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As áreas técnicas no estádio Ullevaal, em Oslo, dificilmente poderiam presenciar um maior contraste. Na liderança da selecção espanhola estava Jorge Vilda, um “veterano” de 33 anos que desde que entrou na Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), em 2008, construiu um invejável histórico de sucessos; tendo iniciado a sua aventura como treinador nos escalões de formação femininos ajudando o seu pai, Ángel, conduziu a selecção Sub-17 de Espanha ao título europeu em 2010 e 2011. Em Dezembro de 2013, levou as Sub-17 a mais uma final em Inglaterra. Meses depois conduziu a mesma selecção à final do Campeonato do Mundo na Costa Rica. E a final em Oslo foi, portanto, a sua terceira em oito meses. Em contraponto, para André Koolhof, tudo era novidade.

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Koolhof com Inessa Kaagman e Vivianne Miedema

Chegar à final gerou uma pressão e ansiedade ao pessoal de apoio bem como às jogadoras e todos tivemos que concentrar-nos em ser capazes de lidar com ela
André Koolhof

Estava a estrear-se no banco holandês. Uma carreira de jogador no futebol amador conduziu-o à carreira de treinador nos mesmos degraus da escada da modalidade. Apesar de ter ingressado na Real Federação Holandesa de Futebol (KNVB) em 2004, foi um dos seus directores técnicos regionais, envolvido no treino das equipas de rapazes e raparigas dos escalões Sub-10 aos Sub-15. E foi em 2012/13 que se tornou treinador adjunto da selecção Sub-17 feminina holandesa após que o em 2013 sucedeu a Aart Korenhoff nos Sub-19. A final em Oslo representou o culminar de uma bem-sucedida época de estreia que vivenciou na sua plenitude. Curiosamente, a vitória holandesa foi a segunda consecutiva para um “estreante”, com Gilles Eyquem, de França, a lograr o mesmo com a conquista do título em 2013 no seu ano de estreia.

Na qualificação para a fase final, a equipa de Koolhof somou 16 pontos em seis partidas, sofrendo apenas um golo. Uma vez na Noruega, destacou a importância, em termos da evolução das jogadoras para a selecção sénior holandesa, de uma cultura de vitória, com uma mentalidade orientada para os resultados. A sua satisfação, após a final no Ullevaal, foi que a sua equipa conquistou o troféu mesmo tendo sido a Espanha a melhor equipa.

E não estava sozinho entre os treinadores presentes na fase final do torneio nas dúvidas sobre a preparação física de sua equipa durante um momento difícil do ano. Uma série de estágios de curta duração e depressa devolveu a forma às suas jogadoras - mas ele insistiu que os níveis de aptidão não seriam suficientes para garantir o sucesso. Já na Noruega, colocou ênfase no desenvolvimento da maturidade táctica baseado numa descoberta orientada e uma disponibilidade para aprender com os erros. Adoptou uma gestão de desenvolvimento individual, trabalhando com cada jogadora qualidades específicas. A base para o fazer era o diálogo. Não se poupou a esforços para horas após hora dedicar-se a conversas individuais com os membros da equipa - com especial atenção para o plantel, em vez das habituais titulares. Em matéria de psicologia e força mental, foi capaz de explorar o desempenho na segunda parte contra a Escócia, quando a sua equipa havia descansado sobre os louros de uma vantagem de 3-0 ao intervalo e estava feliz por terminar com um resultado de 3-2.

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A equipa de apoio holandesa foi fundamental

Ao mesmo tempo, reconheceu a importância de gerir a sua equipa de apoio que, na Noruega, foi extensa. As refeições constituíram uma oportunidade óbvia para agregar a sua equipa - e também respeitou a tradição holandesa de sentar-se com equipa de apoio após as jogadoras recolherem aos quartos. Como seleccionador novato, a fase final representou uma parte importante no seu percurso de aprendizagem, tal como para as suas jogadoras. Mais tarde, admitiu: "Chegar à final gerou uma pressão e ansiedade ao pessoal de apoio bem como às jogadoras e todos tivemos que concentrar-nos em ser capazes de lidar com ela." E conseguiram.

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A Holanda esteve em grande plano

https://pt.uefa.com/womensunder19/season=2014/technical-report/winning-coach/index.html#o+inicio+vencedor+koolhof