No aproveitar está o ganho

França 2-1 Inglaterra
Dois erros defensivos da detentora do troféu permitiram à França sagrar-se campeã europeia pela segunda vez.

As últimas edições do Campeonato da Europa Feminino de Sub-19 ficaram marcadas por uma selecção que se revelou mais forte, mas em 2010 a competição ficou marcada pelo equilíbrio.

A França conquistou o Campeonato da Europa Feminino de Sub-19 pela segunda vez no seu historial, ao aproveitar dois erros defensivos que custaram caro à Inglaterra, detentora do título.

Parecia que tudo ia correr de feição para a equipa de Mo Marley quando Jessica Holbrook inaugurou o marcador, a meio da primeira parte. No entanto, quatro minutos depois, um erro de Lucia Bronze permitiu a Rose Lavaud empatar a partida e, no início da segunda parte, foi a vez da guarda-redes Rebecca Spencer, com uma má reposição de bola, permitir a Pauline Crammner finalizar com êxito. A partir daí, a equipa inglesa, que pareceu cansada, não mais conseguiu responder, enquanto a França ganhou alento e preparou a festa, confirmada depois do apito final.

Com tanto em disputa, as finais começam geralmente de forma lenta, com a ponderação a sobrepor-se à aventura, mas neste desafio nunca houve indícios disso. Muita da despesa ofensiva coube a Toni Duggan, única avançada de Inglaterra e presença imponente no ataque, sempre apontada à defesa francesa. Inès Jaurena era a mais visada, apesar de a lateral-direita ter cortado no momento certo um passe, impedindo a desmarcação de Jordan Nobbs, que ficaria isolada rumo à baliza.

A incapacidade de Duggan para perceber a intenção de Isobel Christiansen não permitiu uma jogada semelhante, mas a avançada do Everton LFC não cometeu o mesmo erro duas vezes. Com 25 minutos decorridos, a jovem de 18 anos levou a melhor sobre Jaurena no flanco esquerdo e endereçou a bola a Holbrook, que transformou uma finalização difícil na área povoada num lance fácil, evitando a oposição de Adeline Rousseau antes de rematar rasteiro junto ao poste.

A França, duas vezes finalista vencida desde que conquistou o único troféu na categoria, em 2003, deve ter temido o pior, mas rapidamente chegou à igualdade, depois de Bronze ter demorado muito tempo a afastar a bola. Lavaud aproveitou, cortou o esférico e correu para ganhar o ressalto, concluindo o lance com um remate em jeito para o poste mais distante. Mas se Bronze poderia alegar alguma má sorte, o mesmo não se pode dizer da acção de Spencer no segundo golo da França.

A guarda-redes, um dos pilares em que assentou a segurança defensiva da equipa de Marley nos últimos anos, colocou a bola precisamente na única jogadora francesa que estava no meio-campo inglês, dez minutos depois do recomeço. Crammer não desperdiçou tamanha generosidade e rematou para a baliza deserta.

Spencer corrigiu em parte o seu erro ao negar novo tento golo à irrequieta Lavaud, num remate à queima-roupa, desviando depois para canto o pontapé de Léa Le Garrec. Mas o mal já estava feito e a desilusão da Inglaterra a foi ainda maior devido à lesão de Gilly Flaherty. Daí até final, a França geriu o esforço para festejar a conquista do troféu.

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