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1984: Pia Sundhage

Em 1984, quando colocou a bola na marca de grande penalidade, Pia Sundhage só pediu para que os seus nervos fossem mais fiáveis que as suas previsões.
por Chris Burke
1984: Pia Sundhage
Em 2008, a sueca Pia Sundhage conquistou a medalha de ouro olímpica como treinadora ©Getty Images
 

1984: Pia Sundhage

Em 1984, quando colocou a bola na marca de grande penalidade, Pia Sundhage só pediu para que os seus nervos fossem mais fiáveis que as suas previsões.

Quando chegou o momento do pontapé decisivo na emocionante final da primeira edição do Campeonato Europeu Feminino, entre a Suécia e a Inglaterra, Pia Sundhage só pediu para que os seus nervos fossem mais fiáveis que as suas previsões.

"Prometido"
A 27 de Maio de 1984, em Kenilworth Road, Luton, a selecção inglesa tinha recuperado do desaire no primeiro jogo e deixou a final, disputada a duas mãos, empatada a um golo. "Na véspera da final, o treinador Ulf Lyfors perguntou quem queria marcar a última grande penalidade", recordou Sundhage ao uefa.com. "Nunca pensei que fosse necessário chegar tão longe, por isso ofereci-me como voluntária. Ele olhou para mim como que dizendo. 'Está prometido'". Honrando a palavra, a centrocampista marcou um penalty histórico, dando à Suécia o primeiro título europeu da história do futebol feminino.

Golo de cabeça
Independentemente do motivo, Sundhage era a jogadora mais adequada para bater o pontapé decisivo. No jogo da primeira mão, tinha sido ela a dar o triunfo à Suécia, com um mergulho de cabeça, tendo marcado mais 70 golos em 146 internacionalizações pelo seu país. O seu enorme carisma, dentro e fora de campo, ajudou a dar protagonismo ao futebol feminino na Suécia e no crescimento da modalidade, também como treinadora.

"Ninguém nos levava a sério"
"Dou grande valor à possibilidade de falar com a comunicação social, pois ao início isso era impossível. Ninguém nos levava a sério", recordou. Na verdade, muita coisa mudou desde a primeira vez que Sundhage procurou uma forma de expressar a sua paixão pelo futebol. "Comecei com cinco ou seis anos e tinha de jogar com os rapazes, pois não havia equipas femininas. De qualquer forma, eu era sempre dos primeiros a serem escolhidos", explicou.

Estreia na selecção
A sueca encontrou outras jogadoras com a mesma vontade no IFK Falköping e as fantásticas exibições que realizou com apenas 14 anos levaram a que, no ano seguinte, fosse convocada para a selecção nacional. "Foi em 1975, contra a Inglaterra, e ganhámos 2-0 em Gotemburgo. O seleccionador telefonou-me e também li a notícia no jornal, o que foi fantástico para mim, pois tinha apenas 15 anos. Não estava nervosa, pois tinha muita técnica, mais do que a maioria das outras jogadoras, e isso tornou mais fácil a minha integração no grupo". Esse processo foi tão fácil que Sundhage foi titular indiscutível da selecção até terminar a carreira, em 1996.

Perto do título
Com Sundhage a comandar o meio-campo, a Suécia foi vice-campeã europeia em 1987 e 1995. "Também me recordo do Campeonato do Mundo de 1991, na China, quando conquistámos o bronze, e dos Jogos Olímpicos de 1996. Foram grandes momentos para mim e para a evolução desta modalidade", explicou. Nas competições nacionais conquistou quatro títulos e outras tantas Taças da Suécia ao serviço do Jitex BK e do Hammarby, que foi o seu último clube. No início da década de 1990, não contente por deliciar os adeptos com as suas exibições em campo, decidiu assumir, simultaneamente, as funções de treinadora e jogadora.

Treinadora de sucesso
O grande conhecimento da modalidade, que lhe permitiu fazer a diferença como jogadora, também se revelou bastante útil nas novas funções, e em 2001, depois de um bom trabalho realizado nos escalões jovens da selecção sueca, foi convidada para treinadora-adjunta das Philadelphia Charge. Na época seguinte assumiu o comando das Boston Breakers, tornando-se apenas na segunda mulher da história a treinar uma equipa da WUSA, sendo eleita Treinadora do Ano na época de estreia. "Ser treinadora profissional nos Estados Unidos foi uma experiência única", confessou. "Ter oportunidade de estar perto de jogadoras como Kristine Lilly e Maren Meinert é especial e deu-me muita confiança e novas ideias". Quando a WUSA acabou, a sueca regressou ao seu país para treinar o KIF Örebro DFF, entre 2005 e 2007. Após um período como adjunta da selecção da China, foi escolhida para seleccionadora dos Estados Unidos, levando as norte-americanas ao ouro nos Jogos Olímpicos de 2008.

Última actualização: 15-10-08 13.16CET

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