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Temas de discussão

Temas de discussão
Apenas 37% das jogadoras na Noruega nasceram em 1995 ©Sportsfile

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Um mundo de diferença
França e Alemanha ausentes. Os dois países que venceram sete das 12 edições da prova disputadas com as selecções de Sub-19 terão ficado algo satisfeitas com a ausência no torneio da Noruega. Juntamente com Inglaterra e Finlândia, ocuparam os quatro primeiros lugares na fase final do Europeu em 2013, tendo garantido a viagem para o Canadá, onde representariam o continente europeu no Campeonato do Mundo de Sub-20, que começaria nove dias depois de a bola parar de rolar na região de Oslo.

Tivemos a sorte de não termos exames escolares e a nossa liga de verão foi também uma vantagem
Jarl Torske

O primeiro tema de discussão poderá ser se o não apuramento para a fase final da competição na Europa poderá ter sido algo de bom para finlandesas, francesas e alemães. A presença nas duas fases finais constitui sem dúvida um desafio para as inglesas.

Dezassete das 18 jogadores que perderam a final do Europeu de 2013, no País de Gales, foram escolhidas para representar a Inglaterra no Mundial. Onze delas poderiam ter jogado na Noruega - e todas elas participaram na fase de apuramento europeia. Deste modo, a equipa que representou a Inglaterra na Noruega não foi a mesma que conseguiu a qualificação para a fase final.

Houve também repercussões no ponto de vista dos treinadores, com as equipas técnicas a serem esticadas até ao limite. Com a prioridade de Mo Marley virada para o Mundial, ela foi incapaz de ter mais do que uma simbólica presença na Noruega, com o cargo de técnico a ser assegurado por Brent Hills, o homem responsável pela coordenação e gestão de todas as selecções nacionais da Inglaterra dos Sub-20 e inferiores.

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Mo Marley

Como esperado, Hills analisou a situação do ponto de vista positivo. "É uma fantástica oportunidade para as raparigas", afirmou. "Dezassete delas podem jogar na edição da prova em 2014 e quatro delas na do ano seguinte." Depois da selecção "alternativa" da Inglaterra ter somado três derrotas e marcado apenas um golo nos três encontros da fase de grupos, acrescentou: "As raparigas mostraram que podiam jogar a este nível, mas não tínhamos a experiência e rotinas necessárias."

A falta de experiência na equipa da Inglaterra pode ser numericamente demonstrada pelas datas de nascimento, onde se pode aferir que apenas 37% das jogadoras na Noruega nasceram em 1995 e que apenas 15 nasceram no final do patamar superior permitido – entre Janeiro e Março desse ano.

Para bem deste ponto de discussão, a situação poderia ser levada ao limite. Com a Finlândia a calhar no mesmo grupo na ronda de elite da Inglaterra, o facto é que ambas não se poderiam apurar. Mas se, de acordo com o mesmo critério, Alemanha e a campeã em título, França, se tivessem apurado em vez de Bélgica e Suíça? Até que ponto a fase final seria adulterada? Até que ponto seria correcto concordar com Hills no que toca à possibilidade de proporcionar oportunidades a outras jogadoras com esta situação? Ou a coincidência de datas priva as jogadoras de uma competição internacional na qual apenas podem jogar numa apenas em vez de duas? Será que ambas ou apenas uma das situações é realmente necessária? 

A questão destaca a importância das conversações que, enquanto a prova decorria na Noruega, decorriam na FIFA com vista à racionalização do calendário internacional. Haverá espaço para ser considerado um alinhamento de UEFA e FIFA quanto aos limites de idade? Será que ajudava eliminar a discrepância Sub-19/Sub-20?

É o jogo no feminino um mundo masculino?
Todos os treinadores das oito selecções finalistas eram homens. A inglesa Mo Marley, caso estivesse presente, seria a excepção à regra da situação mencionada. Na Noruega, os corpo técnicos eram predominantemente masculinos – uma ilustra��ão desta situação é visível na foto do staff da Espanha, publicado no site da UEFA. Nela podem ver-se 15 pessoas - todos homens. Mas, levando a questão para uma perspectiva do treinador, o ponto de debate resume-se a uma palavra: porquê?

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Uma equipa técnica só de homens

O domínio masculino na Noruega confirmou a tendência que vinha do UEFA Women's EURO 2013, onde nove dos 12 técnicos eram homens. Uma das excepções foi a inglesa Hope Powell, que esteve na Noruega como  membro da equipa técnica da UEFA. "Se quisermos analisar a questão a fundo", comentou, "Penso que teríamos de perguntar se a crescente popularidade do futebol feminino está a atrair um maior número de treinadores do sexo masculino devido ao maior prestigio ligado ao trabalho com equipas femininas nos tempos que correm. Depois, podia-se levar o debate para os dirigentes federativos que escolhem treinadores homens. E, a partir daí, poderíamos discutir se é ajustado escolher homens que têm pouca ou nenhuma experiência no futebol feminino. Uma teoria que não vou sequer discutir é se não há treinadoras com qualificações necessárias. Penso que o ponto de discussão é perguntar porque é que elas não são escolhidas".

Examinar a evidência
O treinador da Noruega, Jarl Torske, comentou: "Tivemos a sorte de não termos exames escolares e a nossa liga de verão foi também uma vantagem." Mas para a maioria dos treinadores que lideraram equipas na Noruega, os exames aumentaram os problemas para escolher jogadoras e tiveram uma grande importância nos trabalhos de preparação.

Um seleccionador foi obrigado a prescindir de duas jogadoras devido a incompatibilidades com datas de exames. Por outro lado, a flexibilidade do calendário de exames nas escolas escandinavas traz benefícios. As três selecções das ilhas britânicas tiveram de lidar com datas de exames fixas. Nos Países Baixos e Espanha, a preparação foi condicionada pelos períodos de exames que se prolongaram por três semanas ou mais em Junho.

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Muitas jogadoras tiveram que se submeter a exames

Não houve diferenças substanciais entre os países com ligas no verão e aqueles que as disputaram nos meses de Inverno. A combinação dos dois factores deu aos treinadores algumas dores de cabeça. Os técnicos da Holanda e Bélgica enfrentaram um problema dado que a BeNe League terminou a 6 de Junho e os exames ocuparam a maior parte do mês, mas era necessário que as jogadoras tivessem o seu pico de forma a meio de Julho. A preparação virou-se assim para a elaboração de programas de treino a cumprir de forma individual. Curiosamente, as equipas que jogaram a final em Oslo estavam entre aquelas que menos tempo de preparação tiveram: as holandesas reuniram-se três dias antes do jogo de abertura, tendo, anteriormente, realizado três estágios de dois dias. Jorge Vilda só conseguiu juntar o seu grupo cinco dias antes de sair de Espanha e não fizeram nenhum jogo de preparação – um facto que contribuiu sem dúvida para a derrota no encontro inaugural com as irlandesas.

Mas os treinadores dos países com ligas no Verão não ficaram imunes a dúvidas sobre se as competições internas prepararam verdadeiramente as jogadoras para competir ao mais alto nível internacional. Os pontos de discussão são se as datas da fase final são as ideais (o sentimento geral é que são uma melhoria em relação às datas de Maio adoptadas num passado recente) e que, para o treinador, qual é a melhor maneira de ter as suas jogadoras na melhor condição a meio de Julho.

https://pt.uefa.com/womensunder19/season=2014/technical-report/talking-points/index.html#temas+discussao