Portugal contra a estatística dos estreantes

Portugal vai disputar o seu primeiro EURO Feminino, mas após uma fase de qualificação notável, terá de contrariar uma estatística pouco animadora para os estreantes no torneio.

©FPF

Quando Francisco Neto, seleccionador sénior feminino, disse antes do "play-off" de apuramento para o UEFA Women's EURO acreditar que "mais cedo ou mais tarde Portugal vai estar na fase final", provavelmente não sabia que o desejo se iria cumprir tão cedo.

As suas pupilas deram-lhe razão e derrotaram a Roménia, conseguindo o apuramento de Portugal para o seu primeiro Campeonato da Europa Feminino da UEFA.

No entanto, o início de campanha luso não foi auspicioso e talvez se tenha pensado que seria mais uma campanha frustrante, com apenas 3 pontos somados nas quatro primeiras jornadas. Ainda assim, a selecção das "quinas" encetou uma recuperação notável, dependente também de terceiros, que culminou com a conquista de dez pontos nos últimos quatro jogos, terminando em igualdade pontual com a Finlândia, que bateu no confronto directo.

Esse mau início parecia querer prolongar uma tendência para Portugal, a de terminar nos últimos lugares do grupo de qualificação nas suas sete participações anteriores, alternando entre o penúltimo e o último lugar. Apenas em duas delas (1997 e 2001), conseguiu ficar em posição de discutir o apuramento, apenas para cair no derradeiro obstáculo, o "play-off".

Desta feita, as coisas foram diferentes e confirmam o crescimento recente do futebol feminino de selecções em Portugal, que tinha dado os primeiros sinais em 2012 e 2013, com a presença das Sub-17 e Sub-19 no seu primeiro Europeu da categoria. Em relação à equipa Sub-19, nove das jogadoras que participaram nesse torneio de 2012 intervieram na campanha rumo ao UEFA Women's EURO 2017, entre elas Andreia Norton, autora do golo decisivo frente à Roménia, na sua primeira internacionalização sénior.

Na fase final, Portugal vai ser  o 12º estreante, juntamente com mais quatro selecções, e tentará contrariar uma estatística nada animadora para quem se apresenta nessa condição. Excepção feita para Noruega (1987) e Alemanha (1989), que se sagraram campeãs na primeira participação, construindo depois uma boa reputação, com presenças consecutivas e títulos, as outras estreantes sentiram dificuldades.

Nos primórdios da competição, quando esta não tinha fase de grupos e começava nos quartos-de-final, a duas mãos, Holanda, França, Checoslováquia (todas em 1989), Hungria (1991), Rússia (1993), Islândia (1995) foram sempre eliminadas nessa eliminatória. Quando o torneio passou a ter fases de grupos, Espanha (1997) e Finlândia (2005) conseguiram passar à próxima fase mas foram eliminadas logo de seguida, enquanto a Ucrânia (2009) terminou o seu grupo no último lugar.

Um cenário que Portugal quererá de todo evitar é o que se passou com Checoslováquia (que mais tarde deu lugar a República Checa e Eslováquia), Hungria e Ucrânia, países que nunca mais marcaram presença numa fase final.

Mónica Jorge, antiga seleccionadora e actuar dirigente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), classificou este feito como "o início de uma nova era no futebol feminino". Em relação ao que se pode esperar de Portugal no EURO, disse: "Somos a equipa mais baixa do 'ranking' e vamos ter pela frente adversárias fortes, numa competição ao mais alto nível mas onde chegámos com mérito. Vamos fazer o nosso melhor e sonhar um bocadinho mais alto".

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