Peixe quer Portugal competitivo

Após seis jogos sem perder na fase de qualificação, o seleccionador Sub-19 de Portugal, Emílio Peixe, acredita que a sua equipa entrará "entusiasmada e motivada" na fase final da Lituânia.

O seleccionador Sub-19 de Portugal, Emílio Peixe, dá instruções aos seus pupilos
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Após garantir a qualificação invicto para a terceira fase final do Campeonato da Europa de Sub-19 em quatro anos, o treinador de Portugal, Emílio Peixe – vencedor do Campeonato do Mundo de Sub-20 em 1991 –, está agora apostado em levar o país à glória na Lituânia.

Os anfitriões, a campeã Espanha e a Holanda serão, certamente, um duro teste no Grupo A, mas Emílio Peixe acredita que as dificuldades motivarão os seus jogadores rumo ao objectivo primeiro, que é atingir as meias-finais.

UEFA.com: Portugal está num grupo complicado, com Espanha, Holanda e a anfitriã Lituânia. Como antevê as possibilidades da sua equipa?

Emílio Peixe: Vai ser uma competição dura e muito competitiva. Estamos inseridos num grupo com selecções de enorme qualidade, com um passado rico no futebol de formação europeu, Espanha e Holanda, e com os anfitriões da prova, a Lituânia. Mas as dificuldades também nos entusiasmam e motivam. Vai ser um momento fantástico para que os nossos jogadores possam crescer como atletas, num contexto competitivo de extrema dificuldade.

UEFA.com: Quais as principais características dos adversários de Portugal?

Peixe: São equipas com uma qualidade individual e colectiva acima da média, com jogadores tecnicamente evoluídos, alguns deles com uma experiência competitiva muito forte e inseridos em contextos competitivos de grande exigência. Mas Portugal também tem jogadores de grande qualidade e, mais importante, com muita vontade de o demonstrar e dignificar o nome do nosso País.

UEFA.com: No ano passado, Portugal não foi além da fase de grupos na Estónia. Olhando o seu grupo de jogadores, qual o objectivo mínimo para este torneio?

Peixe: O objectivo a que nos propusemos no início da época está atingido e passava pela qualificação para a fase final. Uma vez aqui, e porque formamos uma equipa determinada e ambiciosa, queremos ir o mais longe possível. Para já, estamos focados em atingir as meias-finais. Temos muita vontade em consegui-lo, temos capacidade para isso, mas não jogamos sozinhos. O importante é prepararmos bem a competição e colocarmos em campo as nossas ideias e identidade de jogo. Veremos até onde conseguiremos ir.

UEFA.com: Na Ronda de Elite, a sua equipa teve uma prestação avassaladora, com domínio absoluto. Já na fase anterior Portugal esteve muito forte. Como descreve a caminhada até esta fase final?

Peixe: Penso que esta foi uma caminhada de grande qualidade e competência. Vencemos cinco dos seis jogos disputados e apenas empatámos com uma grande equipa como é a França. O apuramento foi o culminar de um longo e difícil trajecto de quatro anos com este grupo de atletas que tenho um enorme prazer em dirigir. As bases do nosso trabalho em termos de processo teve início em 2010, a partir desse momento conseguimos - toda a estrutura técnica - desenvolver uma identidade de jogo e um conjunto de comportamentos que têm como objectivo principal o crescimento dos nossos jovens jogadores. Sentimos, desde sempre, o apoio da estrutura da FPF e esse trabalho conjunto, de enorme empenho, deu frutos.

UEFA.com: Apenas João Cancelo e Bruno Varela jogaram a fase final do ano passado. Tal poderá ser um problema, por falta de experiência, ou ao invés servir de motivação para os que se estreiam?

Peixe: Dada a natureza destes Europeus, a existência de "repetentes" significa apenas a promoção dos nossos melhores jogadores, sejam eles mais novos ou pertencentes a este escalão. Tentamos sempre projectar aqueles que demonstrem qualidade para jogar num escalão superior. Na formação, tão importante quanto a experiência em grandes competições é a maturidade competitiva dos jogadores, a sua competência, entrega e compromisso com os objectivos colectivos. Nesse aspecto estou certo que Portugal estará muito bem representado.

UEFA.com: Tem um grupo de atletas talentosos, com destaque para Cancelo, Gonçalo Paciência, entre outros. Como descreve esta geração de jogadores de Portugal?

Peixe: É uma geração muito interessante do ponto de vista dos requisitos do futebol actual. São competitivos, agressivos no sentido positivo, tecnicamente evoluídos e inteligentes na interpretação dos diferentes momentos do jogo. Outra característica importante é o comportamento social e relacional ajustado ao espaço selecção. Essa sempre foi uma prioridade para nós, técnicos nacionais, a de promover um crescimento sustentado nos mais nobres valores que têm de existir num jogador de selecção.

UEFA.com: O Emílio Peixe teve um percurso fantástico como internacional português em todos os escalões. De que forma é que usa a sua experiência como antigo jogador das camadas jovens de Portugal para trabalhar com os seus atletas?

Peixe: Sobretudo, tento transmitir-lhes a transcendência e o orgulho que devem sentir de cada vez que representam o nosso País. As selecções nacionais são um espaço de elite, de superação. Aqui só estão os melhores de cada país e quem está tem de identificar-se com os nossos processos e dar sempre o máximo, quer nos treinos, quer nos jogos. A experiência que tive nos escalões de formação foi muito importante para a minha passagem para o futebol profissional. Tive a felicidade de fazer essa caminhada de crescimento num ciclo de triunfos e títulos. É isso que gostaria que acontecesse com estes jovens.

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