“Se nós ganhámos ao Manchester, o Sporting pode ganhar ao Atlético”

Antes do Atlético - Sporting nos quartos-de-final, o UEFA.com juntou os antigos jogadores Alexandre Baptista e Hilário Conceição numa evocação da única conquista europeia do clube.

Alexandre Baptista (à esquerda) e Hilário Conceição num abraço efusivo quando se reencontraram no Museu do Sporting, na semana passada
Alexandre Baptista (à esquerda) e Hilário Conceição num abraço efusivo quando se reencontraram no Museu do Sporting, na semana passada ©UEFA.com

O Sporting pode não ser favorito no confronto frente ao Atlético nos quartos-de-final da UEFA Europa League, cuja primeira mão arranca nesta quinta-feira, em Madrid, mas talvez consiga inspirar-se algures na caminhada rumo à conquista da Taça dos Vencedores das Taças, a 15 de Maio de 1964.

Antes do início da ronda, o UEFA.com juntou no Museu do Sporting os dois antigos jogadores Alexandre Baptista e Hilário Conceição numa conversa evocativa do único título europeu ganho até agora pelos “leões” no futebol.

Actualmente com 77 anos, o defesa-central Alexandre Baptista participou nos jogos decisivos da caminhada. Dois deles aconteceram diante do poderoso Manchester United, treinado pelo mítico Matt Busby e com Bobby Charlton e Dennis Law entre as estrelas mais sonantes, cujo desfecho surpreendeu tudo e todos. Talvez por isso, Alexandre Baptista acredite que o Sporting de agora, mesmo não sendo favorito, pode imitar o feito dessa altura.

"O Manchester também era uma equipa fortíssima"

Alexandre Baptista fez 163 jogos oficiais e marcou três golos em 11 épocas no Sporting
Alexandre Baptista fez 163 jogos oficiais e marcou três golos em 11 épocas no Sporting©UEFA.com

“Se nós ganhámos ao Manchester [United], não vejo razão nenhuma porque é que este Sporting não há-de ganhar ao Atlético”, avança Alexandre Baptista. “Toda a gente reconhece valor ao Atlético, mas o Manchester naquela altura também era uma equipa fortíssima. Por isso, é possível."

A eliminatória contra United ficou mesmo na história! Após perder a primeira mão dos quartos-de-final por 4-1, em Old Trafford, o Sporting eliminou o adversário ao golear depois, por 5-0, numa inesquecível noite no Estádio José Alvalade em que impôs aquela que é, ainda hoje, a maior derrota dos “red devils” nas competições de clubes da UEFA. "Ganhar uma competição europeia não está fora dos objectivos, pode acontecer", garante. "Tivemos essa possibilidade uma vez e agarrámo-la bem."

"Os recordes são para se bater"

Hilário jogou 15 temporadas nos seniores do Sporting
Hilário jogou 15 temporadas nos seniores do Sporting©UEFA.com

Ao contrário do colega da defesa, o lateral-esquerdo Hilário, quase a completar 80 anos de vida, ficou privado de participar na final (3-3) e na finalíssima (1-0) da Taça das Taças ante o MTK Budapeste, em virtude de ter partido uma perna dias antes. Recordista com 494 jogos oficiais de leão ao peito, de acordo com o Sporting, Hilário tem ainda à distância de 38 o guarda-redes da equipa actual, Rui Patrício.

“Os recordes são para se bater, e a única pessoa que tem hipótese de o fazer é o Rui Patrício”, disse Hilário, que passou 15 épocas como jogador nos seniores do Sporting. “E no dia em que isso acontecer vou dar-lhe um grande abraço com dupla satisfação: por ter batido o recorde e por eu ter sido um dos seus primeiros treinadores! Ele demonstrou sempre na formação que podia ser um grande guarda-redes e conseguiu-o.”

"Parecia o Papa a acenar!"

Hilário olha para a réplica da Taça das Taças no Museu do Sporting
Hilário olha para a réplica da Taça das Taças no Museu do Sporting©UEFA.com

Por força das circunstâncias, Alexandre Baptista e Hilário viveram de maneira diferente o triunfo na Taça das Taças. "Só quando chegámos a Lisboa é que percebemos melhor o que se tinha passado", recorda Alexandre Baptista. "Não esperávamos aquela recepção numa euforia fantástica. Foram momentos inesquecíveis."

O cortejo que se seguiu pela capital de Portugal incluiu a visita da comitiva dos "leões" ao infortunado jogador, que se encontrava em convalescença com a perna engessada. "Uma das minhas maiores alegrias foi virem festejar a minha casa para eu beber champanhe pela taça", lembra Hilário. "Tenho uma casa muito pequena, mas era tanta a gente que tive de vir à janela acenar às pessoas e aos adeptos – parecia o Papa! Foi uma coisa muito bonita e inesquecível."

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