feitas, serão abertos processos disciplinares".
Responsabilidade
"O racismo é um tema moral e social", continuou. "Afecta as competições da UEFA e o futebol em geral. É contrário ao espírito do futebol. Todos temos a responsabilidade de agir e tentar resolver este problema".
Apoio valioso
"Não vos estamos a pedir para serem os olhos e os ouvidos da UEFA. É claro que têm outras prioridades no trabalho que desempenham, mas estão perto do público e não é preciso dizer que qualquer ajuda ou apoio que possam dar é muito valioso".